Do incumprimento da lei


Pedro Correia,

 

27 de Novembro de 2021:

Reaprovados todos os actos do Chega ilegalizados por decisão do Tribunal Constitucional.

11 de Novembro de 2022:

Tribunal Constitucional volta a chumbar estatutos do Chega. Motivo? A «significativa concentração de poderes» em André Ventura.

17 de Outubro de 2024:

Tribunal Constitucional invalida eleição de órgãos na penúltima convenção do Chega.

4 de Junho de 2025:

Órgãos do Chega estão ilegais, diz o Tribunal Constitucional.

21 de Julho de 2025:

Eleições internas do Chega inválidas: Tribunal Constitucional rejeita recurso do partido.

24 de Julho de 2025:

Órgãos nacionais do Chega considerados inválidos pelo Tribunal Constitucional.

Produções Ventura


Teresa Ribeiro,

Dias depois da exibição do célebre vídeo apresentado por Ventura, que pretendia enxovalhar os outros partidos da Assembleia da República mostrando os seus gabinetes vazios, ficamos a saber do assalto ao Chega. Do caos das imagens mostradas ressalta o quadro de Nossa Senhora no chão, com o vidro intacto e o terço elegantemente sobreposto. Parece um milagre o quadro da santinha ter resistido à fúria dos vilões – certamente maçons ou comunas, caso contrário não teriam derrubado a imagem – sem um arranhão. Para os devotos do partido que diz representar as pessoas de bem, esta imagem vale mais que mil palavras, atestando a ligação que o seu querido líder diz ter com o reino dos céus. O problema é que para quem não acredita em milagres, a tentação de associar o tal vídeo mentiroso, que mostrava os gabinetes dos outros partidos às moscas, a um assalto tão proveitoso do ponto de vista da comunicação política, é enormíssima.

O Mancha Negra volta a atacar


Pedro Correia,

Sempre com o mesmo alvo. Já tentou “envenená-lo” em Tavira. Já tentou “atingi-lo a tiro” em Famalicão. Já tentou “agredi-lo” no hospital de Faro. Agora “furta-lhe documentos importantíssimos” do gabinete que ele deixou aberto, sem tranca nem cofre. Trabalho profissional, sem dúvida. Virando tudo do avesso, certamente para induzir em erro os investigadores: só um amador primário se comporta assim.

O Mancha Negra voltou a atacar. Pela calada da noite, desta vez disfarçado de “senhora da limpeza”. Noutro tempo estaria disfarçado de mordomo, mas eles no Chega detestam mordomias.

Andy Ventura na caça ao voto: descubram as diferenças


Pedro Correia,

Ontem de manhã, em Londres:

Novo Governo britânico, liderado pelo trabalhista Andy Burnham, anuncia que vai abolir o IVA sobre a electricidade no próximo Inverno.

Ontem de tarde, em Lisboa:

Chega anuncia que vai propor o fim do IVA na electricidade e quer a medida em vigor a partir de 1 de Janeiro de 2027.

 

O partido de Ventura anda cada vez mais parecido com um aluno cábula: copia o mais possível, à esquerda e à direita. Dá menos trabalho e bastante jeito: é uma forma fácil de caçar votos.

Nunca faz contas. Nunca avalia as consequências. Nunca procura sequer um fio de coerência nas propostas que vai lançando para o ar, em plágio descarado, sem pagar direitos de autor.

Por vezes a pressa é tanta que nem espera pelo dia seguinte: bastam horas para que o decalque das propostas alheias ribombe na praça pública. Aconteceu agora, acontecerá as vezes que for preciso.

Credibilidade? Esqueçam: um populista assanhado como ele não pensa em tais minudências. Continuará a roubar ideias a uns e outros à velocidade da luz. Sem IVA.

Pacote laboral derrubado pela Cheringonça


Paulo Sousa,

Na sexta-feira passada, o pacote laboral foi derrubado pela Cheringonça. Toda a esquerda celebrou esta derrota do governo. As forças situacionistas, PCP, Livre, BE, PAN, PS, JPP e Chega, uniram-se para impedir uma reforma do mercado de trabalho.

Bem sabemos como o Chega tem como única convicção conseguir chegar ao poder. Para isso está disposto a afirmar tudo e o seu contrário, a ser favorável a tudo e a nada, e até a unir-se ao Bloco e ao PCP. Os que defenderam o parlamentarismo que sustentou a Geringonça original mudaram de convicção quando exigiram linhas vermelhas que ostracizassem o Chega. Agora emocionam-se ao ver o Ventura de punho fechado na mesma luta que a CGTP. O PS, sem reacção, assiste à entrada do Chega pelo seu eleitorado adentro, como se estivesse a viver um acidente rodoviário em câmara lenta. O governo não vai perder a oportunidade para se vitimizar. Olhando para a insuficiência das medidas propostas, é fácil de ver que o impulso reformista já era fraco. Assim, evitou a normal urticária causada pelas mudanças e ganhou uma narrativa, não governa porque não o deixam.

Eu, que me lembro do pequeno Tavares sugerir que, por considerar o Chega um partido anti-democrático, os seus mandatos deveriam ficar fora das contas normais para alianças governativas, tenho de me rir com a celebração deste chumbo pelo grupo agora mais alargado de compagnons de route. Foi mais um momento em que pudemos assistir a pinos, reviravoltas e abraços improváveis. Ignorando as consequências negativas para o futuro dos portugueses, a política tem momentos engraçados.

A diferença


Pedro Correia,

raquel.jpg

Muitos comentam de manhã à noite nas televisões. Quase sempre trocando os factos por “cenários”: os canais de informação estão cheios de gente que confunde fantasia com realidade. É a tal bolha mediática agora tão em voga: falam uns para os outros, repetindo o que já ouviram noutros espaços de palração e emitindo palpites em coro que muitas vezes saem furados.

Aconteceu a propósito das alterações à lei laboral apresentadas pelo Governo no parlamento. Terça-feira à noite, na SIC Notícias, um desses bitaiteiros que nunca têm dúvidas e raramente se enganam garantia saber como tudo iria passar-se: «É evidente que André Ventura vai viabilizar o maior ataque feito aos trabalhadores desde a tróica.»

Ao fim da tarde de quinta-feira, na mesma estação, outro tudólogo declarou sem hesitar: «Surpresa nenhuma. Sempre disse, neste estúdio, que este pacote laboral seria aprovado pelo Chega.»

Valha a verdade que alguém remou em direcção contrária, expressando elementar bom senso. Alguém que consegue ver para lá da espuma dos dias e não confunde fezadas com factos. Refiro-me a Raquel Abecasis, também comentadora da SIC Notícias, que nessa tarde de quinta advertiu em tom esclarecido e precatado: «Vamos ver… com o André Ventura até ao lavar dos cestos é vindima.»

A advertência ficou registada. E tinha plena razão de ser, como se confirmou cerca de 17 horas depois, quando os deputados do Chega se uniram às bancadas parlamentares da esquerda no voto contra o chamado “pacote laboral”.

Raquel fez a diferença. Quem sabe, sabe. Quem não sabe, proclama “verdades” absolutas como se Ventura não fosse o cata-vento que todo o País já conhece. Todo? Não: na tal bolha mediática muitos continuam a levá-lo a sério, nem imagino porquê. E a espalhar-se ao comprido por causa disso.

Como no célebre western de John Ford, preferem imprimir a lenda em vez do facto.

Entregar o ouro ao bandido: o santossilvismo da vice-presidente Teresa Morais


jpt,

Bate-boca' entre Ventura e vice-presidente da Assembleia interrompe debate  quinzenal - Expresso

Não se pode dizer que Teresa Morais, vice-presidente da AR, seja uma “wokista” (a invectiva da moda), uma “marxista cultural” (como há pouco se dizia), içada a deputada pelo demagogo LIVRE, ou militante do pré-defunto BE ou criatura do frentista PS de Pedro Nuno Santos… Pois foi ministra do “malvado”, “neoliberal” (e até “fascista”) governo de … Passos Coelho.

Ontem, presidindo à Assembleia, entrou em conflito com o CHEGA. E (catástrofe!) acabou a falar de dedo em riste!!! Os deputados daquele partido assumiram-se ofendidos e, em uníssono estardalhaçante, abandonaram aquele “ninho de lacraus” (como dizia o UDP Américo Duarte), “a casa da bandalheira”, dirão eles… Decerto que nisso colhendo “louros” (impacto popular).

Ventura&CHEGA são irritantes, demagogos, por vezes falsários? Sim. São insuportáveis? À mesa, talvez. Na cama, porventura. Nos transportes ou nas filas dos serviços públicos, com toda a certeza. Nos aniversários dos netos ou dos vizinhos, ainda mais. Na Assembleia da República? Não. Aí são suportáveis: foram eleitos.

Assim, a presidência da Assembleia pode-se irritar com os argumentos alheios. Mas não pode esticar o dedo, e entrar na peleja entre bancadas.

No caso de ontem também por razões substantivas: Ventura atirou haver deputadas que preferem proteger os violadores a legislar uma coisa qualquer que ele tem em manha, perdão, em mente. É uma atoarda? Sim. Mas não compete à presidência andar à cata de atoardas e criticá-las. Se alguém atirar ao PCP que deseja “campos de concentração” como em vários dos seus aliados históricos (a China actual, por exemplo), isso é uma atoarda, não sustentada em “factos”. Morais intervirá, de dedo em riste? Se alguém acusar a bancada da IL de querer “destruir o SNS”, abandonando os pobres à fúria dos elementos? É uma atoarda política. Será que Morais intervirá no debate? E não se invoque a “defesa da honra” dos invectivados – só uma pobre “moral” de catequese poderá pensar pior a invectiva de Ventura do que as outras hipotéticas (mas plausíveis) que aqui avento.

Pior, Morais mete-se na rixa retórica, clamando descrer que haja ali, na AR, mulheres querendo obscurecer “violadores” – o cabeçalho atirado por Ventura. Ora, se julgou apropriado intervir deveria ter rodeado a atoarda (estratégica) e afirmado a crença de que nenhum deputado da AR o pretende fazer. Descentrando a questão das mulheres deputadas, como se estas por o serem sejam mais ofensíveis. Assumindo uma realidade: a nossa sociedade comporta imensas mulheres que protegem/escondem violadores. Algumas (presumo) por participação económica no lenocínio. As outras pois silenciosas (por subjugação, na maioria dos casos) do que sofrem e veem sofrer. Às mãos, na maioria dos casos (a crer na “imprensa de referência”, os antes ditos tablóides), não de malvados imigrantes mas de portugueses “de bem”. Ou seja, a condição de “deputada” não apela a nenhuma defesa específica da sua “honra”. Neste caso ou noutro.

Mas para além da intervenção de Morais ter sido descalibrada o problema fundamental é outro: estratégico. Todos vimos como o pretenso maquiavélico Santos Silva usou a presidência da AR, barafustando com o CHEGA sempre que podia, tentando catapultar-se como futuro presidente, encarnação de uma “democracia”, da “alma” do regime democrático. A carreira política acabou-se-lhe! E o CHEGA por ele afrontado na AR medrou, vitimizando-se diante da “bandalheira” (socrática, naquele caso). O que Morais fez agora foi um decalque do santossilvismo. E já devia saber que é contraproducente.

Recentemente houve três exemplos, díspares, de como enfrentar o desbocado ímpeto venturiano: nos debates eleitorais António Filipe, Cotrim Figueiredo, António Seguro. Nenhum deles se imaginou um cavaleiro de dedo em riste contra Ventura. A bancada do PSD tem de recuperar essas gravações e passá-las à vice-presidente.

Pois intervenções como as de ontem são adubo para… o capim CHEGA. Forma de entregar o ouro ao bandido.

(Postal também no meu “O Pimentel“, onde coexiste com textos mais pessoais)

Tudo e o seu contrário ou talvez não


Pedro Correia,

 

Em Agosto:

André Ventura exige demissão imediata da ministra da Administração Interna, Maria Lúcia Amaral, no meio do combate aos fogos florestais.

 

Em Fevereiro:

André Ventura defende que ministros não devem sair do Governo quando é mais preciso: demissão de Maria Lúcia Amaral é sinal de desorientação.

Twilight zone


Pedro Correia,

twone.jpg

 

«Lideramos a direita em Portugal.»

André Ventura na noite eleitoral (8 de Fevereiro)

«É justo dizer que os portugueses nos colocaram no caminho para governar este país.»

Idem

«Vamos em breve governar este país.»

Idem

«Com grande parte do País, da Europa e do mundo contra nós, com Bruxelas contra nós, com todos contra nós, conseguimos o melhor resultado de sempre.»

Idem

«Fomos os grandes vencedores da direita em Portugal.»

Pedro Pinto, líder parlamentar do Chega, na mesma noite

Imaculadamente virgem


Pedro Correia,

dventura-andre-ventura-4-scaled.webp

 

André Ventura, em nove anos de carreira política, não venceu nada.

Concorreu em 2017, pelo PSD, à presidência de uma Câmara Municipal (Loures) e perdeu.

Concorreu em 2019 ao Parlamento Europeu, pela coligação Basta!, e não conseguiu ser eleito. Cinco anos depois, o Chega ficou em terceiro nas europeias.

Encabeçou o seu partido em quatro eleições legislativas (2019, 2023, 2024, 2025) e não ganhou nenhuma.

Apresentou o Chega em três eleições regionais na Madeira (2023, 2024, 2025) e outras tantas nos Açores (2022, 2024, 2025), sempre com insucesso.

Viu o partido sair globalmente derrotado dos escrutínios autárquicos de 2021 e 2025.

Concorreu a três rondas de duas eleições presidenciais (2021 e 2026) sem poder cantar vitória.

Balanço: 18 derrotas.

Há quem o imagine vencedor: é puro equívoco. Ele permanece em estado de imaculada virgindade nessa matéria.

Mentem, mentem, mentem


Pedro Correia,

 

Carta aberta anti-Seguro inclui assinaturas falsas de Passos, Cavaco e Marcelo.

 

Redondamente falso, o suposto apoio público de Ronaldo, Herman e Lli Caneças a Ventura.

 

Apoio da Maçonaria a Seguro difundido por deputado do Chega jamais existiu.

 

Vídeo que Frazão partilhou nas redes com um indivíduo de faca no metro não é de Portugal.

 

Alerta para invasão de homens armados em escola da Trafaria não passou de invenção.

 

Totalmente falso, o “apelo” de Manuel Luís Goucha para votarem em Ventura.

 

Miguel Esteves Cardoso nunca escreveu texto elogioso sobre o presidente do Chega.

 

Ventura inventou “vitórias” eleitorais na Bélgica e na Alemanha, onde ficou em segundo.

Os aldrabões


jpt,

Chega, Chega, Chega, Chega, Chega, Chega, Chega, Chega, Chega, Chega


Pedro Correia,

SIC.jpg

CNN.jpg

 

Ontem à tarde acompanhei, em dois canais de notícias, debates pós-eleitorais com vários comentadores a analisar as autárquicas. Em ambos o Chega “venceu” por maioria absoluta. Nenhum outro teve sequer um tempo de antena aproximado. 

O debate da SIC Notícias durou 26 minutos. Período em que o Chega foi mencionado 52 vezes (uma a cada 30 segundos), deixando todos os outros a larga distância. O segundo foi o PS (24 vezes) e o PSD fechou o “pódio” (12 vezes). Os restantes? Bloco de Esquerda seis vezes, AD cinco, CDS três, PCP uma.

O debate da CNN Portugal durou 19 minutos. Com domínio ainda mais esmagador do partido de André Ventura: mencionado 44 vezes. Aqui também o PS em segundo (18 vezes). Depois o BE com sete, o PSD com apenas três. A conta completou-se com singelas menções à AD e ao Livre: uma cada.

Nada mais.

 

Assisto, perplexo, a este frenesim comentadeiro em torno do Chega nos mesmos canais que passam o tempo a “denunciá-lo”. Atracção e repulsa em simultâneo, com incompreensível desproporção face a outras forças políticas.

Ouvindo estes debates, dir-se-ia que Ventura foi o grande triunfador destas autárquicas em que afinal perdeu cerca de 800 mil votos na comparação com as legislativas de 18 de Maio e venceu em apenas três municípios, perdendo nos restantes 305. Dez vezes abaixo da marca que previu.

Em número de presidências de câmara, o Chega estacionou em sexto – atrás do PSD (135), do PS (128), dos movimentos independentes (20), da CDU (12) e do CDS (7). Contrariando em toda a linha o que Ventura anunciara poucos dias antes do escrutínio: seria «impensável» ficar abaixo de comunistas e centristas. Mas ficou. 

Não pode queixar-se, porém. Nos canais de notícias, os comentadores continuarão infatigavelmente a falar dele e do seu partido – dando-lhe palco, dando-lhe gás. Como se vencesse em toda a linha, mesmo quando perde. Como se os outros quase nem existissem, mesmo quando ganham. 

Nos intervalos, a tribo comentadeira queixa-se do “extremismo” e do “populismo”. Que vão medrando precisamente com o prestimoso auxílio destes canais.

Justiça e jornalismo, viveiros de populistas


Pedro Correia,

protesto-lula-677x450.png

Encerra hoje a campanha eleitoral para as autárquicas do próximo domingo. Ignorada em larga medida pela generalidade dos órgãos de informação, que adoptaram a mesma grelha editorial aplicada às eleições para a Assembleia da República. Vigora a lei do menor esforço: as equipas de reportagem seguem a agenda diária dos “líderes”, mesmo sabendo que nenhum deles é candidato a lugar algum neste escrutínio. Estão em Vinhais, Alcobaça ou Alhos Vedros integrados na comitiva dos caudilhos partidários como se caminhassem numa rua de Lisboa. Não fazem qualquer pergunta de âmbito local ou regional: só se interessam pela politiquice nacional.

Toda a campanha foi percorrida por temas laterais. Desde a ardilosa travessia mediterrânica da doutora Mortágua até ao famigerado “caso Spinumviva” – enésima intromissão do Ministério Público em campanhas eleitorais, repetindo o sucedido em Março. Na altura o tiro saiu-lhes pela culatra: a AD ampliou o elenco parlamentar e o PS sofreu a mais humilhante derrota da sua história. Faltam 48 horas para sabermos se isto vai repetir-se, desta vez no plano autárquico. 

Agora que tanto se fala em populismo, aqui fica o sucinto balanço desta campanha em que foi notória a falta de sintonia entre o país mediático e o país real. Tanto o manifesto desinteresse dos jornalistas pelo Portugal profundo como a crescente politização dos órgãos de investigação criminal apenas contribuem para o aumento das forças populistas que uns e outros dizem desprezar.

André Ventura certamente agradecerá: desta vez nem precisou de protagonizar nenhum psicodrama hospitalar para levar a água ao seu moinho. A desvalorização do carácter local e regional desta campanha beneficia o Chega, menos implantado no terreno do que as forças políticas tradicionais. E a instrumentalização de jornais e televisões pelas habituais fontes anónimas do Ministério Público contaminou fatalmente o debate político, induzindo a noção de que a “roubalheira” é endémica neste país carente de uma falange salvadora contra a “impunidade”.

Depois não se queixem.

Ó padrinho, queres ser meu ministro?


Pedro Correia,

RGS.jpeg

Grita contra o amiguismo, berra contra o nepotismo, clama contra o compadrio. Carregando sempre nos decibéis, como se fôssemos todos surdos.

E afinal quem acaba ele de escolher para putativo “ministro da justiça” do governo-fantasma? O seu padrinho de casamento. Não terá encontrado ninguém melhor lá na agremiação. Amiguismo e compadrio, ora pois. Daquele que corre para ser Presidente da República e primeiro-ministro ao mesmo tempo. Daquele que acusa outros de andar atrás de “tachos”.

Gabriel Mithá Ribeiro, que ficou a conhecê-lo, define-o em poucas palavras no momento em que se desvincula do grupo parlamentar do Chega: Ventura é «limitado pela intuição» e tem «discurso de taberneiro».

Digno afilhado de tal padrinho: estão muito bem um para o outro. 

Ele há coisas…


Cristina Torrão,

Ou seja, com esta história dos hambúrgueres, Ventura transformou a imagem de um Presidente tagarela e meio gagá, num Presidente simpático e bem visto, até pela esquerda. Os memes que se vêem, nas redes sociais, são todos muito generosos com Marcelo Rebelo de Sousa. Como se fosse ele o autor de um humor fino e descontraído. E isto, vindo de vários quadrantes políticos. É obra!

Estranhos companheiros de percurso


Pedro Correia,

aaav.jpg

 

A política faz estranhos companheiros de percurso. Um antigo fiel escudeiro do inenarrável Bruno de Carvalho no Sporting foi escolhido para candidato do Chega à Câmara Municipal de Lisboa por um antigo fiel escudeiro do imprestável Luís Filipe Vieira no Benfica. 

A clubite partidária une agora o que o fanatismo futebolístico separava. Mas nada garante que eles vivam felizes para sempre.