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Que beleza de princesa!
Talitinha exagera no verdete.
Pode crer. O Quino tinha um boneco em que se via a sair de um grande espada às risquinhas uma madame toda elegante, com a fatiota, incluindo os sapatos e a malinha, mais o lenço e os acessórios do caniche, a condizerem com o automóvel… Da anedota à vida real, foi a isto que chegámos.
Ainda bem que a Talitinha não está de lenço e luvas, ficaríamos a pensar que podia ser um pastiche das “Filhas de Gilead”. Para mais ela é muito bonita, e o padrão é trivial que se farta, não condizem nada um com a outra…
uma atleta do SCP
muito bonita, a bonitinha.
Também gosto muito de indumentária verde, e sou vermelhinha até à ponta dos pés.
Isso não será rubéola tardia?
O ambiente no estúdio é de um silêncio sepulcral. O Príncipe, vestido com um fato de corte irrepreensível, segura a prova impressa da fotografia pelas pontas dos dedos, como se estivesse a segurar num trapo embebido em lixívia. O fotógrafo, ladeado por dois assistentes nervosos, aguarda a aprovação real.
O Príncipe: (Suspira profundamente, baixando a fotografia e fitando o fotógrafo por cima dos óculos) Magnífico. Diga-me só uma coisa, meu caro “, por acaso o seu carro tem um cachecol verde pendurado no espelho retrovisor e cheira a couratos?
O Fotógrafo: (Piscando os olhos, confuso) Peço desculpa, Alteza? Não compreendo. A composição explora a ilusão de camuflagem visual, uma disrupção do espaço…
O Príncipe: (Interrompendo com um sorriso gélido) Uma disrupção do espaço? O único espaço que foi rompido aqui foi a fronteira do bom gosto. A rapariga está camuflada de quê, exatamente? De bancada sul de Alvalade? Verde-bandeira, preto e branco?
O Fotógrafo: (Ajeitando os óculos, na defensiva) Alteza, é um grafismo entrelaçado! É uma obra de design! A ideia conceptual é que o corpo se funda com o cenário para que apenas a essência dela se destaque de forma isolada…
O Príncipe: Ah, sim! A essência. Um rosto flutuante e duas mãos desmembradas a pairar sobre um mar de azulejos de casa de banho dos anos 70. Fascinante. Só que olho para esta fotografia e não vejo a Talita von Fürstenberg. Vejo o Rúben Amorim a dar indicações táticas.
O Fotógrafo: A luz… a luz é suave e difusa, Alteza! Distribuída de forma homogénea precisamente para evitar sombras marcadas e manter a clareza do padrão!
O Príncipe: Meu querido. Aquilo não é um padrão, é o equipamento alternativo da época de 2004.
O Fotógrafo: (Quase num sussurro) É arte contemporânea…
O Príncipe: (Larga a fotografia em cima da mesa de vidro, levanta-se e abotoa o casaco) É um crime de lesa-majestade. Faz favor de lhe tirar o equipamento do Sporting e volte a fotografá-la como uma mulher da realeza, que é, e não como a mascote do clube antes de um derby. Passar bem.
Texto impactante, como é apanágio.