A blogosfera já viu melhores dias. E a razão é que expor, por exemplo, uma ideia, defender uma tese, contar uma história com graça, ou significado que a transcenda, ou moral, narrar uma viagem, ou fazer uma interpretação histórica, ou ainda tentar explicar as consequências, os efeitos perversos, as externalidades das escolhas políticas do mês ou da década – dá um trabalhão.
Quão melhor é abundar em indignações, palpites e insultos nas redes: a gente alivia-se de perigosas acumulações biliárias, recebe o devido aplauso da tribo a que nos ligam simpatias e inclinações e adormece confortado nas suas certezas.
Este conforto de pouco serve porque com ele não se aprende nada. Deve ser por isso que não faltam resistentes que se dão ao trabalho de, em vez do griteiro, preferir a serenidade e consistência do argumento; em vez do pontapé na gramática, o cuidado com a forma; e em vez do slogan reconstruir o edifício lógico que o origina e lhe confere ou não alguma legitimidade.
Externalidades, disse acima. Abominável palavra, é coisa de economistas. Diabo de gente que para a aturar é precisa muita paciência, mas sem a qual talvez se entendam duas ou três coisas essenciais, ou até mesmo quatro ou cinco, mas não inúmeras que fazem a nossa vida melhor ou pior como consequência de decisões políticas.
Uns ligam muito à botânica, ou à filosofia, ou à história, ou ao direito, ou ao automobilismo, ou à filatelia, ou a qualquer um dos muitos interesses que se podem ter, ou ainda a uma mistura deles.
Eu gosto, como amador, de economia. E embora sorria muitas vezes com a facilidade com que se constroem argumentações, raciocínios pretensamente matemáticos, e teorias definitivas, com base em pressupostos ideológicos, ou premissas mal escolhidas, das quais a maior parte das vezes os autores nem sequer têm consciência, nem por isso me dispenso da minha ração diária de boa análise económica. Há disso o muito mau, o assim-assim e o muito bom.
Desta última variedade é o Impertinências.

A propósito de tudo isso até já existe,
a higiene numérica ( traduzido à letra )
ou a cyber-higiene. Uma espécie de disciplina
em psicologia.
Muitas pessoas deixaram os seus blogues.
Os blogues existem mas não são trabalhados.
Estão completamente parados ou quase.
Alguns até vão permitindo comentários.
Outros já não permitem. Só dá para ver.
Mas também aparecem novos autores (m/f).
Há quem lhes chame “bloggers”.
Eu prefiro bloguistas.
Em blogs.sapo.pt, a maioria dos blogues são bons,
alguns são muito bons e outros são excelentes…
No total são mais de quinhentos e menos de mil.
Suponho que não existe uma lista disponível para
consulta. Posso estar enganado. Talvez exista.
Ou venha a existir…
Convinha que tivesse alguma informação acoplada.
Para não ser só o título e o logotipo.
Prémios para os melhores blogues…
Já há! Chamam-se “blogzilas”.
Vai um para o DELITO DE OPINIÃO?
Merece.
Vá lá…
João Barros da Costa
JOAO.BARROS.DA.COSTA@SAPO.PT