Banana Republic


Paulo Gorjão,

Não é por nada, mas parece-me que grande parte da elite portuguesa, nas esferas política e judicial, foi afectada por um vírus. As pessoas dizem as maiores barbaridades sem ter noção da gravidade do que estão a dizer. Veja-se, hoje, Cândida Almeida no Expresso: "[Tal como Pinto Monteiro, também ouve ruídos no telemóvel?] Ruídos? Sim, e muitas vezes ponho em causa se não estou a ser escutada. É tão fácil. Por isso não tenho conversas importantes ao telefone. Faço reuniões. E quando quero mesmo falar com o senhor PGR, ligo-lhe e vou ter com ele. (Expresso/Única, 31.1.2009: 20).

A nossa elite é isto. Ou também é isto. Não tem a noção do alcance das suas palavras. A nossa elite tem sempre a boca cheia de sentido de Estado e de pose institucional, mas depois larga atoardas deste calibre. É claro que ficamos todos muito mais descansados pelo facto de Cândida Almeida não falar ao telefone com o "senhor PGR". Afinal, como se sabe — e se não sabe ficou a saber — é tão fácil colocar o telefone de uma procuradora sob escuta. Difícil é colocar o gabinete do PGR sob escuta. Algo que, como se sabe, nunca aconteceu. É por isso que Cândida Almeida prefere reuniões e vai ter com o "senhor PGR".

Pela minha parte, com as voltas que a vida dá, até tremo só de pensar que um dia posso estar nas mãos destes senhores da PGR. Não me inspiram nenhuma confiança.

7 comentários em “Banana Republic”

  1. O lançamento de atordoadas,
    sendo uma lusitana especialidade,
    faz das nossas elites letradas
    berço da moderna civilidade.

    O povo é que é tacanho
    nos vocábulos desta gente,
    só não se apercebem do tamanho
    da sua atitude negligente!

    A justiça é tão cândida
    neste oásis europeu,
    a inteligência não é apreendida
    por quem vive no breu.

  2. Meus caros, eu é que já estou atordoada: nem “atodoardas” nem “atordoadas”, a palavra certa é “atoardas”.

    (Amêijoa fresca, tenha lá paciência, eu sei que dava jeito para a rima…) 🙂

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