![800[1].jpg 800[1].jpg](https://fotos.web.sapo.io/i/Ba912d104/20160966_SacjO.jpeg)
Tínhamos tudo contra nós. Jogávamos em casa da selecção adversária, perante um público maioritariamente hostil e tradicionalmente muito arrogante. Éramos apontados como “patinho feio” em todas as casas de apostas desportivas. Para cúmulo, vimos o nosso melhor jogador – e melhor jogador do mundo – inutilizado a partir do minuto 8 por falta que o árbitro entendeu não assinalar.
Mas soubemos resistir a todas as adversidades. Abdicámos do tradicional futebol-espectáculo que durante décadas nada mais nos trouxe senão umas quantas “vitórias morais” e trouxemos para Portugal o mais cobiçado troféu até hoje conquistado pelo futebol português: o Campeonato da Europa ao nível de selecções seniores, arrebatado na épica final do Parque dos Príncipes, em Paris.
Aconteceu a 10 de Julho de 2016.
Como de costume, não faltaram desde o início os profetas da desgraça ao nível do comentário desportivo, prontos a vaticinar o desaire da equipa das quinas. Um desses comentadores destacou-se mesmo por ir criticando sempre a exibição dos jogadores comandados por Fernando Santos.
«A selecção nacional está transformada no clube do Ronaldo», começou por dizer (19 de Junho) esse idiota, corporizando todos os Velhos do Restelo cá do burgo. Uma semana depois (26 de Junho) proclamava com gravidade perante das câmaras da estação televisiva que lhe serve de palco: «Nós ainda não entrámos no campeonato da Europa! Nós ainda não entrámos no campeonato da Europa!» Dias depois (2 de Julho), assinalava: «Nada do que aconteceu neste Campeonato da Europa deve ser considerado um êxito, bem pelo contrário.» A uma semana do jogo decisivo (3 de Julho), não encontrou nada melhor para dizer senão isto: «Eu só dou grande mérito a Portugal quando ganhar a final.» Ainda antes da final (6 de Julho), torcia pelos nossos adversários: «A França é uma equipa que me encanta.» No fim de tudo (11 de Julho), lá teve de meter a viola no saco, mas resmungando ainda: «A selecção nacional, na final, foi melhor sem Ronaldo do que com Ronaldo.»
Indiferente a esta e muitas outras aves agoirentas, a selecção trilhou a sua rota ascendente, passo a passo, com persistência, sem nunca perder: 1-1 com a Islândia, 0-0 com a Áustria, 3-3 com a Hungria, 1-0 com a Croácia, 1-1 com a Polónia (vitória no desempate por penáltis), 2-0 com o País de Gales e 1-0 na final de 10 de Julho frente à anfitriã, França.
Cristiano Ronaldo (3), Nani (3), Renato Sanches, Quaresma e Éder marcaram os golos portugueses. Rui Patrício foi designado melhor guarda-redes deste torneio que nos encheu de orgulho e júbilo.
Nota adicional: nos 23 seleccionados de Fernando Santos havia quatro jogadores do Sporting (todos titulares) e dez formados na Academia leonina.
Motivos redobrados para eu festejar o maior título de sempre do futebol português, com imensa alegria ao ver a equipa das quinas campeã da Europa. Proeza inédita.
Não parece nada, mas já passaram dez anos.

