Bravo Mourinho!


Rui Rocha,

Escrevi ontem, antes de conhecido o vencedor, que Mourinho era o dono legítimo da Bola de Ouro 2010. Regresso ao tema para salientar alguns aspectos que considero justo destacar na atitude de Mourinho durante e depois da cerimónia de entrega do prémio:

a) falou em português, assumindo o orgulho que tem em ser um cidadão do mundo com origem e nacionalidade portuguesas. Que diferença relativamente a quem teima em exprimir-se em portunhol, em espanholês ou em inglês técnico;

b) valorizou os jogadores presentes que trabalharam com ele, cumprimentando-os um a um antes de receber o prémio, e incluindo os restantes nas suas palavras;

c) referiu-se expressamente àqueles que o amam, atribuindo-lhes importância decisiva nas suas conquistas;

d) valorizou o trabalho como aspecto indispensável do sucesso.

e) após a cerimónia, reiterou o seu orgulho em ser português, deixando bem claro que a utilização do português não foi um acaso ou um pretexto.

Estes momentos valem o que valem e têm sempre o seu quê de circunstância e encenação. Mas, a atitude de Mourinho merece ser elogiada. Num momento de consagração, propenso à exploração do umbigo, afirmou as suas origens, partilhou o sucesso com os que o ajudaram, valorizou os afectos e salientou o esforço e a dedicação. Apresentou-se como homem integral que não confunde o ponto de chegada, efémero por natureza, com a permanência do caminho. Pelo prémio, pela atitude e pelo exemplo que esta constitui, com a mesma franqueza que utilizo quando o critico, digo Bravo Mourinho!

11 comentários em “Bravo Mourinho!”

  1. Sobre o ponto 2), vale a pena lembrar que, algum tempo antes de ganhar a Champions Cup com o Inter, perguntaram a Mourinho numa entrevista que importância ele atribuía a essa possível vitória, e ele respondeu que para ele era muito importante, não tanto por ele mas sobretudo pelos seus jogadores (os do Inter), dado que, explicou, muitos deles já eram deveras idosos e certamente não iriam ter muitas mais oportunidades na carreira de conquistarem essa taça, pelo que se impunha que ele os ajudasse o mais possível nesta oportunidade.

    Um treinador que explica tal coisa merece, de facto, ser amado pelos seus jogadores. Não é certamente por acaso que alguns jogadores do Inter foram presencialmente assistir à cerimónia.

  2. Bravo! Um enorme OLÉ! para todos aqueles invejosos, muitos dos quais seus, nossos, compatriotas…

    Não sou nacionalista, mas sou Patriota, e vibro com as vitórias e a afirmação internacional dos nossos melhores.

    Parabéns Mourinho!

  3. Caro Rui
    Esqueceu-se de um ponto importantíssimo e exemplar: o elevado fairplay, ao salientar os seus adversários Del Bosque e Guardiola.

  4. Ainda que não tenha dúvidas que Mourinho tenha orgulho em ser português, não lhe conheço as razões para tal. Por isso não lhe posso aplaudir a afirmação.

    Explico-me: eu não tenho orgulho em ser português. Tal como não tenho a mínima vergonha. Português é o que eu sou, porque Portugal é o país onde nasci e onde cresci e cuja cultura se impregnou em mim. Todos os meus hábitos tipicamente portugueses são-no porque são os hábitos a que me habituei, aqueles que me fazem sentir bem. Tivesse eu nascido noutro país e teria outros.

    Vejo isso, agora que vivo fora do meu país há vários anos, nos filhos de emigrantes. Apesar das suas raízes noutros países, passam a identificar-se mais facilmente com o país no qual crescem do que com os outros. Claro que existe uma matriz identitária que os pais passam aos filhos (de forma mais activa do que aquilo que fariam se vivessem no país de origem), mas a sociedade acaba por moldar as crianças de forma bem mais marcante.

    Recordo aliás uma situação que já ouvi em dois casos, um ucraniano na Holanda e um holandês nos EUA: o estrangeiro, após conversar com um local durante algum tempo sobre as maravilhas do seu país, recebe a pergunta: mas preferes os/a EUA/Holanda, não é? À qual tem que responder: não. Este país é muito agradável, mas o meu país é o meu país.

    Não é uma questão de orgulho, tão só de raízes. Pelo menos no meu caso.

    Quanto a Mourinho, parabéns pelo prémio, que indubitavelmente mereceu.

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