É claro que Fernanda Câncio tem alguma razão. A peça do Expresso era do mais preconceituoso possível. São igualmente lamentáveis as referências sistemáticas à "namorada de X", uma forma de negação da individualidade que me incomoda especialmente. Por outro lado, Fernanda Câncio revelou falta de bom-senso. Ninguém lhe pedia um silêncio forçado, mas a partir do momento em que se desmultiplicou em declarações violentas contra tudo o que parecesse a mais leve crítica a Sócrates – gesto que além do mais repetiu à saciedade em blogues, jornais, televisões e sabe Deus que mais – Fernanda Câncio envolveu-se num jogo perigoso, que não pode deixar de confundir os observadores. Eu não ponho em causa a sua seriedade e independência. Mas, como a vida nos ensina tantas vezes, as emoções traem-nos mesmo quando nos julgamos extraordinariamente objectivos. E neste caso concreto, é difícil fazer a separação mental entre a "jornalista isenta" e o ser humano envolvido numa relação emocional com uma personalidade singular.
Breve nota sobre o “caso Câncio”
José Gomes André,

Ao contrário do que diz, caro J.G. André, a f. (aka Fernanda Câncio) não tem nenhuma razão…
Penso mesmo que, no caso, está a decredibilizar o jornal.
Sobre as tentativas da f. para condicionar o trabalho dos colegas de redacção, o CR não terá nada a dizer? E a Comissão da Carteira?
São questões pertinentes, mas não consigo acrescentar muito ao que escrevi no texto… Obrigado pelo comentário.
Concordo consigo.
Disse essencialmente o mesmo no meu blog mas de forma agressiva e muito mais desconfiado da isenção de Câncio e das suas qualidades jornalísticas.
O problema não foi a atitude baixa do ataque (igual a tantos outros durante a liderança de Menezes): foi a dita cuja pôr-se a jeito. E não me esqueci de ela ter usado as páginas do jornal em que exerce a profissão para bramir a sua própria defesa.
Já agora, também não me esqueci de ela ter criticado desproporcionadamente certa posição assumida pelo Mário Crespo na coluna que mantém, defendendo que o jornalista devia abster-se de opinar. Não se percebe porquê, mas percebe-se que ela é jornalista e nunca opina, não é???
Ora! Estou cheio de mediocridades feitas em torno de coisas mesquinhas e em nome de uma pseudo-intelectualidade que já chateia. Haja pachorra!
“O problema (…) foi a dita cuja pôr-se a jeito”. Acho que é um bom resumo desta polémica, caro João. Um abraço!
Outro para ti, José.
De todas as opiniões que li a sua foi a mais esclarecida e a mais correcta.
Lisonjeado pelo seu comentário, lili…
O artigo do Expresso não tem nada de recomendável, é verdade. Por outro lado, tal como você diz, Fernanda Câncio (f) tem alguma razão, neste caso. Mas, apenas alguma, pois a verdade é que «quem não quer ser lobo, não lhe veste a pele». E f, ao não fazer desde logo uma declaração de interesses em relação a este caso para deixar bem expressa a sua independência jornalística e manter alguma distância, começa desde logo a levantar toda a espécie de suspeitas, atenta a sua relação pessoal com uma figura pública de topo. Como comenta e muitíssimo bem, aliás, o Vasco Barreto no Jugular, «a partir do momento em que decides de outro modo, direito que te assiste, não podes exigir dos leitores que não ponham em causa a tua independência como se tal suspeita em si fosse uma intromissão na tua vida, do mesmo modo que um pai que defenda incondicionalmente o seu filho não pode exigir que não questionem a sua objectividade.»
Melhor seria, pois, que f. se afastasse um pouco mais do caso Freeport e não estivesse sempre tão colada a ele e pronta a disparar sempre que alguém vem dizer sobre o assunto algo que não é propriamente aquilo que ela estava à espera de ouvir.
Sem dúvida, caro Luís. Também tinha lido o comentário do Vasco Barreto e parece-me uma observação inteligente. É uma questão complexa, mas creio que a Fernanda Câncio já se envolveu demais em tudo isto. Vai ser difícil sair do caso sem ficar com o prestígio algo manchado, suponho…
Tem toda a razão. Para mim, o “pôr-se a jeito” é que é impensável, imaturo e muito básico. Situações destas acontecem e tudo bem. Mas um adulto percebe que tem de separar as águas e que não pode fazê-lo só mentalmente (o que já de si é um autêntico trabalho de Hércules!). Tem de separar as águas à vista de todos. E se não quer mudar de margem nem de bandeira (perfeitamente normal), o que tem a fazer é mudar de mar e pescar outros peixes. Continuar sempre a falar do mesmo é que não.
Clhoé: Concordo em absoluto com o seu comentário e este caso é tanto mais lamentável que se é um direito básico de qualquer cidadão o direito ao bom nome e reputação, à Fernanda Câncio pura e simplesmente, tem-lhe estado a ser negado o direito ao seu nome -bom ou mau – o que é lamentável, a meu ver.
Quanto ao resto, penso que é inútil (e até contraproducente) que esteja sempre a bater na mesma tecla. Terá de mudar de agulha.
PS – Visitei o seu elegante (e mt. feminino) Quartier Latin e gostei. Hei-de lá ir mais vezes. Um abraço.
LRF : obrigada, mas espero que o atributo de “feminino” não tenha água no bico…
Aquilo não é um blogue, é mais um para-blogue 🙂
Indepentemente do artigo do Expresso ter sido muito agressivo ou não a questão que se impõe é: Será que FC defenderia Sócrates como defende se não tivesse uma relação intima com ele? A verdade é que apesar da agressividade o artigo do Expresso estava certo no ponto fulcral que é o facto de f. estar a usar o jornal em que trabalha para defender alguém com que mantêm uma relação, ou seja como jornalista f. não é isenta e usa o seu jornal para demonstrar essa falta de insenção. E isso é no mínimo injusto para os leitores e para os outros jornalistas.
Só falta agora também a drª Maria Cavaco Silva vir como «comentadora» a escrever num jornal sobre o marido e comentar a forma como ele foi maltratado pelo governo PS naquela questão dos açores.