É possível que a divulgação feita pelo nosso plantel de bloguistas da transferência do Delito de Opinião para esta nova morada tenha cativado alguns novos leitores. Mas quero crer que a maioria dos visitantes seja composta por leitores veteranos do nosso blog. Mesmo assim algumas velhas questões continuam, apesar de já terem sido repisadas – várias vezes.
Neste meu postal de ontem – “Racismo em Lisboa” – regressam os resmungos de que no DO há censura de comentários. É um gemido antigo, gente que não gosta de algum texto, ou mesmo do blog apesar de visita frequente, queixa-se da “censura”.
Por várias – demasiadas – vezes já aqui escrevi. Não há “censura” nos blogs. Quem afirma isso apenas demonstra (não denota, demonstra liminarmente) a sua profunda ignorância. E até um desnorte, uma desorientação, nisso de não perceber onde está. Pois aqui não é um órgão de comunicação social. Ou seja, não tem código deontológico. Nem tem a “responsabilidade social” requerida à imprensa. Os bloguistas devem escrever com “responsabilidade” – são até passíveis de injunções, morais ou jurídicas. Mas isso não é tal “responsabilidade social” tantas vezes requerida para as instituições.
O que há nos blogs é a selecção de comentários admitidos. Não é censura, é selecção! A qual é totalmente legítima, juridicamente mas também moralmente. Eu pratico-a. Isto é um espaço convivencial, eu convivo com quem quero. E entro em interlocução quando e como quero.
E explicito os meus critérios, de forma mais sistematizada do que antes fiz:
- não aceito comentários comerciais – o vulgar “spam” – que tenham escapado às barreiras que o sistema blogal desde logo impõe;
- não aceito comentários impertinentes por deslocados – p. ex. se nesse meu último postal “Séneca na Fábrica Lisboeta” alguém comentar criticando Pedro Proença, presidente da Federação Portuguesa de Futebol;
- não aceito comentários insultuosos de outrem – p. ex. se alguém no meu “Racismo em Lisboa” comentar dizendo “tu és um cabrão racista” poderá passar (apesar de eu detestar que desconhecidos me tuteiem). Mas se alguém aí disser “este blog é um conjunto de cabrões” apago;
- não aceito comentários de gente evidentemente desequilibrada, como alguns que ao longo dos anos acamparam no DO perorando inanidades em registo contínuo;
- não aceito comentários de dois co-bloguistas, por motivos sobre os quais eu tenho toda a razão e que não preciso de explicitar pois advêm de relações digitais diádicas;
- não aceito comentários de Luís Balio Lavoura, devido a ele, há alguns anos, ter aqui posto em causa a honorabilidade da minha filha. É certo que alguns dos co-bloguistas não terão notado, mas outros decerto notaram, até porque eu reagi. E neste caso continuo a não perceber como é que os outros co-bloguistas aceitam “conversar” com alguém que cometeu esse despropósito com a filha de um compagnon desta route – eu nunca o faria, mas isso sou eu… Devido a essa complacência alheia, na época hesitei em sair do blog. Não saí, para “não exagerar”, porque gosto do DO e de blogar, porque tenho amizade real com o “camarada coordenador” Pedro Correia.
E, por fim mas não menos importante. Ou até mesmo o mais importante:
- não aceito comentários que incomodem a minha má disposição do dia.
E ninguém tem nada a ver com isso. Pois essa é a essência do bloguismo: cada bloguista detém império sobre os seus postais. E os visitantes que queiram exercer o seu direito ao renhanha que vão para os comentários dos jornais digitais. Ou bugiar…
(Fica assim tudo elencado. Aos próximos desnorteados que aqui se lamentem poderei orientá-los através da ligação a este postal.)

























