
«Muito recentemente, o embaixador Dan Negrea, representante dos EUA no Conselho Económico e Social da ONU, em discurso aí proferido, declarou com todas as letras que a invasão russa da Ucrânia tem sido um desastre estratégico, já que Moscovo não consegue atingir os seus objectivos no campo de batalha; e que a intensificação dos ataques não irá alterar a situação, só servindo para agravar o desastre; finalizando por concluir que esta guerra tem de terminar agora, já basta o que basta.
Claro que a solução da “pax à americana” continua a passar por retirar os apoios à Ucrânia e não por apertar mais o garrote ao Putin – mas o atestado de incompetência fica passado, de forma crua e directa: a invasão é um desastre estratégico sem remédio possível.
O facto relevante é que os “amigos americanos” estão a ficar não só impacientes mas mesmo aborrecidos com a inépcia militar russa, até porque não conseguem inventar mais nada para os ajudar: já sabotaram os ucranianos e os europeus de todas as maneiras possíveis mas, como diria o tal representante, o desastre só se agrava.
Tendo acordado tarde e em situação de imprudente fraqueza, a Europa, e não apenas UE, tem conseguido recuperar em marchas forçadas autonomia e firmeza.
Veja-se as conclusões da cimeira dos países nórdicos e bálticos em relação à Ucrânia e sua “adesão irreversível” à NATO e urgência de admissão na UE… Ou a fortificação acelerada de Gotland e respectivo domínio do Mar Báltico, nas barbas do Putin, que faz o quê, roer as unhas? Afinal, e graças a ele, a Suécia é membro da NATO e é a NATO que está em Gotland.
Se não há alternativa possível para a Europa demo-liberal a não ser embarcar nessa “nova ordem mundial” que lhe querem impor, pois que o faça em situação de força e não como despojo de civilizações regressivas, messiânicas, autocráticas e oligárquicas – de que, infelizmente, os EUA se tornaram mais um, e talvez o pior, dos exemplos.
Afinal, não há traição mais dolorosa do que daqueles que nos são mais próximos. Mas há que seguir em frente.»
Da nossa leitora Zebra. A propósito deste meu texto.



















