Business is business


Teresa Ribeiro,

É sabido que as crises constituem, pelo menos para alguns, uma boa oportunidade de negócio. Penso nisto enquanto reparo num anúncio de página da revista Plenitude, que sai agora com o Público.

Trata-se de publicidade a um congresso para "mulheres e homens de negócios". O slogan reza (por acaso acho que "reza" se aplica aqui muito bem…) dizia eu que o slogan reza assim: Superar a crise com CERTEZA atitude e confiança.

Superar a crise com CERTEZA? É uma promessa no mínimo tentadora. No texto que se segue explica-se qual o método a seguir:

 

Qual o investidor que colocaria o seu dinheiro num instituição bancária, se não tivesse a certeza de que o mesmo estaria seguro e lhe renderia os juros devidos?

Qual o accionista que compraria acções de uma empresa se não tivesse a certeza de que teria lucros?

Qual o trabalhador que trabalharia durante todo o mês sem que tivesse a certeza de que iria receber o seu salário acordado em contrato?

Qual o agricultor que semearia sem que não tivesse a certeza de que iria ter boas colheitas?

São casos que exemplificam a fé natural. Mas quem usa a fé natural fica na dependência das circunstâncias. Porém, quando se aprende a usar a fé sobrenatural, a CERTEZA é de que não haverá prejuízos.

 

PARTICIPE NO CONGRESSO FINANCEIRO

 

Diz que há congressos todas as segundas-feiras às 20h e que os resultados finais serão sempre positivos. Esqueci-me de dizer que, para quem não sabe, a revista Plenitude pertence ao – chamemos-lhe – grupo económico da IURD, um grupo com provas dadas e sucesso financeiro reconhecido. Por isso fiquei a pensar: não sei se vá…

14 comentários em “Business is business”

      1. Boa oportunidade? A melhor, isso sim. As seitas sempre vingaram nos períodos e nos meios em que os dramas humanos e sociais são mais profundos. É quando as pessoas comuns, atingidas e sem futuro, mais precisam de encontrar um sinal de esperança a que possam agarrar-se.

    1. Bora lá! Vai ser uma ocasião única para assistir – com muita fé no sobrenatural – ao milagre da multiplicação. Que por acaso era mesmo aquele de que eu estava a precisar 😀

  1. Vejo que a Teresa – e depois a Ana – já se estão a fazer ao piso. Atenção, vejam se estão abrangidas: a coisa é para “mulheres e homens de negócios”. Ou seja: para ‘sujeitos e sujeitas’ do carcanhol, em dialecto augustense-santossilvense. Se não for o caso, acho que eles gostam de malhar…

    1. Ooops, pois é! Acho que não tenho carcanhol que chegue para lhes proporcionar os tais “resultados finais sempre positivos”. (Na verdade se invertermos os termos tudo o que eles dizem é verdade: a fé no sobrenatural – dos outros – só lhes tem dado alegrias!)

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