Aquela Triste e Leda Madrugada, Carlos Mendes
(Álbum: Não Me Peças Mais Canções, 1994)
Aquela triste e leda madrugada,
Cheia toda de mágoa e de piedade,
Enquanto houver no mundo saudade
Quero que seja sempre celebrada.
Aquela Triste e Leda Madrugada, Carlos Mendes
(Álbum: Não Me Peças Mais Canções, 1994)
Aquela triste e leda madrugada,
Cheia toda de mágoa e de piedade,
Enquanto houver no mundo saudade
Quero que seja sempre celebrada.
Agarram-se ao passado para tentarem não se naufragarem.
Apenas dão cabo de tudo, e de si-próprios.
Os saudosistas, recombinacionistas e permutacionistas são o pior fado da vida.
A identidade só se preserva com a construção de um futuro, de um projecto.
O passado é o caminho para a morte de aquilo que se é, e da possibilidade da sua continuidade.
E eu a pensar que o caminho para a morte era o futuro, e afinal é o oposto.

O caminho para a decisão sobre se se quer continuar (viver no futuro), ou se não (morrer) obriga, primeiro, a possuir a «propriedade física SAP3i».
Só depois de se obter a «propriedade da eternidade» é que se pode decidir se se quer continuar ou não.
Até lá, nada nem ninguém sabe o que é, onde está, e para onde vai.
Morrer a viver o presente, como fazem estes saudosistas, é enganarem-se a si-próprios.
Até à obtenção da «propriedade SAP3i», para aqueles que vivem o presente a construí-la, a dita ‘morte’ é uma mera ‘transformação’.
O saudosismo (viver do passado, mesmo que travestido de ornamentos e floreados) é morrer a viver. É viver para morrer. É condenarem-se antecipadamente a nada.
Também está muito bem, gostei muito.
Mas gostei um bocadinho mais do Camané, tem aqueles “vibratos” fadistas que dão um toque especial à saudade, amores apartados e afins. E mais uma vez se comprova que a singeleza da guitarra portuguesa é o que melhor veste estes versos, de si pouco singelos.
Adorei e até me arrepiei… não conhecia. Lindo e sábio!
Ainda fica a faltar a composição do Janita.
Fica a faltar muita coisa. Calma. Esta série vai prolongar-se pelo menos por mais cinco meses.