Para blogue da semana escolho uma das minhas mais antigas preferências da blogocoisa: O Insurgente. Poderia dizer muito sobre O Insurgente, que acompanho com interesse desde o primeiro post, e que para todos os efeitos é já uma referência na blogosfera nacional. Mas de tudo o que poderia dizer do blogue, fica apenas isto: foi graças às referências dos insurgentes que, com a curiosidade aguçada, me embrenhei em algumas leituras e descobri uma das minhas escritoras preferidas. Falo de Ayn Rand, naturalmente (e dos monumentais The Fountainhead e Atlas Shrugged). Só por isso mereceria sempre o meu destaque.
Blogue da semana
João Campos,

Também ando sempre a procura de referências literárias, novos livros, novos autores. Aproveito para agradecer as tuas indicações. Quem é essa Ayn Rand. Devo perscrutar os seus livros? Se sim, porquê? Obrigado, João Campos.
Tenho Ayn Rand como uma das minhas autoras preferidas (provavelmente será “a” minha autora preferida, apesar de a Ursula Le Guin estar muito perto), pelo que a considero sempre muito recomendável. A grande importância da obra de Ayn Rand estar na filosofia, devido à criação do Objectivismo e à sua intransigente defesa do indivíduo e da liberdade individual (estou a resumir muito, atenção); no entanto, ao invés de formular as suas ideias filosóficas em ensaios, optou por colocá-las em forma de ficção – e fê-lo com mestria. Dos livros dela, li “The Fountainhead”, onde as suas ideias sobre o individualismo estão centradas (e concentradas) numa personagem, o arquitecto Howard Roark, e “Atlas Shrugged”, onde a autora mostra o impacto do colectivismo (mais uma vez, estou a simplificar o tema de forma que roça o grosseiro) à escala de uma sociedade inteira. Tanto do ponto de vista filosófico como do ponto de vista literário, ambos são obras extraordinárias, com passagens memoráveis e personagens inesquecíveis. Aviso, porém, que “Atlas Shrugged” é aquilo que podemos considerar de “calhamaço”, pelo que não será o livro mais confortável para ler enquanto se viaja de transportes públicos (digo-o por experiência). Mas merece uma leitura, sem dúvida.
Obrigado. Tentarei pegar nesses livros. A questão da liberdade individual é-me cara. Toda a vida tenho reflectido sobre esse assunto. Serei um produto de contingências externas, ou poderei deliberar, decidir aquilo que sou. Confesso que muitas vezes fugi das minhas responsabilidades atirando culpas dos meus fracassos e receios, sobre outros. Agora que penso de forma diferente, acredito que a vida corre-me melhor. Esta tua evocação sobre a Any Rand não será esquecida, mas primeiro terei de ler o Childhood’s End, de Arthur C. Clarke, dado que já o encomendei. Um abraço.
Ambos merecem a leitura, cada um à sua maneira. O Childhood’s End é extraordinário. Abraço e boas leituras.
O Insurgente continua a ser uma leitura obrigatória. Só tenho pena que alguns membros não escrevam mais assiduamente.
Ainda assim, gosto muito da forma como abordam alguns temas por lá. Sobretudo aqueles relacionados com as “alterações climáticas” e o politicamente correcto. Aliás, posso mesmo dizer que O Insurgente é a minha primeira fonte regular para notícias sobre estes temas.
João, como Insurgente, agradeço o destaque e a preferência. E aproveito para dizer que também foi com O Insurgente que descobri a Ayn Rand que é, sim, senhora, uma grande escritora.
Ora essa, nada a agradecer. É mais do que merecida.
Não gosto minimamente d’O Insurgente nem das opiniões (ou sequer da postura) dos seus membros, mas isso são opiniões.
Quanto a Ayn Rand, é um daqueles casos em que admiro a qualidade da escrita e repudio as ideias (e acho a pessoa abjecta). Não é caso único.
Nem sempre podemos gostar de tudo. É um facto. Mas ao menos Rand tem a grande vantagem de passar a filosofia dela em forma de ficção, tornando-a muito mais agradável à leitura. Para mim, claro, que nem sempre tenho paciência para ensaios teóricos muito longos.