Viva Messi!


jpt,

Quando eu era jovem o grande campeonato de futebol era o italiano – Maradona no Napoles, Platini em Turim, Gullit, Van Basten, Rijjkard no AC Milan, entre tantos outros. Depois nos píncaros ficou a Liga Espanhola. Mas para manter essa primazia – que veio a perder – teve de combater o “Citizen Kane” Murdoch, esse que através da televisão mudou o mundo do futebol, despejando uma imensidão de dinheiro e assim inventando a Premier League inglesa.

A Liga Espanhola defendeu-se durante anos, com denodo. Uma das armas, talvez a maior, com que tentou manter-se no topo da popularidade mundial foi o propagandear da rivalidade única, extrema, entre Barcelona e Real Madrid.

Essa que é futebolística mas que teve também a catapulta da velha oposição política, manuseada pelos racistas nacionalistas catalães – e é tão interessante regressar a esse movimento, lembrando quando a “esquerda” portuguesa aderia à “causa” catalã. Tal como o fez, mas menos, com a escocesa, ainda que sendo avessa às da Padânia e da Flandres, contemporâneas. No que foi o actual traço mais explícito da mediocridade da intelectualidade esquerdalha nacional. E para quem diga que exagero recordo que Junqueras, o nº 2 do inenarrável Puidgemont, defendia que os catalães eram geneticamente similares aos franceses e distintos dos magrebinos e dos portugueses, o que seria causa para a sua independência – e nunca li nenhum português, muito menos entre os antropólogos “decoloniais” com ADSE sempre carregadinhos de “causas”, escrever sobre isso…!

Enfim, naquelas duas primeiras décadas de XXI, essa rivalidade com intuitos comerciais (e, repito, usando a política) muito utilizou a contraposição entre CR7 e Messi, também sublinhada pelo confronto entre os respectivos macro-patrocinadores Nike e Adidas.

Com o passar dos tempos e dos percursos, rumo à veterania, dos dois grandes jogadores, isso foi-se desvanecendo. Enfim, hoje Lionel Messi anunciou a retirada da selecção argentina, após um longuíssimo percurso carregado de sucesso. E de nos maravilhar. Eu tenho 62 anos! Lembro-me, e bem, da final do Mundial de 74. Lembro-me do Ajax (do eterno Cruyff), do Bayern (do gigante Sepp Maier, do kaiser Beckenbauer), do Liverpool (do malabarista Keegan) e de tantos posteriores, do meu favorito Bernd Schuster, da divindade Maradona… E por aí afora, cada vez com menos atenção.

Cristiano Ronaldo é o melhor da história do futebol português, um jogador espantoso, único – para além de ter germinado no meu Sporting!.

Lionel Messi é o melhor jogador da história do futebol. Pelo menos desde 1974! Muito para além das rivalidades clubísticas. Ou das estratégias comerciais (e políticas) que envolvem tudo isto. Hoje que se retira dos maiores palcos, recolhendo-se na pré-reforma da Florida, deixo a minha vénia grata, de quem gosta de futebol: G’anda Jogador!!! Genial! Ungido pelos deuses…

(E deixo ligação a uma historieta, quando sobre isto – a tal pantomina CR7 vs Messi – discordei da polícia sul-africana.)

Sobre Messi: uma visão de Espanha


Pedro Correia,

«Messi tiene 39 años y más de la mitad de ese tiempo lo ha vivido en España. Eso no ha conseguido que tenga una palabra amable con un país que le acogió, le formó y agradeció su talento para el fútbol. Ni una sola palabra en la que agradeciera que una ciudad y un club español como el Barcelona le pagaran el costoso tratamiento que necesitaba para solucionar su problema de crecimiento. Era el año 2000 y tenía 13 años. Aquella decisión sí tuvo su efecto y su mala suerte terminó para siempre. En Argentina ningún equipo quiso pagar ese tratamiento por un talento que ya prometía no parecerse a ningún otro. En el país donde la gente enloquece por el fútbol y vende su casa y su coche para costearse un mes en Estados Unidos para ver los partidos de la Albiceleste, les pareció caro y arriesgado invertir en una apuesta muy segura. (…)

Messi nunca dudó entre España y Argentina a la hora de elegir con qué selección jugaría. Lo que no sabremos nunca es la verdad de esa elección. Messi siempre ha sido una persona desapegada, ausente. En su país de nacimiento le llamaron “el español” o “el catalán” como insulto durante varios años. Decían que no jugaba igual de bien con su selección que con el Barça y, en vez de fijarse en el terreno de juego y en sus compañeros, preferían hacerlo en lo extrafutbolístico y en un sentimiento que para ellos no era tan auténtico como el que mostraba cuando jugaba en el Barcelona. Messi pudo, en esos momentos, agarrarse a una españolidad justificada por el trato recibido y el tiempo pasado en el país, pero siguió representando una argentinidad propia.»

Manu Gálvez, no jornal digital The Objective. Artigo integral aqui.

As lágrimas de Messi


Pedro Correia,

Ao serviço da Argentina, Lionel Messi destacou-se pela negativa, contra a Espanha, na mais vergonhosa prestação de uma selecção numa final de Campeonato do Mundo de futebol.

Zero golos.

Zero remates.

Zero tentativas de remate no tempo regulamentar.

Desempenho inolvidável. Pelos piores motivos.

 

Andou a passo o jogo todo.

No fim, sentou-se a contemplar o panorama. Sentia-se fatigado. Compreende-se: o footing por vezes torna-se cansativo.

 

Consta que lacrimejou.

Tinha motivos para isso.

Foi há muito ultrapassado por Cristiano Ronaldo como marcador absoluto de golos em competições oficiais da modalidade.

Foi agora ultrapassado por Mbappé como marcador de golos neste Mundial. E em todos os Mundiais.

 

Resta-lhe o “título” de rei dos penáltis falhados.

Mais dois neste Campeonato do Mundo em que a Argentina foi levada ao colo pelos árbitros do princípio ao fim.

«Venceu o futebol»


Pedro Correia,

Não fixei onde li este comentário, no caudal de artigos sobre a final do Campeonato do Mundo que devorei de manhã, bem cedo, mas é notável pela síntese certeira: «Venceu o futebol».

Assim aconteceu, para bem da modalidade. Espanha foi uma selecção compacta, organizada, praticante de um futebol fluido e ofensivo, de olhos na baliza adversária. Os argentinos, pelo contrário, pareciam ter mais vontade de praticar kickboxing. Interessados nas canelas dos adversários e alheados das redes espanholas. Distribuíram sarrafada desde o primeiro minuto e viram um árbitro muito benévolo perdoar-lhes em larga medida o jogo violento.

A chamada «identidade alviceleste», que tem Enzo Fernández e Otamendi como dois expoentes, deriva em grande parte disto. E não se recomenda.

 

Lionel Messi esteve alheado da partida, vendo os colegas distribuir fruta enquanto percorria a passo fatigado o péssimo relvado do estádio de Nova Jérsia, sem condições adequadas para a prática do futebol de alto nível. Os 27 minutos de intervalo pontuado por show musical, muito à americana, danificaram-no mais ainda.

Tão elogiado em Portugal, sobretudo por aqueles que adoram denegrir Cristiano Ronaldo, o veterano avançado do Inter Miami saiu desta final sem cumprir um só objectivo.

Não se sagrou bicampeão mundial, não foi o melhor marcador do torneio (Mbappé superou-o marcando dez) nem é o rei dos artilheiros em campeonatos do mundo (Mbappé, aos 27 anos, j´a lidera a lista, com 22). Não fez sequer um remate `à baliza neste embate decisivo.

Foi, de resto, a primeira vez que uma selecção disputou a final de um campeonato do mundo sem um remate enquadrado em toda a partida (12 para os espanhóis) e zero tentativas de golo ao minuto 90 (a Espanha teve 20).

Superioridade, muito duvidosa, só em cartões: quatro amarelos e dois vermelhos. Com Espanha em branco neste capítulo.

 

Os idiotas que desataram aos urros contra Cristiano Ronaldo após o embate ibérico, com a eliminação da selecção lusa no tempo extra, certamente já terão percebido que essa derrota, aliás pela margem mínima, se inscreve na ordem natural das coisas: nuestros hermanos apresentaram a melhor selecção no torneio da América do Norte, confirmando os pergaminhos que a levaram há dois anos a sagrar-se campeã da Europa. Tão simples como isto.

Apoiei Espanha nesta final – porque do outro lado estava a Argentina e no seu onze titular figurava Pedro Porro, que em 2021 se sagrou campeão nacional pelo Sporting, onde consolidou um bem-sucedido trajecto como futebolista profissional. Não esqueço as suas palavras logo após o recente Portugal-Espanha quando aproveitou para enviar um abraço a todos os sportinguistas.

Venceram com mérito. Rodri, melhor médio defensivo do futebol contemporâneo e Bola de Ouro 2024, foi justamente eleito figura-chave do Mundial. Unai Simón, com apenas um golo sofrido em oito jogos, destacou-se sem surpresa como melhor guarda-redes. Titular indiscutível da selecção aos 19 anos, o catalão Pau Cubarsí mereceu a designação como melhor futebolista jovem: foi ele quem anulou Messi na final de ontem. Sem margem para dúvidas.

Sim, venceu o futebol.

Dá vontade de vomitar


Pedro Correia,

Foi caricato o troféu entregue pela FIFA a Lionel Messi, como melhor jogador de campo do Mundial de 2014. Logo ele, que na final contra a Alemanha se revelou um dos mais apagados intervenientes.

Em termos individuais, não tenho a menor dúvida: o holandês Robben foi o melhor jogador deste Campeonato do Mundo (acabou por ficar em terceiro na escolha da FIFA, após Messi e Müller). Mas na própria Argentina não era nada difícil encontrar quem mais merecesse ser distinguido do que o capitão alvicesleste. O excelente médio defensivo Javier Mascherano, por exemplo.

Decisões destas só desvalorizam futuros prémios e desacreditam ainda mais o organismo presidido pelo senhor Blatter. Por uma vez Maradona acertou em cheio ao protestar: “Querem que Messi ganhe algo que não ganhou.”

No decisivo confronto contra a selecção germânica, Messi voltou a vomitar. Como se já previsse que lhe dariam o mais imerecido troféu da sua carreira. Apetece seguir-lhe o exemplo.