Lianor, Amália Rodrigues
(Álbum: Fado Português, 1965)
Descalça vai para a fonte
Lianor pela verdura;
Vai formosa e não segura.
Lianor, Amália Rodrigues
(Álbum: Fado Português, 1965)
Descalça vai para a fonte
Lianor pela verdura;
Vai formosa e não segura.
Portugal…
Descalço vai para a ponte
Portugal pela negrura;
Vai falido e com amargura.
Nota – Conheci a Amália Rodrigues em 1970 ou em 1971. Aconteceu assim:
Eu tinha nove ou dez anos de idade e ía para o Jardim-Infantil Luso-Suíço
(actual Colégio Luso-Suíço), na Rua de Santo Amaro – à Estrela, em Lisboa,
onde estudava desde os três anos de idade (era a idade normal para entrar).
A Amália vivia na Rua de São Bento e andava por ali. Seriam quase nove horas
da manhã. Ou entre as oito e as nove. Por aí. Ela estava no fim da rampa da rua
que vai da Rua Dom Pedro V / Rua da Escola Politécnica até à Rua de São Bento.
Meteu-se comigo: “Que menino tão bonito. Para onde vai?”.
Eu: “Eu? Eu vou para a escola.” E continuei a andar. Atravessei a Rua de São Bento.
Subi uns metros da Rua de Santo Amaro e entrei no colégio da “Tante” Nora Marcos.
Quanto à Amália…
Nunca mais a vi.
A não ser na televisão.
“C’ est la vie.”
P. S.: Mistérios de Lisboa…
João Barros da Costa
Tudo o que Amália cantava soava bem, naquela voz inimitável que conseguia sempre arrancar mais um tom alto e longo, e com aquele sentimento sempre tão bem fingido que se diria mesmo sentido…
Ainda que fosse a cantar Camões em ritmo de cançoneta, como neste caso, ela conseguia introduzir efeitos e voltas que tornavam a cançoneta um prazer para o ouvido.
“Cançoneta” instrumentada por Jorge Costa Pinto que dirige, aqui, a Orquestra Filarmónica de Lisboa.
A canção é editada em 1965 no EP Amália Canta Luís de Camões. 35A&list=RDiSsJ5cJ135A
Só aparece no álbum Fado Português na edição aumentada de 2015.
Esta inclui ainda dela uma gravação inédita:
https://www.youtube.com/watch?v=iSsJ5cJ1
O Fanhais tem uma canção que utiliza o mesmo mote, mas parte depois para outras voltas.