
Cristina Torrão: «Vinte e oito anos depois faz-se justiça. Em Portugal, isto seria possível? O facto de o suspeito ter já 72 anos é-me indiferente. Até podia ter noventa! Crimes destes não podem ficar impunes. Não sou a favor da pena de morte, nem da castração química. Mas encontrar um assassino e responsabilizá-lo é essencial.»
José Meireles Graça: «Há por aí uns tipos conflituosos e problemáticos, sempre à cata de defeitos nas pessoas e organizações, com o propósito de, cascando-lhes, gratificarem o seu ego avantajado. Pela autoridade e seus argumentos têm pouco respeito; e, nos casos mais extremos, muito mais depressa erram pela sua cabeça do que acertam pela de outros. Pelos sítios por onde passam deixam um rasto de desconforto muitas vezes, compreensão algumas e, de longe em longe, melhorias. Sou um desses, tenham paciência. E, se não tiverem, que o Diabo vos carregue.»
Luís Menezes Leitão: «É muito comum países serem denominados por nomes que nada têm a ver com o seu nome oficial e que os seus cidadãos lhes dão e raramente os países aceitam receber outro nome nas suas designações oficiais. Assim, por exemplo, a Geórgia denomina-se na língua nativa Sakartvelo e a Grécia denomina-se em grego Hellas.»
Maria Dulce Fernandes: «E cozinhar? A arte da culinária, a 12.ª arte? Muito provavelmente entrará em desuso, sendo apenas praticada na clandestinidade por um punhado de resistentes que se recusam a mandar vir.»
Eu: «Percebi que tal designação se havia tornado proibida quase da noite para a manhã. Ao ouvir transmissões desportivas, com narradores a repetirem “Países Baixos” mais de cem vezes num simples jogo de futebol. Como não há gentílico adequado à nova terminologia e o vocábulo “holandês” está igualmente interdito, todos repetem “Países Baixos” até à náusea. Podia ser uma expressão bonita, mas não. Dificilmente haverá algo tão inadequado para designar um país, à luz do nosso imaginário onomástico. Pus-me a pensar nesta aparente irrelevância e concluí que vivemos cada vez mais mergulhados em novos interditos e numa rede interminável de microcensuras. A tal ponto que nem damos conta.»