Leituras


Pedro Correia,

«Até à chegada de Cavaco ao poder, em 1985, e ao fim de poucos anos de democracia, o país conhecera já nove governos constitucionais e seis governos provisórios. É fácil fazer as contas: em treze anos de existência, a Terceira República tivera quinze executivos, à média de mais de um por ano.

Se a isso juntarmos a situação económica, com duas intervenções traumáticas do Fundo Monetário Internacional, uma em 1977 e outra em 1983, bem como, naturalmente, a situação social, perceberemos, com facilidade, que os portugueses ansiavam por “paz política” ou, se preferirmos, estavam muito predispostos a acolher aquela que sempre foi a grande mensagem que Aníbal Cavaco Silva lhes trouxe: a estabilidade política como condição de crescimento económico; o crescimento económico como condição de uma maior justiça social.»

António Araújo, Aníbal Cavaco Silva, pp. 75-76

Sábado, 2026

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Pedro Correia,

«Apesar de ter sido uma figura destacada na resistência ao fascismo e de por este ter sido perseguida (oito obras proibidas pela censura e uma condenação em Tribunal Plenário), o facto de se ter mostrado opositora ao gonçalvismo fez dela uma “burguesa decadente” e uma “cadela de guarda do capitalismo”, como muitos lhe chamavam nas rodas de café. Os comunistas, enfurecidos, ergueram uma cortina de ferro em torno dela, acusando-a de desmoralizar a classe operária.»

João Pedro George, Natália Correia, p. 79

Sábado, 2026

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Pedro Correia,

 

«De tudo o que existe, nada é tão misterioso como as relações humanas.»

Virginia Woolf, Um Romance Não Escrito, p. 248

E-Primatur, 2026. Tradução de Maria Ponce de Leão

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Pedro Correia,

«É direito de qualquer mortal satisfazer a sua curiosidade.»

Andrei Kurkov, A Morte e o Pinguim (1996), p. 235

Porto Editora, 2023. Tradução de Alexandre Bazin

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Pedro Correia,

«Que sentido atribuiremos à proposição de que todas as mulheres e todos os homens foram criados iguais, eixo de base da democracia? Hoje, a inseminação artificial, a clonagem e outras técnicas que conhecem um desenvolvimento acelerado contrariam abertamente esse problemático lugar-comum no que se refere à biologia. (…) É também racionalmente possível afirmar que todos somos, ou deveríamos ser, iguais perante a lei. É verdade que, desde o começo da história que podemos conhecer, esta afirmação foi sempre uma ficção utópica. Os favorecidos pela sorte, os poderosos, os ricos nunca tiveram de se haver com o mesmo aparelho jurídico que enfrentam aqueles que são desprovidos de recursos ou vivem em condições de servidão.

Entramos neste mundo em condições de radical desigualdade. Nascer nas remotas regiões esfaimadas dos Camarões é um destino e uma “condição verdadeira” muito diferentes do recém-nascido que vem ao mundo em Manhattan, ainda que nos seus meios mais desfavorecidos. Os que nascem cegos ou surdos habitam regiões da vida imensamente diferentes daquelas que conhece um indivíduo “normal”. Ser-se portador de uma deficiência física é viver no plano existencial e sob incontáveis aspectos uma vida diferente da dos que o não são. As afecções mentais, muitas vezes herdadas, tornam o fosso ainda mais drástico.»

George Steiner, Os Livros que Não Escrevi (2008), p. 198

Gradiva, 2026 (3.ª ed). Tradução de Miguel Serras Pereira

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Pedro Correia,

 

«Com Trump e a sua família na presidência, os Sopranos estão na Casa Branca. Infelizmente, é verdade.»

Miguel Monjardino, A Grande Ruptura, p. 208

Clube do Autor, 2026

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Pedro Correia,

 

«Ter-se-iam indignado se ele quisesse subir mais, por pouco que fosse. Então, para quê proibi-lo de descer, se não se sentia confortável onde o tinham posto?»

Georges Simenon, O Círculo dos Mahé (1946), p. 136

Cavalo de Ferro, 2026. Tradução de Inês Dias

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Pedro Correia,

«Os membros da minha geração, depois de anos de trabalho, reformam-se com pensões de cerca de dois mil pesos, quando hoje, agora, uma caixa de trinta ovos custa três mil pesos… A conta é fácil: o dinheiro não lhes chega nem para comerem um ovo por dia, enquanto os produtos subsidiados pelo livrete de abastecimento (ou de desabastecimento) são cada vez menos, já insuficientes para subsistir uma semana. O milagre cubano é que muitos cubanos vivem de milagres. Ou dos “salva-vidas” ou “donativos” que lhes fazem os seus parentes a partir do estrangeiro. Por isso se diz que em Cuba é muito importante ter FE: família no estrangeiro.»

Leonardo Padura, Ir a Havana (2024), p. 139

Porto Editora, 2025. Tradução de Jorge Pereirinha Pires

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Pedro Correia,

«Pensar é uma forma de sentir e sentir é uma forma de pensar.»

Susan Sontag, A Entrevista Completa da Rolling Stone, p. 78

Quetzal, 2026. Tradução de José Lima

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Pedro Correia,

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As pessoas que se consideram virtuosas acabam por se tornar ridiculas, porque têm de estar constantemente a enganar-se a si próprias.»

Ken Greenhall, Elizabeth (1976), p. 102

Cavalo de Ferro, 2026. Tradução de Eugénia Antunes

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Pedro Correia,

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«Não somos nós que lemos os livros, mas os livros que nos lêem a nós.»

Javier Cercas, O Louco de Deus no Fim do Mundo (2025), p. 343

Porto Editora, 2025. Tradução de Helena Pitta

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Pedro Correia,

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«[…] a partir de certa idade vivemos a imaginar, a aperfeiçoar, a polir o teatro macabro das próprias exéquias, o sacristão, a família, as participações nas revistas, o interesse dos vizinhos, o número de ramos de flores e os litros das lágrimas.»

António Lobo Antunes, As Naus (1988), p. 24

 

Ed. D. Quixote, 2018 (8.ª ed)

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Pedro Correia,

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«Ternura, uma confiança absoluta, comunicação e sinceridade ganham uma importância cada vez maior à medida que envelhecemos. Não desperdicemos o amor, que é tão raro.»

Iris Murdoch, O Mar, O Mar (1978), p. 502

Ed. Relógio d’Água, 2005. Tradução de José Miguel Silva. Colecção Ficções

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Pedro Correia,

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«L’idée qu’une culture préserve son originalité en se barricadant contre les influences étrangères est une vieille ilusion qui a toujours donné un résultat contraire à celui qui était recherché. On ne peut pas être différent tout seul. C’est la libre circulation des oeuvres et des talents qui permet à chaque culture de se perpétuer tour en se renouvelant. L’isolement n’engendre que la stérilité. La démonstration rémonte au vieux parallélisme entre Sparte et Athènes. C’est Athènes, cité ouverte, qui fut le prolifique lieu de création dans les lettres et les arts, dans la philosophie et les matématiques, la science politique et l’histoire. Sparte, défendant jalousement son “exception”, réalisa ce tour de force d’être l’unique cité grecque qui ne produisit aucun poète, acun orateur, aucun penseur, aucun architecte.»

Jean-François Revel, L’ Obession Anti-Américaine, p. 185

Ed. Plon (França), 2002

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Pedro Correia,

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«Um homem da planície respira mal numa grande montanha, aí não se sente firme.»

Georges Simenon, Bairro Negro (1935), p. 69

Ed. Livros do Brasil, 1958. Tradução de António [Alves] Redol. Colecção Miniatura, n.º 89

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Pedro Correia,

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«Nunca se sabe o que pode desencadear a memória (…). A cara de um bebé, um guizo na coleira de um gato. Qualquer coisa.»

Jeffrey Eugenides, As Virgens Suicidas (1993), p. 82

Ed. D. Quixote, 2017 (2.ª ed). Tradução de Sofia Slotboom e Maria João Delgado

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Pedro Correia,

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«Haverá humildade na terra? Aparentemente, qualquer pessoa pode aparecer e fazer dela o que quiser. Cavar e lavrar e semear. Mas depois ela devora os seus senhores. E ali fica, eternamente muda.»

Amos Oz, A Caixa Negra (1987), p. 117

Ed. D. Quixote, 2012 (2.ª ed). Tradução de Miguel Serras Pereira. Colecção Ficção Universal

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Pedro Correia,

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«O pior da patrulha ideológica não é discordar, detestar, estar contra, ter outros argumentos, ter aliados, cumprimentar os amigos (com “o excelente”, “o imprescindível”, etc.) antes de dizer uma frase, criar famílias de adjectivos em vez de geografias de afectos, ser facilmente visível, irritar ou ser irritante; não. O pior é estar sempre vigilante — sobre cada vírgula, cada frase, cada ideia. Não discute, não argumenta. Tem apenas a obsessão de impor a sua linguagem, a sua conversa, de limitar o espaço que não controla. E um prazer absoluto quando distorce, cita incorrectamente, descobre um fragmento maldito. A patrulha ideológica afirma a superioridade moral do debate — desde que seja com o seu dicionário. O que lhe escapa, morde, sobretudo para se distinguir. Esse sentido policial da discussão acaba por transpor-se para [a] vida propriamente dita, chata, antipática, desgraçada.»

Francisco José Viegas, Algumas Distracções, p. 171

Ed. Quasi, 2007

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Pedro Correia,

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«O passado não é excêntrico quando estamos a vivê-lo. Só parece sê-lo mais tarde, quando já estamos a uma distância segura dele, quando já o vemos como cenário, não como aquilo que moldou a nossa vida.»

Margaret Atwood, Olho de Gato (1988), p. 414

Ed. Bertrand, 2023. Tradução de Rita Canas Mendes