Diário de viagem: Capítulo 8


Maria Dulce Fernandes,

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Depois de um par de horas para refeição e refrescar a mente e o corpo com um mergulho na piscina, voltámos ao programa e embarcámos numa felucca, pequeno barco à vela típico do rio Nilo. Elegantes e leves dada a sua construção em madeira, as feluccas deslizam pelo rio ao sabor do vento e da maré. As pequenas viagens são fantásticas e ajudam a relaxar, embaladas também pelo canto doce dos barqueiros e dos “surfistas cantores”, que ziguezagueiam pelo meio dos barquinhos, sem temer o rio ou a sua fauna.

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Próxima paragem: a “Nuba”. Mas porque a viagem não se pode fazer em felucca por o rio ser, naquela zona, forte em redemoinhos e pequenos rápidos, foi necessário mudar da embarcação  à vela para outra com motor. Não foi pera doce. Os barcos tinham de ficar lado a lado no meio do rio, “ligados” por uma estreita prancha de madeira e nós tivemos literalmente de “andar pela prancha” para fazer o transbordo. Não foi uma experiência mesmo nada agradável na altura, mas depois de acalmar o nervoso miudinho, admito que foi excitante e muito engraçado. Pena que ninguém filmou, preocupados que estávamos a tentar manter o equilíbrio.

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Em navegação ronceira, passámos pelo Old Cataract Hotel, pela Ilha Elefantina e o Mausoléu de Aga Kahn, sempre rodeados pela deliciosa e envolvente paisagem em ambas as margens.

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Alcançámos finalmente a “Nuba” de Gharb Soheil. Após 15 minutos de triciclo motorizado, chegámos ao “pé” do Sahara, onde o verde acaba e a imensidão do deserto começa, e onde as paisagens deslumbram pela marcante transição.

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A cultura núbia na aldeia, apesar da modernização, conseguiu preservar uma identidade única e as tradições ancestrais. O povo núbio é conhecido pela sua hospitalidade calorosa e pelo amor pela arte e pela música. Criam os próprios artigos de artesanato ao mesmo tempo que criam crocodilos e nos presenteiam com bebidas de tamarindo extraordinariamente refrescantes.

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Com o dia a fugir e a dar lugar àquela  hora mágica do entardecer, regressámos ao navio com os sorrisos mais satisfeitos de toda a viagem até então.

Esperava-nos mais um amanhã cheio de actividade e também longas viagens de autocarro, pelo que o recolher foi a opção em detrimento de mais uma louca “Noite Árabe”, a bailar pela noite fora.

Diário de viagem: Capítulo 7


Maria Dulce Fernandes,

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Em Aswan, de manhã bem cedinho, antes mesmo de os Martinetes praticarem a sua famosa “imobilidade” de aves de presa, deixámos o navio para a nossa primeira visita do dia, a “pedreira” do obelisco. O Obelisco Inacabado, trabalhado em granito rosa, é o maior exemplar esculpido que existe, e que apesar de nunca ter sido concluído, traz alguma luz sobre as técnicas de construção e estatuária no Antigo Egipto, um conjunto bem montado de cunhas, declives, canais e barcaças. Foi encomendado no reinado da faraó Hatshepsut e teria cerca de 45 metros de altura se tivesse sido terminado.

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Da pedreira seguimos para a Barragem Alta e o Lago Nasser, um dos maiores lagos artificiais do mundo, que se estende por cerca de 500km. Rico em biodiversidade, alberga também cerca de 65000 crocodilos do Nilo, espécie que já esteve em vias de extinção e é essencial ao bom equilíbrio do ecossistema.

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A Grande Barragem de Aswan, uma das maiores do mundo, desempenha um papel fundamental no desenvolvimento do país. Inaugurada em 1970, a barragem, além de controlar as inundações do Nilo, gerar energia hidroelétrica e fornecer água para irrigações agrícolas, teve também impactos socio-ambientais significativos, incluindo a relocação de comunidades e mudanças nos ecossistemas locais.

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De volta à cidade, dirigimo-nos ao embarcadouro dos pequenos barcos a motor, que transportam passageiros, principalmente turistas, de Aswan até à Ilha Angilika, local para onde foi transladado o templo originalmente erigido na ilha de Philae e que ficou submerso após a construção da Grande Barragem.

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O Templo de Philae é uma preciosidade. É hoje Património Mundial da UNESCO e foi dedicado à Deusa Ísis. É famoso pela sua fantástica arquitectura e por ter sido um importante centro de culto durante os períodos helenístico e romano, rodeado pelo misticismo dos rituais lá praticados.

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Voltámos a Aswan e aos 40⁰ C à sombra daquele Março que antecipava um Verão escaldante para uma incursão ao reino das essências perfumistas que estão na base de todos os perfumes de todas as marcas até hoje fabricadas. De regresso ao navio e com algumas horas livres para almoçar e tentar amenizar todas as emoções numa “fresquinha”, preguiçámos na sombra quente do convés superior. 

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A manhã foi muito bem aproveitada e os passeios nos barquinhos anteciparam a vontade para a próxima saída pelo rio, desta vez em felucca, marcada para essa tarde.

Até já.