A experiência ensina-nos a antecipar estereótipos, perfis e enganos, mas será mesmo assim? O que é afinal um estereótipo, de que forma o mesmo pode formar um perfil e quanto vezes não estamos a cair no mesmo engano?
A experiência pode ajudar-nos a atribuir determinadas características a um estereótipo, mas este não passa de um conceito que nós próprios criámos por força das circunstâncias, dos grupos de influência em que estamos inseridos, das nossas crenças e do que consumimos através dos meios de comunicação que usamos. É comum que esses estereótipos nos levem a definir perfis. Ao conhecermos uma nova pessoa vamos tentar encaixá-la nesses estereótipos e dizer que é um perfil que conhecemos. Contudo, não estaremos a cair sucessivas vezes no mesmo engano?
As pessoas e as circunstâncias que as moldam são únicas. Não somos sempre a mesma coisa, principalmente quando mudamos o contexto em que estamos inseridos. Se num determinado ambiente nos sentimos inseguros, a insegurança vai nortear os nossos sentimentos e as nossas ações. É normal sentirmos desconfiança, fragilidade e muita ansiedade. Se por outro lado, estivermos num ambiente sereno, propício a desenvolvermos outro tipo de competências e atitudes, então seremos uma pessoa completamente diferente, mais extrovertida, mais verdadeira e até mais ponderada, porque são estes ambientes que nos levam a revelar o melhor de nós.
Penso muitas vezes na forma como o mundo nos transforma, através das pessoas com quem nos cruzamos, que nos dizem que algo não está bem connosco e que nos levam a querer ser diferentes daquilo que somos. Os típicos: não és suficientemente bom, audaz, capaz, não tens aquilo que precisamos, ris de mais, ris de menos, falas de mais, falas de menos, és demasiado extrovertido ou demasiado introvertido; são estereótipos que nos marcam, caracterizam e condicionam.
É difícil superar estes condicionamentos, esta forma de ser e estar. É ainda mais difícil perceber que temos muito pouco controlo sobre tudo o que se diz, escreve e faz, a não ser o controlo que temos sobre como nos sentimos. O foco tem de ser esse, entender o que não podemos mudar, aceitar quando as coisas não correm como esperávamos e deixar que as emoções acalmem, porque só nos resta aceitar e seguir em frente.

