DELITO há cinco anos


Pedro Correia,

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Joana Nave: «Viver devagar. Abrandar o ritmo, saborear cada momento, colocar intenção e atenção em tudo o que fazemos. Parece tão simples, como utópico. Tão próximo, como distante.»

 

João Sousa: «Saudemos o 70.º aniversário de Michèle Mouton.»

 

Eu: «No final do mês de Junho de 1962, esteve um calor de rachar em Lisboa. Como comprova este relato de primeira página do Diário de Notícias sobre esse início da época estival, faz agora 59 anos. “Ontem, primeiro domingo de Verão, Lisboa ficou deserta e as praias estiveram à cunha…”, titulava o jornal na edição de 25 de Junho, ao estilo peculiar daquela época. Era um jornal de grande formato e com títulos quilométricos. Na foto principal via-se a praia de Carcavelos, repleta de banhistas. (…) Reparo nisto e penso: que diferença em relação ao que se passa nestes dias. O Verão entrou tristonho e enevoado, com aguaceiros, quase a imitar Outono. E no entanto em 1962 ainda não tinha sido “inventado” o aquecimento global, ao contrário do que sucede agora.»

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Pedro Correia,

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Eu: «Angela Merkel puxa as orelhas a António Costa, por motivos óbvios: o Governo português escancarou as portas ao turismo britânico na pior altura. E convém lembrar que tanto Costa como Augusto Santos Silva ainda reclamaram quando Boris Johnson pôs fim à via verde turística entre Londres e Lisboa. A história vem no Político: a chanceler alemã censura Portugal por ter permitido a entrada de turistas britânicos com a variante Delta. Eis a voz do bom-senso a falar. Infelizmente é necessário surgir alguém de fora para apontar com clareza o que está errado aqui. Como se não houvesse oposição em Portugal.»

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Pedro Correia,

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João André: «A verdade é que a vitória contra a Hungria não terá sido boa para Portugal. Não pela vitória, mas pelos números. Deram demasiada sensação de segurança. O facto de as substituições terem ajudado pode ter dado a sensação que a estratégia foi adequada e que deveria ser repetida. Contra a Alemanha correu mal. Portugal jogou o seu estilo de sempre e os alemães também. Nessas condições os vitoriosos são aqueles que repetem a estratégia mais bem sucedida. Aquela anunciada num telegrama alemão em 1886.»

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Maria Dulce Fernandes«Com os sucessivos confinamentos e limitações, a liberdade de poder percorrer o país, voar para fora e planear viagens, ficou na prateleira à espera de melhores dias.»

 

Paulo Sousa: «Que destino de emigração recomendariam a um jovem que não tenha medo de trabalhar?»

 

Eu: «Devem andar a brincar connosco, numa espécie de jogo do esconde-esconde que acaba de impor uma “cerca sanitária” de sexta a segunda em toda a Área Metropolitana de Lisboa, onde reside quase um terço da população do País. Depois de todas as garantias que nos transmitiram, ponderam agora fechar todo o País novamente? E como?»

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Pedro Correia,

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Paulo Sousa: «Usar sapatos, botas, sapatilhas, barbatanas, socas ou andar descalço, é apenas potencialmente perigoso ou dá direito a contra-ordenação?»

 

Eu: «Por estes dias disputa-se o Euro-2021. Maquilhado de Euro-2020, num dos mais chocantes atentados ao rigor informativo de que há memória. Em 2020, como ninguém ignora, o desporto foi posto à margem. Não houve Europeu nem Jogos Olímpicos, tudo ficou adiado para este ano. Mandaria o amor à verdade que este dado factual não fosse varrido para debaixo do tapete. Estranhamente, porém, ouvimos a todo o momento alusões a um “Euro-2020” que jamais existiu. Nos mesmos órgãos de informação que se proclamam paladinos da luta contra a desinformação.»

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Pedro Correia,

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Paulo Sousa: «O aumento da escolaridade obrigatória, que na essência e na intenção é uma medida positiva, acabou por inviabilizar o trabalho juvenil durante as férias escolares. Este tipo de trabalho foi durante muitos anos, e noutras paragens continua a ser, a forma de fazer um pé-de-meia para uma compra acima dos limites da mesada ou até como recurso de apoio às finanças familiares. O benefício desta prática legalmente extinta, alargava-se também às empresas, que conseguiam assim colmatar os normais transtornos que as férias de empregados causam às  suas rotinas.»

 

Sérgio de Almeida Correia: «Tal como era previsível desde há um par de anos na Região Administrativa Especial de Macau, tudo se conjugava para que a situação de convivência entre os dois sistemas da República Popular da China desmoronasse. Seria apenas uma questão de tempo e de retórica

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Cristina Torrão: «Vinte e oito anos depois faz-se justiça. Em Portugal, isto seria possível? O facto de o suspeito ter já 72 anos é-me indiferente. Até podia ter noventa! Crimes destes não podem ficar impunes. Não sou a favor da pena de morte, nem da castração química. Mas encontrar um assassino e responsabilizá-lo é essencial.»

 

José Meireles Graça: «Há por aí uns tipos conflituosos e problemáticos, sempre à cata de defeitos nas pessoas e organizações, com o propósito de, cascando-lhes, gratificarem o seu ego avantajado. Pela autoridade e seus argumentos têm pouco respeito; e, nos casos mais extremos, muito mais depressa erram pela sua cabeça do que acertam pela de outros. Pelos sítios por onde passam deixam um rasto de desconforto muitas vezes, compreensão algumas e, de longe em longe, melhorias. Sou um desses, tenham paciência. E, se não tiverem, que o Diabo vos carregue.»

 

Luís Menezes Leitão: «É muito comum países serem denominados por nomes que nada têm a ver com o seu nome oficial e que os seus cidadãos lhes dão e raramente os países aceitam receber outro nome nas suas designações oficiais. Assim, por exemplo, a Geórgia denomina-se na língua nativa Sakartvelo e a Grécia denomina-se em grego Hellas.»

 

Maria Dulce Fernandes«E cozinhar? A arte da culinária, a 12.ª arte? Muito provavelmente entrará em desuso, sendo apenas praticada na clandestinidade por um punhado de resistentes que se recusam a mandar vir.»

 

Eu: «Percebi que tal designação se havia tornado proibida quase da noite para a manhã. Ao ouvir transmissões desportivas, com narradores a repetirem “Países Baixos” mais de cem vezes num simples jogo de futebol. Como não há gentílico adequado à nova terminologia e o vocábulo “holandês” está igualmente interdito, todos repetem “Países Baixos” até à náusea. Podia ser uma expressão bonita, mas não. Dificilmente haverá algo tão inadequado para designar um país, à luz do nosso imaginário onomástico. Pus-me a pensar nesta aparente irrelevância e concluí que vivemos cada vez mais mergulhados em novos interditos e numa rede interminável de microcensuras. A tal ponto que nem damos conta.»

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Sérgio de Almeida Correia: «O processo de escolha do candidato do Partido Socialista à Câmara Municipal do Porto tem todos os ingredientes para se escrever um guião de um filme de terror.»

 

Eu: «Não sei o que me deixa mais perplexo. Se esta mania tão contemporânea de complicar o que é simples e alterar o que vem de longe, se a repetição mecânica da novidade em piloto automático, com todos a evitarem parecer fora de moda. Procuro no inefável Priberam se já inventaram gentílico alternativo ao tradicional holandês. (…) Nem rasto de “paisesbaixenses”“paisesbaixeses” ou “paisesbaixanos”. Conclusão: deixou de dizer-se Holanda, mas continua a haver holandeses – e nada mais que holandeses – nos denominados Países Baixos.»

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Pedro Correia,

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Maria Dulce Fernandes: «A missa de ordenação de novos padres começou e o Papa Francisco entrou com todo o séquito papal. Estava ali, mesmo ali, quase à distância de um braço. Chegados ao altar-mor, começaram a celebração que durou quase três horas. Chorei grande parte do tempo. No restante, cantei os cânticos com toda a emoção que uma estranha sensação de felicidade redescoberta me permitiu.»

 

Eu: «Como mais antigo aliado da Grã-Bretanha, servimos de barriga de aluguer para albergar a final da Liga dos Campeões disputada entre clubes ingleses. Fornecemos estádio e bebidas. Eles vieram sem máscaras, emborcaram hectolitros de cerveja – e uma semana depois retiram-nos dos destinos autorizados invocando o aumento de contágios cá na terra. Gente ingrata.»

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Pedro Correia,

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Francisco Almeida: «Nem festejos futebolísticos nem noitadas de copos, mas a base é semelhante: gente nova saturada a conviver em casamentos que estiveram adiados. E lá aumentam os números de Lisboa e Vale do Tejo.»

 

José Meireles Graça: «As boas sopas não são nem caras nem excessivamente difíceis de cozinhar, e portanto cabe perguntar por que razão os restaurantes não as fazem, nem têm variedade na oferta. O motivo é que o cliente típico não as pede, e a que têm na ementa é mais para o velho ocasional, ou a criança, ou o tipo que tem a dentadura num oito. Para o cliente ordinário não, que esse não sai de casa para comer uma sopa, credo.»

 

Luís Menezes Leitão: «Considero o corta-fitas um dos melhores blogues da blogosfera portuguesa. É por isso a minha escolha para blogue da semana.»

 

Eu: «Até 11 de Julho, irei acompanhar o Europeu de Futebol na medida do possível. Como fiz aqui em 2016. Está documentado. Euro-2021, para mim. Chamar-lhe Euro-2020 é fake news, como dizia o outro na sua linguagem rudimentar. Em 2020 estávamos encerrados, devido à pandemia: foi adiado o Europeu, foram adiados os Jogos Olímpicos. Não contem comigo para alimentar aldrabices ou reescrever a história.»

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Pedro Correia,

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Eu: «A solidão do indivíduo no universo, simbolizada na montanha altaneira e majestosa, obcecou Vergilio Ferreira durante largos anos. Foi tema recorrente na trajectória deste escritor, culminando na obra-prima que o consagrou em definitivo como pensador e ficcionista. Em Cântico Final (1960) alude à solidão voluntária, imposta por uma doença irreversível. Na magnífica Alegria Breve (1965) apresenta-nos um homem em extrema solidão física, no sentido literal, numa povoação abandonada. Em Para Sempre (1983) estamos perante um caso de solidão ontológica: o protagonista é confrontado com a velhice e o seu cortejo de reminiscências, pessoais e intransmissíveis.»

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Pedro Correia,

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João Pedro Pimenta: «Há uma epidemia nacional há muito espalhada e que contamina sobretudo comentadores de tv e treinadores de futebol. (…) Refiro-me obviamente à mania de começar as frases no infinitivo. Todos os dedos de todas as mãos do país seriam poucos para contar a quantidade de vezes que ouvimos frases começadas por “dizer que…”, “afirmar que…”, “realçar que…”, “assinalar que…”, “lembrar que…” e tantos outros verbos no infinitivo seguidos de “que” (se se lembrarem de mais avisem, que alguns fazem um resultado engraçado). Tal como a escrita rápida de sms, o acordo ortográfico e a linguagem neutra para “não ofender”, esta forma de falar é mais uma causa de empobrecimento da língua.»

 

João Sousa: «Alguém que pergunte a Ksenia Ashrafullina, pois será interessante saber, quais foram os jornalistas e/ou jornais que sabiam disto desde Janeiro e ficaram quietinhos. Terão sido os mesmos que, desde há anos, alaparam o seu volumoso traseiro nas caixas dos Panama Papers e pouco ou nada fizeram com eles?»

 

José Meireles Graça: «A pandemia não provocou qualquer crise, o que a provocou foram as respostas públicas, o que não cabe demonstrar aqui. A ideia de que os poderes públicos (isto é, políticos e funcionários) podem preparar “as pessoas e as empresas” para uma “economia global” é uma fantasia: quem nunca deu provas de ser capaz de dirigir um minimercado só por acaso pode produzir mais do que tretas – curiosas, eventualmente úteis se postas em monografias, e perigosas se transformadas em directivas.»

 

Paulo Sousa: «Com os canis municipais cheios, os cães errantes são cada vez mais. Agrupam-se por instinto gregário e à solta na natureza tentam sobreviver. Por isso, para saciar a fome, reúnem-se em matilha e assim conseguem melhores resultados. Multiplicam-se ao ritmo da natureza e não há forma legal de os travar. Não atacam selvaticamente os rebanhos, pois simplesmente tentam sobreviver. É a lei do mais forte, e essa o PAN nunca poderá abolir.»

 

Eu: «O alcaide alfacinha está desde ontem sob os holofotes da imprensa internacional. Por um péssimo motivo.»

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Eu: «Emmanuel Macron foi esbofeteado terça-feira, no Sudeste de França, por um sujeito que claramente não se inclui entre os seus admiradores.  No seu habitual estilo pomposo e grandiloquente, a imprensa gaulesa apressou-se a sentenciar que esbofetear o Presidente “é como esbofetear a França”. Andam muito sensíveis. Nem parecem pertencer ao mesmo povo que noutros tempos erguia cadafalsos e  guilhotinava reis.»

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Pedro Correia,

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José Meireles Graça: «Quando Daniel daniela, fico de pé atrás. Porque o moço, que aliás estimo desde os tempos longínquos em que perorava no Arrastão, prestigiado blogue do qual eu era, como comentador, um dos poucos reaccionários residentes, costuma ter muita razão à primeira vista, e bastante menos à segunda.»

 

Paulo Sousa: «[Fernando Medina] arregaçou as mangas e enviou um email à “Embaixada da Federação Russa e ao Ministério do Estrangeiro Russo(!)” exigindo que apagassem os dados pessoais dos organizadores da manifestação. O Noddy no país dos brinquedos não faria melhor. Os russos sabem bem que se não apagarem os dados, o Noddy irá chamar o Sr. Lei e para lhes dar uma lição.»

 

Eu: «Sabemos de certeza absoluta que o desconfinamento se tornou mesmo realidade quando revemos uma popular figura que há muito andava arredada dos ecrãs. Refiro-me àquele cidadão a quem costumam chamar “Emplastro”: parece imitar um papagaio de pirata, salvo seja, por ter aquele estranho hábito de aparecer empoleirado no ombro de um repórter.»

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Pedro Correia,

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Paulo Sousa: «O mundo observado por apenas um individuo é um mundo amputado da contribuição das observações dos outros indivíduos. Por isso, alguém que tenha de avaliar sozinho o que o rodeia, e depois decidida com base no que observou, corre um enorme risco de tomar decisões erradas.»

 

Eu: «Há leis que deviam envergonhar os legisladores. Se essas leis são aprovadas na Assembleia da República sem sequer um honroso voto contra, a vergonha aumenta. E quando o Presidente da República – supremo vigilante dos direitos, liberdades e garantias – as promulga sem sombra de hesitação, a vergonha redobra. Aconteceu a 17 de Maio, com a aprovação da Lei 27/21 no hemiciclo de São Bento – um diploma com o pomposo (e algo ridículo) título de Carta Portuguesa de Direitos Humanos na Era Digital. Com votos favoráveis do PS, PSD, BE, CDS e PAN, e abstenções do PCP, PEV, IL e Chega. No seu artigo 6.º, esta Lei condiciona a liberdade de imprensa, tornando-a pasto de tentações autoritárias de qualquer governo de turno. Cinicamente, a pretexto do reforço do exercício da cidadania e do jornalismo.»

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Pedro Correia,

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José Meireles Graça: «O Movimento Europa e Liberdade apresenta-se como “um grupo de cidadãos independentes ou militantes, simpatizantes e eleitores, unidos pela construção de um horizonte de futuro para Portugal e pela dignificação da imagem política na sociedade Portuguesa”. Temos a burra nas couves: a construção de um horizonte de futuro é coisa de má publicidade de um empreendimento de construção civil; e a dignificação da imagem etc. é uma frase redonda significando nada.»

 

Sérgio de Almeida Correia: «O mal está feito e será de muito difícil reparação na próxima década. Se é que não será já de todo impossível.»

 

Zélia Parreira: «Tanta conversa sobre vacinas, marcas, efeitos secundários, marcações e filas de espera, e nem uma palavra para nos preparar para o choque de sermos confrontados com a nossa mortalidade. A umas míseras, porém admiráveis, gotas de distância.»

 

Eu: «Vai agora por aí um enorme alarido no combate às aldrabices – a que alguma intelectualidade indígena, sempre pronta a agachar-se perante a última moda “amaricana”, chama fake news sem sequer reparar que foi Donald Trump a popularizar tal expressão. Põem-se aos gritos insistindo na institucionalização de mecanismos de confirmação de factos – a que adoram chamar fact check, como se fôssemos todos “amaricanos” – esquecendo que a produção jornalística é, toda ela, constituída por confirmação de factos. Quando essa confirmação é omitida não existe jornalismo mas aldrabice (insisto no termo).»

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Pedro Correia,

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Eu: «Sim, o Governo trata os portugueses como cidadãos de segunda: sentimo-nos como gente estranha na nossa própria terra. Isto tornou-se evidente quando as autoridades sanitárias viabilizaram a presença de público no jogo Chelsea-Manchester City, enquanto interditavam o acesso, mesmo muito limitado e circunscrito a pessoas devidamente testadas, de espectadores à partida final do campeonato nacional de râguebi, realizada no Jamor. A federação da modalidade fez um pedido formal, prontamente recusado pela DGS. Alegando razões de saúde pública inexistentes no desafio do Porto, também ocorrido a 29 de Maio. Mesma data, mesma entidade pública, duas deliberações de carácter oposto: 500 portugueses proibidos de aceder às bancadas do Estádio Nacional, 16.500 ingleses autorizados a ver a final da Liga dos Campeões no Estádio do Dragão. Uma discriminação totalmente intolerável.»

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Pedro Correia,

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Luís Menezes Leitão: «”We have no eternal allies, and we have no perpetual enemies. Our interests are eternal and perpetual, and those interests it is our duty to follow”, Lord Palmerston, primeiro-ministro Inglês, discurso no Parlamento a 1 de Março de 1848. Passados 173 anos, a doutrina Palmerston permanece actual.»

 

Paulo Sousa: «Já sabíamos que algo diferente estava a acontecer. Quando o processo de vacinação foi entregue à responsabilidade do Vice-Almirante Gouveia e Melo, mais do que ter entrado nos eixos, todo a dinâmica subiu a um nível de excelência num serviço público, a que infelizmente não estamos habituados.»

 

Eu: «Urge combater o esquecimento a que este romance vem sendo votado. Porque é uma das mais sólidas e poderosas ficções do século XX escritas no nosso idioma. Uma espécie de O Leopardo à portuguesa: relato de um mundo pronto a ruir e outro prestes a começar, na vastidão rural do Ribatejo. Entre o Ultimato britânico de 1890 e a débil república recém-implantada, entre a aristocracia agrária e a modernidade que se fazia anunciar por fábricas e linhas férreas, despertando o País dum torpor de séculos. Quando Portugal se resumia a Lisboa e a mudança de tutores políticos era comunicada por telégrafo às restantes parcelas do torrão pátrio. Barranco de Cegos é uma emocionante parábola sobre esta encruzilhada de regimes centrada numa família de agrários na fictícia aldeia de Aldebarã, que foi germinando a partir da casa original, o Palácio da Mãe-do-Sol.»