Campo do Tarrafal


José António Abreu,

A construção foi ordenada pelo Decreto-Lei 26539, com data de 23 de Abril de 1936. Destinava-se a presos políticos que tivessem de cumprir pena de desterro ou que, encontrando-se noutros estabelecimentos prisionais, se mostrassem «refractários» à disciplina. Em zona separada, poderiam também aqui ser «internadas» pessoas condenadas por crimes executados com finalidades políticas ou presos preventivos aguardando julgamento por crimes constantes do Decreto-Lei 23203, de 6 de Novembro de 1933 (vale a pena ler, em especial o artigo 2º, que tipifica os chamados «crimes de rebelião»). Entre 1937 e 1948, morreram no Tarrafal trinta e sete pessoas.

Fotografias tiradas em Novembro de 2007.

12 comentários em “Campo do Tarrafal”

  1. Como hoje se viu no parlamento, e felizmente, já os cravos não são propriedade da esquerda.
    Infelizmente campos destes não são exclusivos da direita. Vi-os florescer nas colónias entretanto libertadas do jugo fascista e colonial. Os crimes? Pertencer a partidos que não o autorizado. Namoro confundido com prostituição. Alcoolismo. Não ter, na altura da ronda, os documentos de identificação. Hábitos tipicamente burgueses como se sabe.
    Quantos morreram? Não se sabe. Não houve ninguém que se atrevesse a tal contabilidade.

  2. Depois do 25 de Abril… este celebre prisão foi “democraticamente” reactivada pelo pelo PAIGC…

    Baptizada de Campo de Reeducação… alíás como a Colónia Penal de S. Nicolau em Angola.
    E muitas em Moçambique.

    Assim se cumpriu o “D” de descolonização!

      1. Meu Caro

        ” Crimes alheios”, virgulo…

        Tudo começou com o beneplácito do Conselho da Revolução…sob o comando directo dos Altos Comissários… Provas : Mais de que muitas! Sendo o mais sanguinário o almirante Rosa Coutinho.

        Não devemos apagar a história!

    1. AEfetivamente: que eu saiba, não havia a intenção expressa de matar ninguém, como nos exemplos que cita. Mas basicamente estou de acordo. Foi, aliás, por considerar que os crimes do passado não devem ser esquecidos nem minimizados (não faço, no texto, qualquer comparação) que publiquei este post.

  3. Estranho a presença da cabra.
    Numa ilha tão desertificada, com tão poucas árvores, deviam evitar ter cabras, que comem a vegetação toda e impedem o crescimento de árvores que, eventualmente, despontem.

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