Blogue da Semana


Paulo Sousa,

Houve um tempo em que os blogues, como este Delito que nos une, foram a vanguarda da comunicação. Fizeram um caminho, democratizaram a opinião publicada, lançaram desconhecidos e marcaram um tempo. Usei o pretérito não porque os blogues estejam ultrapassados, mas apenas porque deixaram de ser o último grito da moda.

Os suportes e as plataformas vão surgindo e com cada uma delas abre-se um novo mundo, com conteúdos inéditos, um público específico e regras próprias.

Em comparação com os blogues como os conhecemos, os videoblogues, ou vlogs, têm a vantagem de, pelo uso da imagem, terem no seu público um grande impacto, exigindo-lhe um menor esforço de atenção. Mas, como quando o sol nasce, nasce para todos, não os podemos ignoram nem fingir que não existem.

Graças a canais do Youtube, já aprendi inúmeras coisas, sobre inúmeros temas, desde história a bricolagem, electrónica, mecânica, já acompanhei viajantes, vi resumos de jogos, ouvi música e mais um sem fim de temas que nunca param de aumentar.

Tudo isto para lançar como blogue da semana, neste caso vlogue da semana, o canal do Harman Hoek. É um neerlandês, como agora se diz, que palmilha em autonomia as grandes cordilheiras do mundo, sem falas nem legendas, que junta a qualidade técnica das imagens com a imensa beleza que só existe longe do mundo urbanizado. Sempre com o mínimo equipamento, mas onde nunca falta uma engenhoca para fazer café.

É o vlogue da semana.

32 comentários em “Blogue da Semana”

  1. Acredito que seja óptima a sua sugestão, mas estou farta de personalizar cookies, de os aceitar ou rejeitar. Perco alguma coisa. Mas na vida, cada escolha é também uma perda, um apertar do caminho.
    Creio que os blogues estão ultrapassados, sim. Mas esse é um dos factores que me atrai nos que frequento. O que passou de moda e continua a existir, vale mais: ficaram os fiéis, sem luzinhas a piscar e florinhas que abrem e fecham e demais enfeites – ficaram as palavras no mais intrínseco de si. Hoje, os blogues são lugar de sossego. Dão assunto e tempo para pensar; rasam as novidades e a notícia sem espalhafato, contam histórias verosímeis e tanta vez verídicas, opinam sem alarde. Tendemos até a julgar conhecer quem está por detrás das palavras, suposição incorrecta, ninguém é o que escreve senão em parte ínfima e tanta vez incerta. Sou pelos blogues tal como estão: existência pacata e sem alarde de quem ama a escrita.

    1. Sim, Bea. Da mesma forma que os barcos a vapor não eliminaram os veleiros, nem os CDs acabaram com o vinil, as redes sociais não acabarão com os blogs. Agora com o estatuto de clássicos, nunca mais terão fim.

    2. Bravo.
      Belo comentário!
      Mas eu sou duvidoso porque fui um dos que deu conta da saída dos blogues da primeira página da SAPO e devido a essa ausência escrevi logo um postal.
      Alguns apoiaram a causa. Outros nem por isso.
      Os blogues são como as máquinas de café caseiras. Há actualmente com cápsulas e fáceis de manusear, mas ainda uso as de filtro de papel.
      Será da idade? Seja! Nem deixo de dormir por isso. Tal como continuarei a escrever no meu blogue, mesmo que as mãos me doam!
      A gente lê-se por aí!

  2. Confesso o meu cansaço de todos os “frenesins vanguardistas”, pretensamente postos ao serviço da comunicação. Sem pretender armar-me em “velha do Restelo” (salvo seja, que ainda sou uma jovem a caminho do amadurecimento ), , acabo sempre por preferir o mais básico, o mais elementar, o mais humano possível.

      1. “Conversar com os vizinhos ou nos cafés é muito mais básico e elementar que frequentar blogues.”

        Será? Olhe que se calhar isso dependerá muito dos “vizinhos” e dos “cafés”… Digo eu…

  3. Sei perfeitamente que a minha opinião é sem
    importância, não obstante … a página do Sapo
    quanto a mim é ligeiramente inestética .
    Não é agradável de consultar.

    1. O “favicon” que aparece nos tabs dos browsers está um mimo – em vez da silhueta em V do sapo, agora temos direito a um M&M com olhos

      1. Para mais um M&M cusca, meio sinistro, a espreitar-nos por cima do muro…

        É a redução ao hiper-minimalismo, vá-se lá perceber porquê, como se fôssemos todos criancinhas de creche ou apreciadores de arte naïf de pacote. Aliás, a condizer com o tratamento por tu, ainda não em todos os segmentos mas já nalguns, para nos irmos adaptando devagarinho à “tribo” ou coisa assim.

  4. Os elogios ao vlogger parecem um press release da Junta de Turismo do Nepal com patrocínio secreto da Nespresso: “cordilheiras imensas e nunca falta uma engenhoca para fazer café” — parece que até o Himalaia precisa de uma Delta Q para fazer sentido.

    1. “Comentador pago / falso comentador – quando a pessoa é contratada para inserir comentários que parecem espontâneos, mas na verdade são marketing disfarçado.”
      Um de nós anda aqui a promover marcas, e não sou eu.

      1. Pagos para comentar? Só se for em prestações de vergonha. Se eu tivesse de vender a minha escrita a marcas, ao menos exigia um contrato vitalício com a Pfizer — porque só com calmantes é que alguém aguenta ler certas promoções mal disfarçadas.

        1. Tive oportunidade de trocar e ler comentários do Carlos Sousa
          já faz alguns anos. Este Carlos Sousa não é o mesmo.
          Algo se passa aqui. Não estou particularmente interessada em saber ,
          é só uma simples constatação.

  5. Também eu aprecio bastante o YouTube, é uma milagrosa e inestimável máquina do tempo: ver e ouvir o Bill Monroe, ou regressar ao concerto do Pete Seeger em Lisboa, apenas para referir as últimas viagens ao passado que fiz… Ou os “tesourinhos” (às vezes verdadeiras pepitas!) que o Pedro Correia nos traz por aqui, nas “Canções com meio século”.
    Só por isso a internet valeu a pena.

    E pelos tutoriais também, aliás muito também. Agora estou a dedicar-me às artes de substituição de sanitas, versão de um escoamento vertical, coisa que me parece de uma simplicidade… desafiante. Pelo menos vou tentar, e mandar o “artista canalizador” meter o orçamento outra vez no mesmo sítio de onde o tirou. Se não conseguir, pois “artistas” é o que não falta por aí.

    1. Quer aprender tudo sobre manutenção aeronáutica? No youtube é possível. Tudo sobre navegação astronómica? Idem. Como colocar papel de parede? Já sabe onde. O desembarque nos Dardanelos, os Bandeirantes, a Cruzada das Crianças… tudo é mais um par de botas. É incrível e não deixa de surpreender.

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