Cantar Camões (18)


Pedro Correia,

Aquela Triste e Leda Madrugada, Carlos Mendes

(Álbum: Não Me Peças Mais Canções, 1994)

 

Aquela triste e leda madrugada,
Cheia toda de mágoa e de piedade,
Enquanto houver no mundo saudade
Quero que seja sempre celebrada.

8 comentários em “Cantar Camões (18)”

  1. Agarram-se ao passado para tentarem não se naufragarem.
    Apenas dão cabo de tudo, e de si-próprios.
    Os saudosistas, recombinacionistas e permutacionistas são o pior fado da vida.
    A identidade só se preserva com a construção de um futuro, de um projecto.
    O passado é o caminho para a morte de aquilo que se é, e da possibilidade da sua continuidade.

      1. O caminho para a decisão sobre se se quer continuar (viver no futuro), ou se não (morrer) obriga, primeiro, a possuir a «propriedade física SAP3i».
        Só depois de se obter a «propriedade da eternidade» é que se pode decidir se se quer continuar ou não.
        Até lá, nada nem ninguém sabe o que é, onde está, e para onde vai.
        Morrer a viver o presente, como fazem estes saudosistas, é enganarem-se a si-próprios.
        Até à obtenção da «propriedade SAP3i», para aqueles que vivem o presente a construí-la, a dita ‘morte’ é uma mera ‘transformação’.

      2. O saudosismo (viver do passado, mesmo que travestido de ornamentos e floreados) é morrer a viver. É viver para morrer. É condenarem-se antecipadamente a nada.

  2. Também está muito bem, gostei muito.
    Mas gostei um bocadinho mais do Camané, tem aqueles “vibratos” fadistas que dão um toque especial à saudade, amores apartados e afins. E mais uma vez se comprova que a singeleza da guitarra portuguesa é o que melhor veste estes versos, de si pouco singelos.

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