Bem prega Frei Tomás… (2)


João Carvalho,

O ex-governador de Macau e presidente do Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo, Garcia Leandro, afirmou hoje, em declarações ao Rádio Clube, que «as leis contra a corrupção são mal feitas» e que todas as tentativas para as melhorar, como pretendeu o ex-deputado socialista João Cravinho, têm sido sistematicamente bloqueadas na Assembleia da República.

Garcia Leandro entende, por isso, que são os parlamentares que não querem alterar a situação actual, o que mantém a promiscuidade entre o poder económico e o poder político — designadamente, entre quem transita de um para outro em qualquer dos sentidos. Para ele, assim não é possível fazer praticamente nada que leve alguém a ser condenado por corrupção.

As afirmações de Garcia Leandro não têm em consideração que os vários tipos de corrupção, à luz da lei, são crimes e que, como tal, não há qualquer motivo para que não sejam punidos. No entanto, está cheio de razão no que concerne à promiscuidade e à facilidade com que certos responsáveis transitam da política pública para a economia privada (e vice-versa) e isso é que devia ser uma das vertentes a considerar, face a um quadro legal que é urgente melhorar e em que ninguém quer mexer.

Entre o que frei Tomás já prega há muito e o que o general Leandro pregou hoje, está um mundo opaco onde todos recusam acender a luz. É nesse mundo opaco que tem reinado a corrupção e crescido a suspeição. E parece que está para durar: alguém já viu algum partido do "arco do governo" prometer legislar a favor da melhor eficácia no combate à corrupção?

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