Este blogue que hoje destaco é uma tentação para quem aprecia belas paisagens e não prescinde do prazer de viajar. O nome funciona logo como senha de identidade, usando uma antiga expressão muito portuguesa que todos entendemos.
Num dos seus espaços, por exemplo, mostra-nos algumas das estradas mais belas e fotogénicas do planeta. Lá se encontra a da Serra da Leba, no sul de Angola – prodígio da engenharia portuguesa: desce em escassos quilómetros de um planalto a 1.845 metros de altitude até ao n´ível do mar.
Merece visita? Claro que sim. Eis Papa-Léguas, nosso blogue da semana.

A estrada da Serra da Leba é uma impressionante obra de engenharia colonial que liga Lubango (Sá da Bandeira) ao Namibe (Moçâmedes) que vence um desnível de mais de 1.000 metros ao longo de cerca de 20 quilómetros, através de curvas sinuosas em ziguezague esculpidas na rocha para permitir a descida segura do planalto até ao mar.
Desenhada pelo prestigiado Eng.º Edgar Cardoso foi iniciada no final da década de 1960 e concluída por volta de 1973.
Tive a oportunidade de em 1992, por razões profissionais, de fazer o percurso de ida e volta Lubango/Namibe. È um cenário ao mesmo tempo gigantesco e deslumbrante!
PS: em Moçambique, na província de Manica, existe uma obra similar, embora sem a grandiosidade da Serra da Leba, ligando por estrada a barragem da Chicamba ao Tsetserra, localizada nas montanhas do Chimanimani, onde se situa o Monte Binga (o ponto mais alto do país a 2000 metros de altitude) e o Parque Nacional do Chimanimani conhecido pela sua elevada biodiversidade, pinturas rupestres e paisagens naturais intactas.
Edgar Cardoso autor de muitos projectos em Angola e cá, mas a Estrada da Leba não é dele, embora possa aparecer na internet nalguns lugares como sendo dele.
O projetista dessa estrada foi um engº geógrafo da JAEA.
Engº Jorge Campinos de seu nome.
Embora natural de Angola veio morrer a Portugal pouco depois daquela data que virou tudo pernas para o ar.
É verdade que embora seja comum ver o projecto atribuído ao Eng.º Edgar Cardoso, testemunhos de familiares e colaboradores afirmam o papel crucial do Eng.º João (não Jorge) Campinos à frente da equipa técnica da Junta Autónoma de Estradas de Angola (J.A.E.A.) na edificação da Serra da Leba.
Se os herois do MPLA, vitoriosos no fim de tudo, gente como Agostinho, Lúcio Lara e alguns brancos desse partido, que foram estudantes do império e do liceu Salvador Correia, conhecem bem quem foi o autor dessa linda e louca obra, deviam gravar o nome de João Campinos no alto dessa estrada.
E não de Agostinho Neto como já aparece já no google earth.
Só uma teimosia de um homem que adorava aquela sua pátria, mas não era terrorista como foram a maior parte daqueles independentistas todos, só assim podia surgir a obra mais emblemática de todo o turismo angolano, igual a umas cataratas do Duque de Bragança por exemplo.
Cambada de energúmenos, os brancos e mestiços e assimilados, claro, que os indígenas não têm culpa nenhuma.