Já li o livro e vi o filme (325)


Pedro Correia,

O ESTRANGEIRO (1942)

Autor: Albert Camus

Realizador: Luchino Visconti (1967)

Marcello Mastroianni encarna Mersault, personagem fulcral da ficção do século XX. Filme rodado na Argélia, com abundantes cenários naturais, interroga-nos sobre os labirintos da condição humana em assumida fidelidade ao texto original e sem as desajustadas alusões políticas da fita de Ozon, muito posterior. Camus teria apreciado esta versão de Visconti, mal amada por quem desvaloriza cinema e detesta literatura.

Já li o livro e vi o filme (324)


Pedro Correia,

TOPÁZIO (1967)

Autor: Leon Uris

Realizador: Alfred Hitchcock (1969)

Nome hoje quase ignorado, Leon Uris publicou livros de sucesso nos anos 60 e 70. Eis um deles: suspense do princípio ao fim, com enredo centrado na crise dos mísseis em Cuba (1962). A adaptação para tela foi desastrosa: Hitchcock viu-se forçado a cortar quase meia hora de filme e concebeu três finais diferentes, sem agradar a ninguém. O mestre estava no ocaso.

Já li o livro e vi o filme (323)


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LADRÕES DE BICICLETAS (1946)

Autor: Luigi Bertolini

Realizador: Vittorio de Sica (1948)

O escritor ficou irritado com o guião do argumentista Cesare Zavattini, que alterou substancialmente o enredo. Foi irritação sem fundamento: o filme beneficiou muito com a mudança. Tornando-se expoente máximo do realismo social italiano que tantos cineastas influenciou e tanta plateias comoveu em todo o mundo.

Já li o livro e vi o filme (320)


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LAVAGANTE (2008)

Autor: José Cardoso Pires

Realizador: Mário Barroso (2025)

Podia ter sido um romance: ficou novela curta, promessa de narrativa maior, publicada dez anos após a morte do escritor. O filme muito recente, rodado num preto-e-branco rétro com um bom naipe de actores, parte do texto para lhe dar fôlego e espessura. António-Pedro Vasconcelos, autor do argumento, despediu-se assim do cinema: pela porta grande.

Já li o livro e vi o filme (317)


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AINDA ESTOU AQUI (2015)

Autor: Marcelo Rubens Paiva

Realizador: Walter Salles (2024)

Paiva tinha 11 anos em 1971, quando o pai foi torturado e assassinado pela ditadura militar: o corpo desapareceu para sempre. Tragédia revivida em prosa e filme, equivalentes. O excepcional desempenho de Fernanda Torres contribuiu em larga medida para o recente Óscar, primeiro a premiar uma longa-metragem brasileira.

Já li o livro e vi o filme (313)


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A SIBILA (1954)

Autora: Agustina Bessa-Luís

Realizador: Eduardo Brito (2023)

Um dos dez melhores romances portugueses do século XX demorou quase 70 anos a ser transposto para o cinema. Valeu a pena esperar: é uma obra digna, com boas interpretações de Maria João Pinho e Joana Ribeiro. Oxalá relance o interesse pelo livro, naturalmente superior. 

Já li o livro e vi o filme (312)


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GUERRA E PAZ (1869)

Autor: Lev Tolstoi

Realizador: King Vidor (1956)

Há livros quase impossíveis de filmar. Esta produção italo-americana contrariou aqueles que incluiam nesse lote o monumental romance de Tolstoi, centrado na invasão napoleónica da Rússia. Mas, naturalmente, perde na comparação – apesar da presença luminosa de Audrey Hepburn, inesquecível no papel de Natacha.

Já li o livro e vi o filme (311)


Pedro Correia,

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UM CORAÇÃO SELVAGEM (1989)

Autor: Barry Gifford

Realizador: David Lynch (1990)

Um caso evidente em que o filme – galardoado com a Palma de Ouro no Festival de Cannes – supera o livro. Nicolas Cage e Laura Dern, nos papéis de Sailor e Lula, tornaram-se ídolos de uma geração cinéfila, transformando a banal novela num electrizante road movie.

Já li o livro e vi o filme (310)


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PROFESSOR UNRAT (1905)

Autor: Heinrich Mann

Realizador: Josef von Sternberg (1930)

Heinrich – filho de brasileira – rivalizou com o irmão Thomas entre os grandes nomes da literatura alemã do século XX. Esta é a sua obra-prima, transposta para o cinema com o toque de génio de Sternberg, revelando Marlene Dietrich ao mundo como estrela do lapidar O Anjo Azul. Rosa no livro, Lola no filme.

Já li o livro e vi o filme (309)


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OS SEQUESTRADOS DE ALTONA (1959)

Autor: Jean-Paul Sartre

Realizador: Vittorio de Sica (1962)

Da penúltima peça de Sartre, cheia de intensidade dramática sobre as cicatrizes do nazismo, o laureado realizador italiano dirigiu uma adaptação competente embora sem atingir o nível da peça que lhe deu origem. O elenco multinacional incluiu Maximilian Schell, Fredric March e a bela Sophia Loren, no apogeu da sua fotogenia.

Já li o livro e vi o filme (308)


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O TAMBOR (1959)

Autor: Günter Grass

Realizador: Volker Schlöndorff (1979)

Obra-prima da literatura alemã, obra-prima do cinema alemão – distinguida com a Palma de Ouro em Cannes e um Óscar de Hollywood. Figura central, o pequeno Oskar Matzerath, menino que nunca cresce, testemunha algumas das páginas mais negras da história mundial, figurando na galeria das personagens imortais do século XX.

Já li o livro e vi o filme (306)


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UM ELÉCTRICO CHAMADO DESEJO (1947)

Autor: Tennessee Williams

Realizador: Elia Kazan (1951)

Uma das peças teatrais mais célebres do século XX ganhou enorme impacto ao ser transposta para cinema com vários dos seus actores do palco – incluindo Marlon Brando, Kim Hunter e Karl Malden. Na tela, a luminosa Vivien Leigh encarnou a perturbada e perturbante Blanche DuBois. Extraordinário texto, inesquecível filme.