
Abaixo referi esta tendência de colocar os políticos a fazer comentários nas televisões, com evidentes efeitos de incompetência analítica e de subordinação da informação às agendas político-partidárias. Encontro agora no Twitter uma nota que sublinha esta situação absurda: o ex-ministro da Defesa, Azeredo Lopes, aceitou muito recentemente ser absolvido de um processo judicial dado que o juiz o considerou intelectualmente incapaz para compreender um mero documento sobre um crime decorrido na sua tutela.
Ainda assim, apesar de ele não ter instaurado um recurso refutando a consideração exarada pelo tribunal daquela sua menoridade intelectual, é convidado pela TVI para comentar uma questão militar com a complexidade da guerra entre Rússia e Ucrânia.
Isto é absolutamente ridículo e mostra bem a perversão desta colonização da informação pelo pessoal político.

Acresce que, de perito em defesa, conhece-se-lhe um qualquer trabalho com os papéis do presidente da CMP e formação em Direito.
Muito bem caçado!!
A presa deixou-se a descoberto…
Não tanto. Apesar da sua azelhice executiva, Azeredo Lopes é um bom académico na área do Direito Internacional e um especialista em secessões.
Presumo então que face a esse gabarito o ex-ministro não mereça o acabrunhante desmerecimento pessoal que lhe foi sentenciado pelo juiz.
Estava a escrever e ocorreu um erro. Continuo.
Acrescente-se, em matéria informativa, a colonização da mentira. Por falta de recursos pensantes no jornalismo a media socorre-se de outros recursos para garantir a sobrevivência alimentar e, quiçá, alguma folia. A mentira encontra sempre carácteres que se lhe assemelham. Como exemplo:
Na questão da guerra russo-ocidental, que fez com que o atarefado Putin tivesse que visitar a Ucrânia, o mordomo Biden – aquando da interrupção momentânea da actividade desta visita, que é uma estratégia habitual russa para dar hipótese a negociações que evitem derramamento de sangue – maliciosamente apregoava que a delegação armada da rússia na Ucrânia estava a perder capacidade e a enfrentar resistências.
Ao anteriormente referir a palavra “maliciosamente” pensava em como mais uma vez os usa incentivam governantes a prosseguir com acções infrutíferas que só terminam no sofrimento das populações, cujo evitar do sofrimento, com esta paragem temporária, era o objectivo de Putin.
A mentira vai tão longe que, por exemplo, dizem que a Suécia e a Finlândia, juntamente com a ue, enviariam material bélico para os ucranianos. E a mentira reside em pontos que importa desmascarar:
O espaço aéreo ucraniano é plenamente dominado pela aviação russa. A Rússia no passado Sábado destruiu 5 comboios militares ucranianos com armamento.
Por onde pensam enviar as armas? Talvez pedindo à frota russa que os ajude a transportar (ironia) os equipamentos.
Adicionalmente informaram sobre o boicote financeiro à Rússia. Porém o gaz continua a correr e os exportadores russos de todas as matérias começaram a exigir pagamentos em 80% rublos e 20% moeda estrangeira, garantindo assim a estabilidade económica interna.
Do discurso de que a Rússia já estava derrotada, passou-se ontem para o discurso que a guerra seria longa. Longa aonde? Em suas cabeças?
O povo ucraniano foi usado pelo ocidente como carne para canhão, porque nenhum daqueles que diz defendê-los e apoiá-los se mete no grelhador, ou tinha intenção disso. É muito fácil fazer uma guerra por procuração com outros a morrerem.
Os ditos líderes ocidentais deveriam ser responsabilizados no TPI
Vento de facto já há alguns dias que perdi a paciência para o aturar. Como várias vezes o referi as mulheres que me são mais chegadas compeliram-me a não usar o vernáculo nos blogs e nas redes sociais. Como tal limitar-me-ei a deixar de aceitar o lixo imundo dos seus comentários de fascista emperdernido, eximindo-me a qualquer outro comentário.
Meu caro, muito obrigado pelo generoso acolhimento.
Uma medida como deve ser seria não comprar gaz à Rússia.
Paciência, cozinhava-se a lenha que agora com a seca até está boa para arder.
Tudo para valer aos nossos irmãos ucranianos.
Vento, tem absoluta razão no que escreve. Li um seu outro comentário onde a mesma lógica e a estrutura de seu pensamento está naturalmente bem elaborada.
Isto de a mesma pessoa fazer encómios a si próprio com outro nome é muito pior do que ser o mesmo a fazer a festa, lançar os foguetes e apanhar as canas. Ou contar anedotas e rir-se delas.
E tendo em conta de que estamos a falar de vir para aqui defender o maior filhadaputa cabrazão de merda que há ao cimo da Terra que já devia ter levado um tiro nos cornos — então é inenarrável.
Os curandeiros da ‘verdadeira esquerda’ estão a esgotar o stock de pensos rápidos para tapar a pústula que é sua razão de ser: a fidelidade à U.R.S.S., vulgo Mãe Rússia.
a consideração jurídica da sua menoridade intelectual
Não. O juiz não o considerou intelectualmente menor. O que o juiz disse foi que o documento que Azeredo Lopes não compreendeu não poderia ser compreendido por um “cidadão médio normal”. Ou seja, o juiz disse que, para Azeredo Lopes ter compreendido o documento, teria precisado de ser um fora-de-série. O juiz deu a entender que Azeredo Lopes é somente um “cidadão médio normal”, ou seja, nem especialmente dotado nem especialmente ignorante.
É apenas o seu descalibrado barómetro opinativo a impulsioná-lo a comentar. O “cidadão médio normal”, alguém como você, balio (como tanto o patenteia nos seus comentários aqui), ou como eu (como tanto o demonstro nos meus textos aqui) é alguém que partilha um menor denominador comum intelectual que o exime de ascender a postos de relevância e a funções institucionais de análise da realidade que constituam opinião pública. Já cidadãos com maiores capacidades intelectuais não são desresponsabilizados por incompreenderem os conteúdos das funções das quais voluntariamente acedem se incumbem. Saudações.
Muito interessante. Desconhecia o pormenor ‘escabroso’ da sentença…
Serão os ministros que aí vêm do mesmo calibre intelectual?
Presumo que sim.
Foi, de facto, vergonhoso, que não tenha recorrido da fundamentação da sentença.
Já quanto a ser comentador da ocupação na Ucrânia, reconheço-lhe toda a competência. Fui aluna dele em Direito internacional público, sempre o considerei muitíssimo bem preparado, sendo um homem de inteligência superior.
Não nasceu para a política, como ficou bem patente desde o primeiro momento em que exerceu cargos dessa natureza.
Pois é, dizes quase tudo no primeiro parágrafo. Mas há o que falta: quando um homem assume uma sentença daquelas que o exime de uma trapalhada jurídica ocorrida no desempenho de funções ministeriais (e da Defesa!) não pode depois presumir que “no pasa nada”. Pois o auto-enxovalho deixa mácula. E será conveniente que se lembre isso.
“Isto é absolutamente ridículo e mostra bem a perversão desta colonização da informação pelo pessoal político.”
Ainda temos a capacidade de influência jornalistica do Putin, até acabou com o Covid…conseguindo atingir o nível dos “protestos” BLM…
azarados ‘semos noz’
Simplesmente patético.
Um país (?) que não se leva a sério…
JSP
Tambem diz muito da justica podre que temos. E da pequenez do nosso pais. Grandes mesmo so na menoridade… AL
Diz imenso, aquilo é inaceitável. Ou então é aceitável e, como digo, o homem deixa de ser personalidade pública.