A censura nos comentários


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É possível que a divulgação feita pelo nosso plantel de bloguistas da transferência do Delito de Opinião para esta nova morada tenha cativado alguns novos leitores. Mas quero crer que a maioria dos visitantes seja composta por leitores veteranos do nosso blog. Mesmo assim algumas velhas questões continuam, apesar de já terem sido repisadas – várias vezes.

Neste meu postal de ontem – “Racismo em Lisboa” – regressam os resmungos de que no DO há censura de comentários. É um gemido antigo, gente que não gosta de algum texto, ou mesmo do blog apesar de visita frequente, queixa-se da “censura”.

Por várias – demasiadas – vezes já aqui escrevi. Não há “censura” nos blogs. Quem afirma isso apenas demonstra (não denota, demonstra liminarmente) a sua profunda ignorância. E até um desnorte, uma desorientação, nisso de não perceber onde está. Pois aqui não é um órgão de comunicação social. Ou seja, não tem código deontológico. Nem tem a “responsabilidade social” requerida à imprensa. Os bloguistas devem escrever com “responsabilidade” – são até passíveis de injunções, morais ou jurídicas. Mas isso não  é tal “responsabilidade social” tantas vezes requerida para as instituições.

O que há nos blogs é a selecção de comentários admitidos. Não é censura, é selecção! A qual é totalmente legítima, juridicamente mas também moralmente. Eu pratico-a. Isto é um espaço convivencial, eu convivo com quem quero. E entro em interlocução quando e como quero.

E explicito os meus critérios, de forma mais sistematizada do que antes fiz:

  • não aceito comentários comerciais – o vulgar “spam” – que tenham escapado às barreiras que o sistema blogal desde logo impõe;
  • não aceito comentários impertinentes por deslocados – p. ex. se nesse meu último postal “Séneca na Fábrica Lisboeta” alguém comentar criticando Pedro Proença, presidente da Federação Portuguesa de Futebol;
  • não aceito comentários insultuosos de outrem – p. ex. se alguém no  meu “Racismo em Lisboa” comentar dizendo “tu és um cabrão racista” poderá passar (apesar de eu detestar que desconhecidos me tuteiem). Mas se alguém aí disser “este blog é um conjunto de cabrões” apago;
  • não aceito comentários de gente evidentemente desequilibrada, como alguns que ao longo dos anos acamparam no DO perorando inanidades em registo contínuo;
  • não aceito  comentários de dois co-bloguistas, por motivos sobre os quais eu tenho toda a razão e que não preciso de explicitar pois advêm de relações digitais diádicas;
  • não aceito comentários de Luís Balio Lavoura, devido a ele, há alguns anos, ter aqui posto em causa a honorabilidade da minha filha. É certo que alguns dos co-bloguistas não terão notado, mas outros decerto notaram, até porque eu reagi. E neste caso continuo a não perceber como é que os outros co-bloguistas aceitam “conversar” com alguém que cometeu esse despropósito com a filha de um compagnon desta route – eu nunca o faria, mas isso sou eu… Devido a essa complacência alheia, na época hesitei em sair do blog. Não saí, para “não exagerar”, porque gosto do DO e de blogar, porque tenho amizade real com o “camarada coordenador” Pedro Correia.

E, por fim mas não menos importante. Ou até mesmo o mais importante:

  • não aceito comentários que incomodem a minha má disposição do dia.

E ninguém tem nada a ver com isso. Pois essa é a essência do bloguismo: cada bloguista detém império sobre os seus postais. E os visitantes que queiram exercer o seu direito ao renhanha que vão para os comentários dos jornais digitais. Ou bugiar…

(Fica assim tudo elencado. Aos próximos desnorteados que aqui se lamentem poderei orientá-los através da ligação a este postal.)

Séneca na Fábrica Lisboeta


jpt,

Cruzei a cidade até à Fábrica Lisboeta, um velho reduto fabril que há anos passou a arremedo de feira popular bon chic bon genre, aspiração que terá obrigado os “empreendedores” a estrangeirarem-lhe o nome.

Ali fui para assistir a uma conversa sobre um livro que tem sido (merecidamente) cumulado de elogios. Após a qual me sentei numa esplanada defronte à Ler Devagar, lendo devagar o livro que levara e bebericando uma caneca. Passou uma amiga e desafiou-me para jantar com um pequeno comité.

Agradado aprestei-me a isso. Pedi a conta – 5 euros pela tal caneca! Murmurei “da-sse” – or should I say, fuck!?, pois esse é linguajar adequado àquele amontoado de barracões que anuncia devotar-se a manter um “look & feel industrial”, espaço que sociólogos dizem “icónico” e “democratizador” pois dinamizador da “rede global de circulação de pessoas, ideias e capitais”, incentivado pelos decerto que ilustrados documentos Plano Diretor Municipal de 2012 e Estratégias para a Cultura da Cidade de Lisboa.

Enfim, paguei e juntei-me ao grupo comensal. Um quarteto da literatura, eles em animada conversa sobre temas e gentes – livros, poetas, os podcasts de agora… – que desconheço. É um ambiente que me é excêntrico, com alguma tendência para uma (para mim) além-realidade. Mas ali representado por gente sedimentada e desprovida do mero “name-dropping” (como aqui comprovo os anglicismos não me são tabu, malgré tout…) tão habitual no lisboetismo. Pois estes cultos e diligentes. Por isso tão agradável me foi o convívio, fruindo aquela diversidade de interesses e saberes.

De súbito um deles anunciou saber da iminente edição um livro com textos de Séneca sobre morte – notícia que eu decerto não ouviria se estando entre os meus. Retive, sorrindo para dentro. Pois essa morte anda frenética na minha vizinhança, tanto que venho dando conta do meu desconforto. E há muito que não leio Séneca…

Regresso a casa, da estante retiro o “Cartas a Lucílio”, passeio pelos sublinhados. Onde há já décadas assinalei os verdadeiros valores civilizacionais ali apostos, o real sagrado da vida que estes supersticiosos ultra-católicos de agora ainda tanto combatem: “Um homem corajoso e sábio não deverá fugir da vida, mas sim sair dela; acima de tudo importa evitar uma paixão que tem assaltado muita gente: a paixão pela morte (…) muitos são (os) que através dos tempos têm demonstrado desprezo pela morte (…) nós não devemos recear a morte, como a ela devemos o termo dos nossos receios!” “Ninguém pode obter uma vida segura se continuamente pensar em prolongá-la, se considerar entre os bens mais preciosos um grande número de anos”.

Há uma ano deixei o postal “Eutanásia”, usando um filme do insuspeito John Wayne para referir a inércia cultural portuguesa sobre a matéria, agora até com uma lei deixada em processo de infundice. Neste mês em França – país cuja cultura antes nos foi tão influente – foi aprovada a lei da eutanásia. O que por cá foi ignorado, enquanto todos se animam a discutir … o atrelado do ministro, as notas dos putos charilas e os dislates de Trump… charilas. E, mais ainda, as contratações dos clubes de futebol…

E, entretanto, também reparo noutro sublinhado, algo que Séneca escreveu em meados do século I: “verificarás que a ira dos escravos não fez menor número de vítimas que a dos reis!”. Como dois mil anos de “activismo” vieram provar.

Enfim, ainda bem que fui à Fábrica de Lisboa. E que fui convidado para jantar.

(Este é uma parte da “gazeta” que deixo no meu “O Pimentel“, esta tendo levado o título “Um bimbo em Belém etc.”)

Racismo em Lisboa


jpt,

Calema é um duo musical – ouço-o agora, com algum fastio, pela primeira vez enquanto escrevo este postal – constituído por irmãos. A informação digital di-los santomenses e também com ascendência cabo-verdiana e portuguesa – aliás, esta última surge até um pouco implícita, pois um dos irmãos levou o nome de Fradique Mendes Ferreira…

Os Calema são cá imigrantes há cerca de duas décadas. Têm presença constante na televisão, e presumo que noutros órgãos de comunicação social. E vêm conseguindo um enorme sucesso popular – deles ouvi falar pela primeira vez quando no passado fizeram um espectáculo no Estádio da Luz com 55 mil espectadores.

É evidente que não irei aqui afiançar que os dois irmãos santomenses nunca terão sofrido, no nosso país, do desagrado alheio, oriundo de estuporados preconceitos raciais pois “que las hay las hay”… Mas aqui vivem há duas décadas, obtêm sucesso profissional e, espero, realização pessoal.

E também sei que há meios profissionais, em particular artísticos, onde essas cretinas barreiras raciais vão sendo menos presentes. O desporto é uma delas. A música é, desde há muito, uma outra. Há dias reli um delicioso livro Carl Israel Ruders, Viagem em Portugal 1798-1802, no qual esse capelão da legação sueca deixa um belo retrato da época. Também ele homem do seu tempo, nada atreito aos negros [“ninguém é capaz de imaginar coisa mais horrenda que o contraste dos cabelos brancos sobre um rosto negro”], deixou algumas notas sobre os que ia encontrando, com algum desconforto, no nosso país.

Entre os quais… músicos: “à noite, depois do escuro, queimaram-se barricas de alcatrão, ao longo da praia de Setúbal, em honra de São Pedro, cuja solenidade se celebra no dia seguinte. Lançaram-se, também, foguetes e buscapés e nas varandas de muitas casas havia pequenos fogos de artifício. Os numerosos negros aqui residentes passam o dia em grupos diante das casas, dançando as suas danças características, que, sem serem bonitas, são, contudo, curiosas. Essas danças executam-se com o acompanhamento de uma música nacional muito feia. Com elas os negros realizam o duplo fim de mostrarem sua devoção e ganhar algum dinheiro.” (p. 59).

Talvez eu seja ingénuo, mas quero crer que os nossos valores predominantes não são já os do final de XVIII. E também presumo que aceitação dos negros na “Europa musical” se tenha sedimentado antes – e mais – do que noutras expressões profissionais devido à influência do jazz, como mostra o José Navarro de Andrade no seu belíssimo livro “Toque de Jazz”, que muito recomendo aos veraneantes… Ainda assim julgo que os “negros” – as pessoas insistem nesta categorização não só vetusta mas também radicalmente imbecil – não continuam por cá algemados à maldição de Cam.

O que implicará que, por implícitos obstáculos e explícitos malquereres que subsistam, haverá alguma abertura para a sua participação em actividades profissionais, e falo em particular das ligadas às expressões artísticas e intelectuais.

Há tempos passou-me pela frente uma edição da popular revista “Time Out”. Nela consta a divulgação laudatória de um editora exclusivamente dedicada aos negros, cuidadosamente ditos “pessoas negras” não fossem outros duvidar da “pessoalidade”.

Trata-se de uma empresa subordinada a uma ideologia exclusivista assente em critérios raciais – ainda que possam recorrer a serviços técnicos de “pessoas não negras” apenas publicam textos escritos e traduzidos por “pessoas negras”. E isto é aceite, divulgado e até louvado!

Entretanto, informa a empenhada responsável, anunciada como especialista em “leitura sensível” de português, ter produzido um “guia de estilo”, indexando os termos que a literatura (original ou traduzida) deve evitar. E através do qual também defende – publicamente – a racista regra da “one-drop”. Pois o tal “guia de estilo” “inclui termos a evitar, como a palavra “índio”, que deve ser substituída por “indígena”, “povos originários” ou “nativos”, ou “mulato”, “uma palavra extremamente ofensiva. Oferecemos como alternativa pessoa de ascendência mista, mestiça ou mesmo só pessoa negra” – ler bem este trecho, sff, que aqui está a maldita regra “one-drop” escarrapachada…

E tudo isto, ao que afiança, se deve a que Portugal “ainda tem muitas feridas abertas causadas pelo colonialismo e que, enquanto nação, nos recusamos a tratar e muitas vezes até a abordar”.

Ou seja, os Calema podem juntar-se à Catarina Furtado no horário nobre televisivo e encherem o estádio da Luz. Mas, pelos vistos, os escritores – ficcionistas, poetas, ensaístas – estão desconsiderados, tal e qual os acantonados e miseráveis negros músicos de Setúbal, tocando a sua “música nacional muito feia”. Em 1799.

E há gente que aplaude esta via, “intelectual” e “empresarial”. Que é puro racismo! É evidente que o apreço por esta miséria moral e intelectual é mero paternalismo. Essa doença senil do racismo.

(Este é uma parte da “gazeta” que deixo no meu “O Pimentel“, esta tendo levado o título “Um bimbo em Belém etc.”)

Apologia da mira técnica


jpt,

No final de uma manhã do mês passado recebi em casa a notícia da inesperada morte de um velho amigo. Acabrunhado fui até ao café das redondezas, na senda do abraço com alguns amigos comuns que por lá estivessem…

A ninguém encontrei. Fiquei ao balcão, de imperial na mão, em silêncio a resmungar a vida que segue tão preenchida pelas constantes mortes dos próximos (”habitua-te!”, dizem-me, como se isso valha para algo…). Na televisão (re)começou um noticioso. Notei a locutora, que abomino, aquela da longa cabeleira loura. O rodapé (que os grunhos chamam “oráculo”) indicava que a notícia tratava do julgamento do assassino de Henry Nowak, o rapaz inglês que no seu estertor gemeu “não consigo respirar”, colhendo a indiferença dos polícias que o rodeavam, preocupados com o queixume do seu verdugo, que invocava ter sofrido uma qualquer “microagressão” racista da sua vítima.

Ainda mais amargo do que me é costume murmurei mudo para a da cabeleira loura lá no ecrã: “não choras agora?, p… de m…”. Explico-me, esta é aquela que há seis anos incrementou a sua popularidade (os do “oráculo” chamam-lhe “ratings”) por ter chorado ao noticiar a morte do norte-americano Floyd, que gemeu “não consigo respirar” sob o inclemente joelho do polícia que o imobilizara durante sete minutos.

Como então escrevi, surpreendeu-me que a sensível da cabeleira loura não tivesse também chorado ao anunciar a morte, nessa mesma época, de Ihor Homeniuk, aquele ucraniano assassinado pela polícia fronteiriça portuguesa, após horas de sevícias em pleno aeroporto da Portela – ao qual agora alguns dão o nome do germanófilo, e ex-candidato a “generalíssimo” português, Delgado. Também me surpreendera – até porque a da cabeleira loura é oriunda da Ilha, assim porventura mais atenta às “minudências” de Moçambique – que não tivesse chorado devido à morte do moçambicano Abdul Razac. Assassinado nessa mesma época pela polícia da Beira, após horas de sevícias sofridas num esquadra policial, para a qual fora arrastado devido a ter protestado uma acção de alguns agentes: decorria um confinamento devido ao Covid, os polícias interromperam um jogo de futebol de rua, dispersaram a rapaziada, confiscaram a bola. E puseram-se a jogar, o que conduziu Razac ao (imprudente) protesto que lhe custou a vida.

Ontem, entre tantas evocações de Luís Represas (até a minha), no FB notei várias referências a um assassinato em Xinavane, no sul de Moçambique. Os filmes visíveis são brutais – e por isso não os “partilho” (quem tiver curiosidade, até mórbida, bastar-lhe-é fazer a busca “Xinavane” e logo encontrará). Uma grande operação policial, com imensos agentes que circundaram um restaurante onde estava um procurado criminoso (dito raptor, violador e homicida). Alguns agentes entraram na sala, quatro ou cinco apanharam-no e de imediato ele foi abatido com vários tiros, os polícias sairam deixando o cadáver, seu sangue esvaindo-se. Tudo isto filmado pelos telemóveis da clientela, tamanha a sensação de impunidade que os agentes policiais têm – a qual, como é óbvio, advém da prática comum.

Não vou elaborar sobre o que um episódio destes pode indiciar sobre a realidade moçambicana. Já o escrevi, deixei de perorar sobre a actualidade daquele país – nada ganho com isso e não tenho paciência para aturar os fascistas austrais que me vinham chatear sobre o assunto.

Mas é assunto do meu país que a televisiva cabeleira loura não venha chorar ao acompanhar a transmissão daqueles breves filmes, decertos apetitosos “Alerta …” para animar as “notícias”. Pois para esta gente, das cabeleiras louras aos calvos, tudo o que não corresponda ao molde “branco supremacista” (gringo) vs “racializado negro” (gringo) não convoca choraminguices.

Que se lixe Xinavane”!, dizem. E rematam, tão progressistas e solidários se dizem, pensando “é entre “eles””!

De facto, mais vale a mira técnica do que esta gente.

Outro Assunto

Ontem deixei este postal sobre a polémica relativa ao “Odisseia” de Nolan, devida ao realizador ter escolhido uma actriz negra para representar o arquétipo Helena de Tróia. Lá me explico nisto de considerar isso perfeitamente normal, mais do que aceitável – até podiam ser todos negros, qual o problema? Pois não só Helena de Tróia não existiu como (qualquer) representação não exige similitudes de aparência de um realismo mimético (”Ran” de Kurosawa é o “Rei Lear” de Shakespeare e a rapaziada pró-CHEGA não anda para aí aos gritos com isso). Ou seja, Nolan tem toda a legitimidade para escolher participantes para o filme que não correspondam à tradicional imagem que temos sobre a Antiguidade Clássica, Helénica. E os protestos não têm cabimento.

Um amigo meu leu o postal. E logo me enviou um curioso texto. O qual apresenta um facto interessante sobre o filme. O cão escolhido para representar Argos, o fiel companheiro de Ulisses, aquele que reconhece o envelhecido globe-trotter aquando este aporta a Ítaca, é um podengo português. Escolhido porque esta raça (sim, para os cães “raça” é um conceito com substância real, diferentemente do que acontece sobre os homens, no qual não tem qualquer fundamentação biológica. Nem cultural..) já existia na Antiguidade homérica e naquela região.

Atente-se bem no paradoxo: para representar os cães há um cuidadoso cuidado “realista”. Mas para os homens até se faz gala em recusá-lo. Mais depressa se apanha um mariola demagogo do que um portador de deficiência crural…

O nosso jornalismo


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Às vezes critica-se a imprensa com excessiva rudeza, esquecem-se as limitações existentes, de recursos humanos e financeiros, e também aquilo de trabalhar sob a pressão do urgente, imediato até… E também a necessidade de captar atenção, associar-se aos interesses da clientela.

Ainda assim – e mesmo sendo sportinguista -, caramba! A final do Mundial foi ontem (já agora, e porque falei em clientela: o Porro dos sportinguistas lá esteve, o Otamendi dos benfiquistas também…). E o diário desportivo “Record” dá o enorme destaque ao… Zalazar, no lado está um bocado de Schjelderup e uma pitada para os andrades.

E em nota de rodapé lá está, acabou o Mundial.

Isto não tem ponta por onde se lhe pegue. Depois lamuriam-se que a tal clientela não lê jornais.

Rescaldo do Mundial


jpt,

Deve ser isto aquela coisa da idade, andar de tal forma no regime do deitar cedo e cedíssimo erguer que se adormece sem ver a final do Mundial. Acordei, estremunhado vi o golo espanhol, lá aguentei até ao final. E pronto. Vira todas as finais desde o Alemanha-Holanda de 1974. Fiquei agora com o registo incompleto.

Isto também devido ao meu desinteresse real, afinal. Pouco acompanhei o Mundial, até os jogos portugueses: adormecera no contra o Colômbia, não vi o com a Croácia. Mergulhado noutros afazeres – que me levaram ao tal horário “das galinhas” – mas muito pela falta de “fé”. E não me lembro de quase nenhum dos outros jogos, restringi-me a alguns resumos. Vi os de Cabo Verde e o Argentina-Inglaterra, claro – nas “redes” vou lendo alguns invectivando Messi, uma coisa absurda para quem goste de futebol: mesmo para quem cresceu a ver Sepp Maier, Cruyff, Keegan, Platini, Maradona, e amadureceu com holandeses, Zidane, os vários Ronaldos e os espanhóis do Barcelona cruyffiano, nunca houve génio continuado como Messi… Há quem resmungue que a Argentina “mete o pé”, ríspido. Sim, é futebol.

Quanto ao resto, ainda mais do que a Alemanha (Ocidental) regeu em décadas passadas, a Espanha é o futebol de XXI. Não tenho a noção do que esta Espanha 26 joga – vi-a no jogo com Cabo Verde, tornando-se pobre, e com Portugal, tornada curta. Mas dizem-na a melhor, para além de campeã.

Ou seja, a nossa selecção – apesar de jogar pouco (devíamos introduzir a palavra “demenia” em homenagem à Federação Portuguesa de Futebol) – foi eliminada pelos melhores do mundo, com um golo mesmo no final. É futebol.

E isso faz-me lembrar outras eliminações face à Espanha. Em 2010, com um golo alheio que hoje teria sido anulado, em 2012 por desempate a penalties. Com plantéis mais fracos e diante de uma Espanha lendária… Eram tempos em que para a “equipa de todos nós” se seleccionavam os melhores… treinadores. Depois, após Paulo Bento, a corporativa FPF escolhe os treinadores que … dão jeito, não “levantam ondas”. (E não me falem de 2016, um troféu que caiu do céu para uma equipa mesmo medíocre, pior de que esta última). Nisso se foram desperdiçando levas de belíssimos jogadores.

Enfim, meu rescaldo deste Mundial 26 que mal acompanhei? Pior jogador: o nosso Pedro Proença. Melhor jogador? Messi, claro. Melhor equipa? Cabo Verde, e seu Vozinha, a “alegria do povo” (mundial).

Melhor jogada? Felipe Borbón a erguer a taça, depois do morcão (finalmente) sair de palco…

Livros para o lixo


jpt,

Um amigo olivalense enviou-me ontem – dia da tomada da Bastilha, putativa celebração do velho Iluminismo – esta fotografia com a legenda: “mesmo ao pé da Gulbenkian”. Caixotes pejados de livros e revistas no centro de Lisboa…

Dizem-me que cá no bairro dos Olivais também isso ocorria de vez em quando, junto à biblioteca local – presumo que pessoas deixem lá os seus indesejados livros, convictas de que instituição tenha a obrigação de os cuidar…

Não se trata de sacralizar a livralhada. Mas, caramba, deitá-la assim fora? Sem dar hipótese a hipotéticos interessados?

Como venho referindo – ainda há dias repeti a demonstração, no item “A vida é feita de pequenos nadas” – nós cá nos Olivais desde há já mais de um mês temos o Evaldo, na sua barraca na Cidade de Bissau (junto ao metro), a animar uma dádiva de livros. Não os deitem fora, passem por lá. Nem sequer é uma troca de livros, leva-se os que se quiserem, deixa-se o que se entender. E enquanto se  folheia na esplanada pode-se aproveitar para beber uma cerveja gelada, um qualquer refresco, comer um petisco.

Pois o “Iluminismo” exilou-se nos Olivais. A barbárie está lá na Avenida de Berna. E não só.

O Bloco


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O “major” (de facto coronel) Tomé e 59 dos seus correligionários anunciaram o fim do Bloco deles. A federação de grupelhos vai-se esvaindo. Bastante influenciou a “lisboa” durante primeiro quartel do século, um anacronismo que deixou marcas. Culturais, na flanante altivez antidemocrática (quem andou na velha “blogosfera” lembrar-se-á) . Políticas, no culto identitário, uma retórica que lhe foi apropriada para promover a legislação destinada à introdução de vagas de mão-de-obra subremunerada, num “compromisso histórico” com a burguesia nacional mais conservadora.

O coronel interrogar-se-á agora “o que é que eu vou fazer fora do Bloco?“. Com as suas idiossincrasias Mário Tomé tem um passado cheio. Respeitável o suficiente para não se lhe responder com azedume.

O Brasil no Mundial 2026


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Há uns meses o cidadão brasileiro Vinícius veio trabalhar a Lisboa. Aqui descrevi o momento, agora resumo-o. Tendo alcançado sucesso, comemorou publicamente de uma forma gestual que na cultura do seu país, na do país onde trabalha e na do nosso país, significa a sodomização imposta. Dedicada aos meus familiares, amigos, vizinhos e compatriotas de sensibilidade benfiquista. Depois arranjou uma polémica autojusticativa.

Agora, representando a selecção de futebol do país que idolatra tamanho energúmeno, foi surpreendentemente eliminado no torneio mais apetecido… Educadamente clamo “na pá.., fdp.!“, consabida forma matizada de me rir e responder à letra. E a todos os seus miseráveis admiradores.

Os 900 anos de Portugal


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Pode ser uma imagem de texto que diz "SOCIEDADE PAULO PORTAS SERÁ COMISSÁRIO-GERAL DAS COMEMORAÇÕES DOS 900 ANOS DA FUNDAÇÃO DE PORTUGAL ANUNCIOU O PRIMEIRO-MINISTRO LUÍS MONTENEGRO"

(Quase) Todos os mais-velhos têm tendência para resmungarem que no “seu tempo” é que era bom, que as coisas vão para pior, etc… Não há qualquer razão para que eu seja diferente. E explico porque sinto este ambiente degenerado.
Quando eu estava nos vintes preparou-se em Portugal o ciclo comemorativo dos 500 anos dos Descobrimentos. Para dirigir essa tarefa (identitária) o então primeiro-ministro escolheu Vasco da Graça Moura, um grande “Homem de Cultura” (como é habitual dizer) e que soube cumprir com excelência. Depois, o novo primeiro-ministro Guterres substitui-o por António Manuel Hespanha, um grande historiador, que inflectiu um pouco o pendor das acções comemorativas, realizando um mandato magnífico.
Décadas passaram. Aproximando-se o cinquentenário da data fundacional do regime, para dirigir as devidas comemorações o primeiro-ministro Costa convidou Adão e Silva, renomado… publicista socratista. O mandato era longo, os meios disponíveis vastos. Todos podemos opinar sobre o que foi feito.
Entretanto Costa fez ascender esse Adão e Silva a ministro da Cultura. Face aos 500 anos de nascimento de Camões – também momento identitário pois há dois séculos anos que Camões vem sendo dito “poeta nacional” – Adão e Silva… esqueceu-se de nomear a comissão comemorativa, fazendo-o in extremis já sob a pressão da imprensa.
Agora apresta-se o país para celebrar os 900 anos da invenção de Portugal. Para isso dirigir o primeiro-ministro Montenegro escolhe Paulo Portas. Antigo activo jornalista – a minha geração lembra-se como ele nada apoiou a introdução de medicamentos genéricos no país, por exemplo. Antigo irrevogável ministro. Actual ágil comentador televisivo, muito competente docente de relações internacionais e, consta que excelente, intermediário de negócios.
Por estar eu velhote, já nos 62 anos, tudo isto me parece mesmo a tal degenerescência.

O Prémio Camões 2026


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File:Prémio Camões logo.png - Wikimedia Commons

Ontem foi atribuído a Lídia Jorge o Camões 2026 . Sorri! Pois se o Prémio é consagrador de carreiras literárias é também político. Ou melhor, é ideológico!

Desde logo, pois instaurado para afirmar uma ideológica – que se quer política – “comunidade lusófona”, um velho anseio salazarista. E também pelos seus procedimentos. Não só pela instituída, mesmo se dita apenas implícita, rotatividade nacional dos premiados, assim subordinando os méritos literários às nacionalidades dos escritores – anualmente alternando entre portugueses e brasileiros, de vez em quando a um “africano” e quando o rei fizer anos a um asiático… E pela constituição internacional dos júris que seleccionam os galardoados – postulando uma equidade entre campos académicos julgadores, a qual intenta simular uma igualdade da densidade dos ambientes intelectuais dos vários países.

E também o é, ideológico, por vezes com descaro, pelos critérios de premiação. Para disso exemplo recordo que aquando da sua atribuição a Chiziane tamanha foi a minha surpresa – pelas características literárias da sua obra mas também, secundariamente, pela excentricidade das perspectivas metafísicas da autora (as quais, e isso é bem significativo, não são publicadas em Portugal) – que fui ler a justificação do júri. E lá estava, explicitado até de modo cândido, o que eu antevira: a obra fora considerada premiável por ser alvo de muita investigação académica! Entenda-se, a premiação literária radicara no excêntrico factor das características identitárias apostas à autora serem atractivas para alguns meios universitários brasileiros, mais atreitos a temas como a “consciência africana” ou a visões simplistas do “género”.

Enfim, dado tudo isto desde há muito que pouco ligo ao Prémio Camões. Aliás, de facto, deixei de o considerar quando morreu o grande Ruy Duarte de Carvalho sem que lhe tivesse sido outorgado, ele autor de obra plural e gigante, mais relevante do que o rosário de premiados daquela época.

Ainda assim nesta madrugada atentei no prémio dado a Lídia Jorge. Não sou especialista de literatura – nem sou grande leitor de ficção contemporânea. Portanto nada adianto sobre os méritos literários da escritora. Mas devido à evidente dimensão ideológica do Prémio Camões reflicto sobre a pertinência desta atribuição, exactamente neste ano.

A maior honraria que o Estado pode conceder a um intelectual é atribuir-lhe o estatuto de orador no Dia Nacional, o 10 de Junho. Momento no qual se espera que divulgue ele junto da sociedade um diagnóstico, um “estado da arte” nacional, e até um rumo desejado, pistas de reflexão que sejam. Em 2025 Lídia Jorge foi convidada para essa tarefa. Proferiu um discurso lamentável – abordei-o aqui. A pretexto de causas benfazejas patenteou uma atrevida ignorância, demagógica até, desde o perorar inanidades raciológicas, tipo o patético “somos todos mulatos”, até desembainhar as culpas históricas e uma malvadez ontológica nacionais. E descendo à desonestidade, na verdadeira fraude de truncar o Zurara de que se socorrera para ilustrar os dislates proferidos.

Claro que o discurso foi bem recebido pela “imprensa de referência”. Numa disparatada entrevista à televisiva Davim, fértil em elogios à decana escritora, Lídia Jorge continuou a sua pose de sábia faroleira, espantando-se das reacções adversas ao seu discurso, “escrito em dois dias” e para o qual “li dois livros”, como se atreveu a gabar-se.

Entretanto fora ao Brasil, a uma Feira do Livro, afirmar que em Portugal fervilha um projecto colonial. Nenhum “jornalismo de referência” ou académico dos “estudos literários” ou “culturais” indagou quais são essas actuais (ressurgidas ou inovadoras) dinâmicas políticas, económicas, até diplomáticas, mesmo culturais, que encarnam ou divulgam o tal “projecto colonial” português nesta década. Mas decerto que em alguns “campos” intelectuais e campi brasileiros muitos gostaram da atoarda falsária.

Finalmente, para acabar o seu bem sucedido 2025, a escritora Lídia Jorge associou-se à campanha de recuperação de Boaventura Sousa Santos, o “abissal” vulto de alguma “esquerda” alterglobalista, um acto inqualificável.

Todos estes meneios ideológicos, todas estas atitudes, são remuneradas. Como corolário desta fiada de indecências, há meses a decana recebeu o Prémio Pessoa. E agora o Camões. Ou seja, as instituições, neste mesmo imediato ano, a aprestarem-se a sufragar e consagrar a demagogia. E a vilania.

Coitados dos Pangolins


jpt,

O António Cabrita acaba de publicar uma ficção, romance-sátira sobre Moçambique, assim o disse (e fez). Lá compareci no “lançamento”, ao abraço devido. Depois li. Entretanto um amigo moçambicano pediu-me para lhe enviar um exemplar, comprei-o. Nas delongas para encontrar um portador para Maputo acabei por o dar a alguém interessado.

Agora a Lisboa chegou alguém disponível para lhe levar o livro. Acorri à livraria vizinha, de “cadeia” renomada. Aporto ao balcão para perguntar ao livreiro se o tem disponível. Mas dá-me uma “branca”, esqueço-me do título… Resta-me perguntar-lhe se “têm um livro de António Cabrita cujo título é qualquer coisa com pangolins“, informação que será suficiente para a pesquisa – o título é “Da Santidade na Perspectiva dos Pangolins”. Pressuroso e simpático o trabalhador (agora dito “colaborador”) investiga o assunto nos meandros da rede digital da sua afamada – e secular – “cadeia” empregadora.

E lamenta-se, “não temos nada desse autor” – o Cabrita tem vinte e tal livros publicados, já agora. E culmina, em cúmulo de solicitude, “é um cozinheiro?“… Agradeço-lhe, deixo-lhe o “boa noite” devido. E saio gemendo, até aflito: “coitados dos pangolins…

Caracóis


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Sento-me na esplanada, aguardo a minha mais querida conviva comensal. Peço a imperial e recomeço a leitura do breve Cela que trouxe. Na mesa ao lado, a quatro braçadas de mim, um casal de quarentões, ela feia de nascença, peluda e veienta também, ele dessa condição adquirida tal como o ventre que o acompanha. Diante deles vigora a travessa dos abomináveis caracóis, aparentando-se intermináveis. Ela sorve-os, sôfrega na sua irremediável feiura. Ele chupa-os, nisso tonitruante. Tento fulminá-lo com olhares, mas ele a isso está blindado pela gula.

Afinal acabam-se-lhes os petiscos. Grunhem, guturais, e chega-lhes à mesa uma dose de feijoada, o odor da molhanga escorre, eles deglutem, apaixonados.

Eu desespero..

Cabo Verde (e o Brasil) no Mundial


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Como anunciara, ontem foi dia de Tubarões Azuis. Grande resultado na estreia contra Espanha, campeã europeia. Ficou símbolo o guarda-redes Vozinha. Um “Vozeirão”, disse-o aquando do apito final! Mas depois – e sem com isso o apoucar, bem pelo contrário – sopesei bem isto da produção simbólica. Como justificar que o maciço Golias não esmague o arquipelágico David? Pelo heroísmo de um herói, tornado lendário. Mas, de facto, Vozinha não foi heróico, apenas competente. Na meia dúzia de defesas, duas ou três difíceis (até espectaculares). Mas nada sobre-humano. Fica símbolo de uma outra realidade: um conjunto de profissionais relativamente modestos muito bem organizados que jogaram com enorme competência contra um grupo  de celebridades. Nada de sobrenatural!

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Mas, claro, a alegria da “bola” é esta, os nada-favoritos cobrirem-se de glória. Até o generalista “The Guardian” coloca o símbolo Vozinha na capa! De ontem para hoje este ganhou 6 milhões de adeptos (eu um deles) na rede Instagram! Mas a verdadeira coroa de louros? O espanhol Rodri, cabecilha do milionário Manchester City, Bola de Ouro 2024, a choramingar que Cabo Verde só se defendeu!!!! Grande Vozinha, grandes Tubarões Azuis…

E O BRASIL

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O Brasil não entrou mal, pois Marrocos é uma grande equipa, subvalorizada pela distracção eurocentrada. Mas o empate foi mal recebido pelos torcedores brasileiros, menos fanáticos do que irrealistas, sempre julgando as suas selecções melhores do que o são. Vi algures um qualquer “comentador” gritando que “a selecção de Brasil é como a selecção de Moçambique”, e repetia a invectiva… Mas o relevante é este excerto, delicioso, que apanhei: 

A propósito do Mundial e da campanha brasileira, uma entrevista recente de Rivelino (para os mais novos, Rivelino foi um enorme médio, titular na equipa-maravilha campeã mundial em 1970, herdeiro da camisola 10 de Pelé em 1974 e era o ídolo de juventude de Maradona).

Repórter: “Rivelino …tu tens assistido aos jogos da Selecção? “
Rivelino: “tentei …mas só vi uns dez minutos e desliguei a TV.”
Repórter: “Rivelino, se aquela Selecção da Copa de 70 jogasse contra a atual, quanto seria o placar?”
Rivelino: “Seria 1 X 0 pra nós…ou 2 x1 …por aí.”
Repórter: “Mas só isto?”
Rivelino: “Você tem que ver o seguinte – Pelé já morreu e nós estamos com mais de oitenta anos.”

(A imagem é a do cromo da minha colecção do Mundial de 1974)

Dia dos Tubarões Azuis


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Mesmo detestando eu a mediocridade poluente da ladainha “lusofonia” (que ambiciona ser muito mais do que a mera descrição de “falantes de português”), há tempos deixei aqui uma crónica sobre o “internacionalismo lusófono” futebolístico – evocando um caso de entusiástica (e então até surpreendente) adesão austral à nossa selecção nacional…

 

Recordo o texto pois hoje é a minha vez de “internacionalista”. Estou completamente por Cabo Verde, neste dia da sua estreia no Mundial de futebol. E logo contra os “nuestros hermanos”, esses Cains dos quais nunca será de esperar “nem bom vento, nem bom … cruzamento”.

 

E, desprovido que estou de cachecol dos “Tubarões Azuis” que me acompanhe ao sofá, hoje neste estarei ombreando com esta garrafa de “Tropicana”, grogue do arquipélago que casal de bons amigos acabou de ofertar no seu regresso de férias por lá passadas – junto fotografia comprovativa:

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A Feira do Livro nos Olivais


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(Banca de livros ofertados no “Evaldo”, entre a Rua Cidade de Bissau e a Rua Cidade de Bolama)

Os velhos cafés e restaurantes de bairro, tais como as consagradas tascas, estão a desaparecer. As razões são várias. Pelo lado da “procura” – a clientela – a mudança de hábitos é evidente, com as gentes fechando-se nas casas, abandonando as contas da rede social “vizinhança”, optando pelas grátis nas digitais e – no caso dos mais-velhos – pela infinitude de canais televisivos.

E também pelo lado da “oferta” – dos proprietários – não haverá muitas dúvidas sobre a causa desta extinção. Pois arrendar um espaço – vão de escada com postigo que seja – tornou-se empresa arrojada, até inconsciente. Mas do que isso, alteraram-se as expectativas de vida. E assim se esvaiu aquele antigo modelo do casal beirão, minhoto ou mesmo até galego, a aportar à cidade grande para dedicar a vida conjugal, de breu a breu, ao incessante e exaustivo labor de servir petiscos, “bicas” ou “penaltis” aos outros. Socorrendo-se, logo que o negócio melhorasse um pouco que fosse, de algum marçano oriundo da velha aldeia a quem mandavam “carta de chamada” oficiosa. Isso enquanto não lhes medrava a prole, esta logo que púbere posta a “ajudar”.

Nada contra isto, é uma vertente da melhoria do “Índice do Desenvolvimento Humano”. Mas este enriquecimento global trouxe também o empobrecimento local. Pois assim escasseiam, mesmo inexistem, os locais de convívio vicinal, de entreajuda moral (e não só), aqueles “centros de dia” para mais idosos ou “vespertinos” para os ariscos, tutelados pelo “amigo Quaresma” ou “Sô Claudino”, coadjuvado pela “Alice” ou “Dona Maria”. Cada um com a sua tabela de “não fiados”, tempero próprio e onde o cliente é não só alguém (o “Teixeira” ou o “Zezé” no meu caso) como encontra o habitual ror de alguéns que aprova e até demanda.

Tudo isso vem sendo substituído, esvaziando a vida cidadã. Na década de 1980 o aperto do FMI causara aquela epidemia de croissanterias às mãos das desgentrificadas da classe média remediada. Agora algumas das suas descendentes “bruncharam-se”, meneiam-se em “bistrôs” ou proselitam vegetais. E grassam as sensaboronas “cadeias”, desde a anódina lusa “Padaria Portuguesa” e suas tristes sequelas até aos evidentes investimentos em plataformas para obtenção de vistos de residência europeia, nos quais rotativos “colaboradores” servem plasticinas ditas “latte”, “kebab”, “pita shoarma” e quejandas agressões.

Face a este (cada vez mais) antipático ambiente, aqui no bairro Olivais houve recentes inovações, benfazejas. Pois foram concessionadas licenças para “barracas”, modestos estabelecimentos amovíveis que os donos trazem. E nos quais se esfalfam a trabalhar…

Na minha vizinhança, nas cercanias do pólo Centro Comercial, entre as “bocas” do metropolitano, a igreja velha, a Biblioteca e a célebre Quinta Pedagógica, estabeleceram-se duas dessas, mesmo no entroncamento da Bissau com a Bolama. Geridas por casais imigrantes brasileiros, já portugueses dadas as décadas que acumulam por cá. Modelos de verdadeiro “empreendedorismo”, essa moda ideológica reformista, de honesto “trabalho” popular, esse mais anterior valor revolucionário.

O gentil Silva, e a sua Rosângela, cumprem servindo bons pastelinhos lá na barraca amarela mesmo à saída do metropolitano – não será o “Bar Vesúvio” da Gabriela mas os veteranos vizinhos palitam os dentes e sorriem dizendo-o “Sítio do Pica-Pau Amarelo”. E voltam no dia seguinte.

Um pouco acima está a barraca de listas azul-e-branco, qual malvado F. C. Porto, e que tanto me faz lembrar as concessionadas barracas de praia (essas que agora tanta polémica causam) de “meu” São Martinho do Porto. Eu e alguns amigos dela fizemos o nosso poiso, e muitos outros vizinhos o têm feito. É o local do Evaldo, um já lusobrasileiro muito boa onda – nada daquela simpatia plástica que tantos brasileiros afixam (“isso é coisa de carioca” outros me afiançam). Pois uma gentileza mesmo, de vero sorriso afivelado na sua labuta constante.

À barraca do Evaldo chamámos entre-nós o “Leblon” (“vamos ao Leblon”, desafiamo-nos, “leblonas?” telefonamo-nos). Ali se bebe o copo vespertino, no rescaldo do dia. Comem-se uns belos hamburgueres (sim, hamburgueres, pois aqui não há ponta de xenofobia comensal) e alguns canapés, produtos preparados em casa pela D. Eugénia, sua mulher.

O casal está cá há mais de vinte anos, numa dura labuta na “restauração” (como agora se chama a esta actividade). E soube, aqui em plena rua dos Olivais, criar um “sítio”. Um espaço como aqueles que décadas atrás existiam aqui no bairro, resguardados nas “lojas” dos prédios, mas que foram mirrando e, depois, desaparecendo. Ou seja, o “Evaldo” (o nosso “Leblon”) faz “bairro”, faz “Olivais”.

E nesse registo de vizinhança, de (quase) “comunidade”, neste entre-feriados soalheiros brotou uma mostra disso, desta comunhão. Pois ali se instaurou uma Feira do Livro. Alguns clientes levam livros para oferecer, outros clientes e os passantes são convocados pelo dono, este usando uma maravilhosa expressão, o “gosta de ler livros?” – que logo me fez brotar saudades ao lembrar a forma “horas de tempo” moçambicana. E quem gosta vasculha o que lá está nesse dia, pois a oferta sempre muda, e leva o que lhe interessar. Outros animam-se e regressam com dádivas num simpático “boa ideia!”. E vai-se bebericando, sendo vizinho.

Fazendo Olivais. Aparece por lá! Apareça por lá. Com uns livros para dar. Ou em busca de um qualquer livro… Sendo vizinho.

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(Postal antes colocado no meu “O Pimentel“)

De Quelimane a Nova Iorque


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De Quelimane

No passado sábado assaltantes invadiram a residência oficial (“Paço Episcopal”) do bispado de Quelimane e assassinaram Osório Citora Afonso, ali bispo desde 2025 – o qual em Abril passado fora nomeado também administrador apostólico interino da Beira.

As notícias não ecoam quaisquer indícios de roubo. Entretanto chegam-me fotografias do seu cadáver, as quais me eximo de partilhar – e é denotativo do estado insecuritário que estas brutais imagens passem de imediato para o público. Tudo indica que o bispo foi, pura e simplesmente, executado com tiros de metralhadora, a simbólica AK-47, a qual também não é arma usual entre meros criminosos de delito comum.

É evidente o carácter extraordinário deste crime. Pois mesmo sendo recorrente o assassinato de clérigos católicos em diversos países, neste XXI há apenas notícia de outros quatro assassinatos de bispos: O’Connell, bispo auxiliar de Los Angeles, abatido em 2023 por um indivíduo com problemas mentais; Padovese, morto em 2010 por motivos religiosos na Turquia pelo seu motorista; Courtney, núncio apostólico no Burundi, vítima de emboscada em 2003; e Cancino, morto em 2002 em Cali por iniciativa dos cartéis guerrilheiros.

Ou seja, este inusitado assassinato de um bispo católico é demonstrativo do estado geral em Moçambique, o de uma violência armada galopante que segue impune. A qual integra a perseguição aos oposicionistas políticos – como denuncia o partido Anamola, alertando para o assassinato de 57 dos seus membros durante o último ano. Sendo que é usual não serem encontrados os agentes e os mandantes desses crimes.

E, mais ainda, a prevalência do conflito no Cabo Delgado, já longo de quase uma década. No qual nestes últimos meses a “insurgência” islamita vem recrudescendo as acções, também muito incidindo sobre instalações e agentes cristãos. E dizer isto não é reduzir o conflito a uma “guerra de religiões” – como logo alguns “intelectuais” acorrem a criticar. É apenas constatar uma realidade.

Sendo assim surpreendente que a União Europeia tenha agora terminado o financiamento ao destacamento ruandês – que agora passou a provir de Maputo. O qual está na região para suster aquela guerrilha, dada a incapacidade patenteada durante anos pelas forças armadas moçambicanas para cumprir esse objectivo. Um caso de desatenção europeia, muito provavalmente provocada por excessivo seguidismo às sanções norte-americanas aos parceiros do Ruanda. E se há caso para se exigir autonomia face aos EUA é este! Pois há que matizar as políticas externas.

O bispo Afonso havia recentemente denunciado esse aumento da actividade da guerrilha islamita, e alertado e para a perseguição que (também) os membros do clero católico sofriam. E é dramaticamente exemplificativo que a sua última prelecção pública – nesta gravação – tenha sido na véspera da sua morte, uma ecuménica visita a uma mesquita em prol da pacífica convivência inter-religiosa.

Este lamentável assassinato mostra bem o estado da situação moçambicana, económica, política e militar. Só não a vê quem não quer.

 

A Nova Iorque

Há uns dias aqui coloquei o texto “Escravos nas Nações Unidas” no qual defendi a pertinência de uma recente abstenção portuguesa nas Nações Unidas durante a votação de uma proposta de cariz ideológico. Considerando que não é o momento para exarcebar conflitualidades, espúrias, que adviriam de um voto negativo.

Agora, dois meses depois, Portugal foi eleito pela quarta vez para um biénio como membro não-permanente no Conselho de Segurança da ONU – já ocupara o lugar em 1979-1980, 1997-1998, 2011-2012. E, ao invés das situações pretéritas, desta vez a eleição ocorreu logo na primeira ronda de votações. É um sucesso que traduz um bom trabalho da diplomacia portuguesa – uma actividade demasiado subvalorizada – e demonstra uma boa percepção internacional sobre os rumos do nosso país.

Ou seja, as coisas reais são assim – e é melhor dirimi-las com realismo do que entrar em frenesim diante dos radicalismos alheios, tantas vezes superficiais.

É certo que alguns tendem a invectivar que “a ONU é inútil”, “nada resolve” pois “não tem poder!”, “basta ver o estado do mundo”, muito por ser uma “confusão” – o pobre termo com o qual conseguem formular a percepção de pandemónico babélico que sobre a organização têm. É evidente que estas pobres, de irreflectidas, opiniões normalmente são emitidas pelos mais ferrenhos adeptos da “soberania nacional” – aqueles da “Europa das nações”, os mais reaccionários dos reaccionários -, como se esta sacra e quase infinita. Enquanto ao mesmo tempo criticam uma multilateral universal por “não mandar”, não lhes restringir bastante a tal “soberania”. De facto, no afã da contestação, há quem não perceba as contradições próprias.

O exercício deste lugar no Conselho de Segurança não atribui um “poder” mandante, fáctico. Mas permite alguma influência na administração das problemáticas em curso e no agendamento de questões internacionais que sejam mais relevantes para o interesse (não necessariamente interesseiro) nacional – sobre o exercício anterior (2011-2012) basta procurar o descritivo artigo “Portugal no Conselho de Segurança das Nações Unidas e a Importância das Questões de Direito Internacional Humanitário Face aos Conflitos” de Sónia Roque. Assim sendo, esta eleição é um dado positivo.

E não posso deixar de pensar isto: há seis anos louvei a excelente actuação do então eurodeputado Paulo Rangel face à inércia geral reinante sobre o Cabo Delgado. Fê-lo num bom artigo no “Público” em crítica ao nosso próprio governo de então. E numa bela intervenção no Parlamento Europeu – no qual encabeçou uma preciosa Resolução sobre o assunto.

Muito espero que o agora Ministro dos Negócios Estrangeiros Paulo Rangel, após ter capitaneado o esforço português para ascender ao Conselho de Segurança, possa promover as urgentíssimas matérias moçambicanas para o rol de preocupações prioritárias deste orgão máximo da ONU. Para a sua “agenda”, como sói dizer-se.

(Texto antes colocado no meu “O Pimentel“)

Ir à praia


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O devaneio banhista, o “ir à praia”, foi uma “conquista de Abril”. A democracia da generalização do real direito a férias e a rendimentos, mesmo se parcos, suficientes para andanças lúdicas. E para os “reaccionários” – os venturianos avessos à “bandalheira” – que torçam o nariz a esta constatação: lembro-me de naquela época PREC chegarem as camionetas com o povo das até redondezas, estremenho ou ribatejano, trazido a conhecer o mar – o enclausurado de São Martinho do Porto. Pois havia sido assim a vida, arredada e paroquial, durante o caquético Estado Novo. Isso fez do “ir à praia” um valor fundamental da pátria actual, o de “viver bem” – e muito antes deste país de agora, no qual só alguns “velhos do Restelo” protestam com os “fumos do turismo”.

Nada tenho contra esse Abril. E muito menos contra o mar ou o areal, bem pelo contrário. Mas não vou à praia, em especial na dita “época balnear”. Veto-me essas investidas por razões pessoais, apenas minhas. Pois nesses locais encontra-se gente, por vezes mesmo imensa. A qual, ainda por cima, ali aparenta estar feliz. E muita dela, e em dramático crescendo, é tatuada. Acorrer a esses dantescos micro-infernos? Jamais…

Por vezes vozes amigas insistem comigo, trinam-me os benefícios da “praia” à saúde, a robustez advinda da absorção de minerais e do crescendo de espontâneas vitaminas. Seduzem-me com a opção de, armado com livros, pelo menos ficar a “apanhar os ares” nos “bares da praia”. Mas nesses estão as mesmas moles (até tatuadas, repito-o), demoníacas. Ali encostadas (e sempre felizes!) a músicas altissonantes – pois a raça balnear teme o som do mar, decerto que por memória genética da história trágico-marítima.

Por isso apenas de longe acompanho a polémica popular neste início da Balnear 2026: pode-se acampar com o chapéu-de-sol diante das espreguiçadeiras sombreadas alugadas? É um episódio da luta de classes, o povo industrioso contra o empresariado cúpido. Mas também de mundividências, até filosóficas, a oposição entre o individualismo liberal e o estatismo tentacular, permeável ao capital.

Nada posso opinar. Apenas recordar que em jovem “ia à praia”, lá em São Martinho do Porto. Havia as “barracas”, zonas concessionadas, cada qual gerida pelo “banheiro”. E depois, ao lado, um pouco a caminho dos “faróis” havia a área para os “chapéus-de-sol”. De quando em vez uns colocavam os seus diante das barracas. O mar não se revoltava, o céu não nos caía em cima da cabeça, os burgueses e os neo-burgueses – “Abril” bastante fez mudar aquele “bidé das marquesas” – não chamavam a polícia.

Enfim, a mim – pálido neste aquém-litoral – esta polémica dá-me uma comprovação: o Sol na moleirinha faz mal. Aos gentrificados que alugam a sombra e ao povo que a carrega. Entretanto, abonados seguem os “concessionários”, mariolas bem-postos e melhor articulados. Por isso recordo um postal já antigo, quando vim de férias a Portugal e – por amor – “fui à praia”. Uma nota prévia: presumo que os preços estejam (muito) desactualizado.

Mudar de vida? (27.07.2010)

 

Vamos à praia, à Costa da Caparica, a praia do povo. Ali chegados avançamos para o areal e procuramos alugar uma sombra. Está esgotada a oferta, temos de acorrer ao concessionário seguinte. Nesse ainda arranjamos local e abrigamo-nos muito juntos, ainda bem que somos um legítimo casal, pois a pouca palha mal amanhada quase nenhuma sombra produz. Pagamos 2 contos e quinhentos (os indígenas assimilados chamam-lhes 12, 5 euros). Descemos até à água, polar, e molhamos os pés. E logo regressamos à quasi-sombra onde nos unimos bem juntos, ainda que com algum pudor, em busca do tal refúgio contra a inclemência soalheira. Lemos algo, algo distraídos. Um pouco depois vamos petiscar ao bar de praia. Abarrotado, e no calor da esplanada tresanda a sardinhas assadas. Voltamos então ao concessionário vizinho, este com nome de flora local (”Palmeiras”). Nele o bar de praia também está cheio, e ali habita o bedum da molhanga do caracol cozido, mas ainda assim temos artes para ocupar uma mesa. Sôfrego bebo duas imperiais, a minha senhora um Sumol, para ela convocamos uma tosta de galinha enquanto eu me fico na tradicional mista. Pagamos mais de dois contos e novecentos (o dialecto regional chama-lhes 14 euros e tal). E, acabrunhados, recuamos para o carro, saímos do enorme e apinhadíssimo parque de estacionamento onde pagamos 700 escudos (os locais chamam-lhe 3,5 euros). Seis contos (trinta euros na “língua de pau” vigente) gastos para ir à praia. À praia do povo. Cheia.

Crise, dizem. Mudar de vida, dizem. Em Portugal.

E aqui deixo a tal “sombra” (a tal a dois contos e quinhentos por unidade). Um verdadeiro testemunho (meu) abonatório, para que não me acusem de mau-feitio.

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(Postal também no meu “O Pimentel” – no qual antes deixei um texto demasiado longo para o Delito de Opinião, o “Os escravos na ONU” – aqui deixo a ligação para quem se possa interessar.)

O cadáver de um jornal


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Durante o dia por via telefónica correu esta (evidentíssima) piadola – a qual entronca bem no socratista dislate do deputado socialista André Rijo, que se aprestou a correlacionar a investigação a desmandos autárquicos no seu partido à publicação de uma sondagem agradável ao seu PS. Mais patusco ainda esteve o veterano João Soares, queixando-se do “mau gosto” de as buscas e detenções terem acontecido no dia 28 de Maio – faz apetecer a pirraça de lhe perguntar se pretende que a data seja feriado!

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Mas pior mesmo é a reacção do actual “Diário de Notícias”, essa usurpação do antigo jornal. Pois os assustadiços que lá trabalham sentiram necessidade de “alertar” o público – a este assim considerando cretino – que a piadola é uma falsidade (à qual chamam, por deficiência cognitiva, “Fake News”).

Isto é cadavérico.