Houve um tempo em que os blogues, como este Delito que nos une, foram a vanguarda da comunicação. Fizeram um caminho, democratizaram a opinião publicada, lançaram desconhecidos e marcaram um tempo. Usei o pretérito não porque os blogues estejam ultrapassados, mas apenas porque deixaram de ser o último grito da moda.
Os suportes e as plataformas vão surgindo e com cada uma delas abre-se um novo mundo, com conteúdos inéditos, um público específico e regras próprias.
Em comparação com os blogues como os conhecemos, os videoblogues, ou vlogs, têm a vantagem de, pelo uso da imagem, terem no seu público um grande impacto, exigindo-lhe um menor esforço de atenção. Mas, como quando o sol nasce, nasce para todos, não os podemos ignoram nem fingir que não existem.
Graças a canais do Youtube, já aprendi inúmeras coisas, sobre inúmeros temas, desde história a bricolagem, electrónica, mecânica, já acompanhei viajantes, vi resumos de jogos, ouvi música e mais um sem fim de temas que nunca param de aumentar.
Tudo isto para lançar como blogue da semana, neste caso vlogue da semana, o canal do Harman Hoek. É um neerlandês, como agora se diz, que palmilha em autonomia as grandes cordilheiras do mundo, sem falas nem legendas, que junta a qualidade técnica das imagens com a imensa beleza que só existe longe do mundo urbanizado. Sempre com o mínimo equipamento, mas onde nunca falta uma engenhoca para fazer café.
É o vlogue da semana.

Acredito que seja óptima a sua sugestão, mas estou farta de personalizar cookies, de os aceitar ou rejeitar. Perco alguma coisa. Mas na vida, cada escolha é também uma perda, um apertar do caminho.
Creio que os blogues estão ultrapassados, sim. Mas esse é um dos factores que me atrai nos que frequento. O que passou de moda e continua a existir, vale mais: ficaram os fiéis, sem luzinhas a piscar e florinhas que abrem e fecham e demais enfeites – ficaram as palavras no mais intrínseco de si. Hoje, os blogues são lugar de sossego. Dão assunto e tempo para pensar; rasam as novidades e a notícia sem espalhafato, contam histórias verosímeis e tanta vez verídicas, opinam sem alarde. Tendemos até a julgar conhecer quem está por detrás das palavras, suposição incorrecta, ninguém é o que escreve senão em parte ínfima e tanta vez incerta. Sou pelos blogues tal como estão: existência pacata e sem alarde de quem ama a escrita.
Sim, Bea. Da mesma forma que os barcos a vapor não eliminaram os veleiros, nem os CDs acabaram com o vinil, as redes sociais não acabarão com os blogs. Agora com o estatuto de clássicos, nunca mais terão fim.
No entanto os barcos a vapor acabaram.
Também amando a escrita, subscrevo inteiramente!
Bravo.

Belo comentário!
Mas eu sou duvidoso porque fui um dos que deu conta da saída dos blogues da primeira página da SAPO e devido a essa ausência escrevi logo um postal.
Alguns apoiaram a causa. Outros nem por isso.
Os blogues são como as máquinas de café caseiras. Há actualmente com cápsulas e fáceis de manusear, mas ainda uso as de filtro de papel.
Será da idade? Seja! Nem deixo de dormir por isso. Tal como continuarei a escrever no meu blogue, mesmo que as mãos me doam!
A gente lê-se por aí!
Infelizmente, os blogs saíram da nova página principal do sapo…
Com o estatuto de clássicos, nunca mais terão fim.
A nova página do sapo está uma porcaria.
A plataforma nunca foi grande espingarda
Confusa.
Confesso o meu cansaço de todos os “frenesins vanguardistas”, pretensamente postos ao serviço da comunicação. Sem pretender armar-me em “velha do Restelo” (salvo seja, que ainda sou uma jovem a caminho do amadurecimento
), , acabo sempre por preferir o mais básico, o mais elementar, o mais humano possível.
Conversar com os vizinhos ou nos cafés é muito mais básico e elementar que frequentar blogues. Mas tudo é socialização.
“Conversar com os vizinhos ou nos cafés é muito mais básico e elementar que frequentar blogues.”
Será? Olhe que se calhar isso dependerá muito dos “vizinhos” e dos “cafés”… Digo eu…
Se os vizinhos forem todos homens a Paula Dias foge como o diabo da cruz.
Se fosse a si parava de injuriar…
Sei perfeitamente que a minha opinião é sem
importância, não obstante … a página do Sapo
quanto a mim é ligeiramente inestética .
Não é agradável de consultar.
O “favicon” que aparece nos tabs dos browsers está um mimo – em vez da silhueta em V do sapo, agora temos direito a um M&M com olhos
Para mais um M&M cusca, meio sinistro, a espreitar-nos por cima do muro…
É a redução ao hiper-minimalismo, vá-se lá perceber porquê, como se fôssemos todos criancinhas de creche ou apreciadores de arte naïf de pacote. Aliás, a condizer com o tratamento por tu, ainda não em todos os segmentos mas já nalguns, para nos irmos adaptando devagarinho à “tribo” ou coisa assim.
Bolas… uma distracção infeliz.

Os elogios ao vlogger parecem um press release da Junta de Turismo do Nepal com patrocínio secreto da Nespresso: “cordilheiras imensas e nunca falta uma engenhoca para fazer café” — parece que até o Himalaia precisa de uma Delta Q para fazer sentido.
“Comentador pago / falso comentador – quando a pessoa é contratada para inserir comentários que parecem espontâneos, mas na verdade são marketing disfarçado.”
Um de nós anda aqui a promover marcas, e não sou eu.
Pagos para comentar? Só se for em prestações de vergonha. Se eu tivesse de vender a minha escrita a marcas, ao menos exigia um contrato vitalício com a Pfizer — porque só com calmantes é que alguém aguenta ler certas promoções mal disfarçadas.
Concordo. Foram um bocado mal disfarçadas.
Tive oportunidade de trocar e ler comentários do Carlos Sousa
já faz alguns anos. Este Carlos Sousa não é o mesmo.
Algo se passa aqui. Não estou particularmente interessada em saber ,
é só uma simples constatação.
Sempre igualzinho. Nunca surpreende.
E então kika? Na sua opinião este é melhor ou pior que o outro?
Nem uma nem outra.
Apenas diferente.
Continuemos para Bingo.
Eheheh.
Também eu aprecio bastante o YouTube, é uma milagrosa e inestimável máquina do tempo: ver e ouvir o Bill Monroe, ou regressar ao concerto do Pete Seeger em Lisboa, apenas para referir as últimas viagens ao passado que fiz… Ou os “tesourinhos” (às vezes verdadeiras pepitas!) que o Pedro Correia nos traz por aqui, nas “Canções com meio século”.
Só por isso a internet valeu a pena.
E pelos tutoriais também, aliás muito também. Agora estou a dedicar-me às artes de substituição de sanitas, versão de um escoamento vertical, coisa que me parece de uma simplicidade… desafiante. Pelo menos vou tentar, e mandar o “artista canalizador” meter o orçamento outra vez no mesmo sítio de onde o tirou. Se não conseguir, pois “artistas” é o que não falta por aí.
Quer aprender tudo sobre manutenção aeronáutica? No youtube é possível. Tudo sobre navegação astronómica? Idem. Como colocar papel de parede? Já sabe onde. O desembarque nos Dardanelos, os Bandeirantes, a Cruzada das Crianças… tudo é mais um par de botas. É incrível e não deixa de surpreender.
Primeiro, a sanita. A aeronáutica depois, se ainda tiver um bocadinho de tempo livre…