
Há alguns dias coloquei no meu “O Pimentel” o postal “Casos e Casinhos” – o qual presumi demasiado esmiuçante para o DO. Pois nele me dediquei a considerações sobre 4 minudências, os tais “casinhos” que vinham aparecendo na imprensa: Rita Rato no Museu do Aljube, Mariana Mortágua no ISCTE, o legado de José Magalhães na A.R., e a birra na Universidade Nova sobre o uso do português. E uma majordência, o tal “caso”: a nomeação de Rui Moreira como embaixador na OCDE. Julguei que tudo aquilo era já passado e segui para outros postais…
Mas agora a imprensa anuncia que está viçosa a polémica universitária. Pois a NOVA Business School (a Nova “de Carcavelos”) prepara o seu grito do Ipiranga, firme contra o colono lisboeta, o qual lhe quer impor um nome lusófono, na língua-mãe do vetusto império. Então replico aqui – para uma maior audiência – a minha proposta conciliatória, qual uma spinolista proposta federativa, que avançara no tal esconso postal “Casos e Casinhos”.
(Ressalvo – o “disclaimer” que alguns usam – que o meu enquadramento ideológico sobre a questão da utilização da língua franca inglesa nas instituições e empresas portuguesas está patente neste meu ensaio.)

Estalou a polémica na Universidade Nova de Lisboa: o novo reitor obrigou a sua Faculdade de Economia a ter um nome em português e não apenas o “Nova Business School” com o qual se nomeara, nisso obedecendo à lei que postula uma nomenclatura na língua nacional.
A situação aqueceu e transportou-se para a imprensa. Há quem assuma a questão como “estratégica”, pois a NOVA “de Carcavelos” se internacionalizou imenso sob esse nome inglês. O antigo director da casa reclama que essa imposição do nome em português é uma campanha movida por “capricho, inveja, motivação política ou negligência”, de uma “extrema-esquerda” que tomou o poder na Universidade Nova. O professor Bacelar Gouveia, da Faculdade de Direito daquela universidade, atira que a anglofonice nomenclar é uma saloiice… O “casinho” ameaça degenerar em cisão institucional.
Pouco conheço da Nova “de Carcavelos”, sei que está bem classificada nos “rankings” (oops, escorregaram-me as teclas para o inglês…) universitários internacionais. E que é muito procurada por alunos de várias nacionalidades. Recentemente alguém que conheço muito bem fez lá um mestrado. Vinha de uma licenciatura na universidade em Warwick e faria um outro mestrado na L.S.E. – são muito boas universidades (como se vê neste “ranking” do Russell Group de 2026), o que lhe permite ter aquilatados termos de comparação. E disse-me que ali na NOVA Business School encontrou “um bom ambiente, um bom curso e excelentes professores”. Mais do que as rivalidades entre Faculdades e, piores, entre docentes, será de salvaguardar isso.
Mas também conto esta minha memória. De orgulho paternal animado, fui à festa de graduação daquela mestranda. Encontrei uma alegre multidão, milhares de pessoas, ali em Carcavelos. Eram imensos alunos de múltiplos cursos que se consagravam e muitos deles faziam-se acompanhar dos familiares. Um ambiente cosmopolita – tantos alunos alemães se graduavam que até o seu embaixador comparecera à cerimónia! Houve 4 ou 5 rápidos discursos, e depois as felicitações colectivas. Se não estou em erro o primeiro (breve) discurso foi do Reitor da Universidade e o segundo do Director da Business Scholl. Chamaram-me a atenção porque discursaram num inglês com o sotaque a la Guterres. E achei interessante porque – e digo-o sem qualquer ironia – me defrontei ali com uma realidade para mim até então inaudita, ou que me passara despercebida: haverá em alguma actual elite cultural portuguesa a tendência (ou tentativa) de criar um sotaque especificamente português da língua franca inglesa… Ou seja, um inglês correctamente falado mas sem qualquer tentativa de “anglicizar” o sotaque individual, a este entregando-o à “nossa” fonética.
Mas notei outra coisa: o reitor e o director discursaram em inglês. O que é normal, face a um universo discente imensamente variado. Mas não fizeram – ao contrário das 2 ou 3 oradores subsequentes – nenhuma “saudação” ou “despedida” em português. Nenhum mero “boa tarde”, “felicidades, “boa sorte”, até “obrigado”, um “voltem sempre, esta é vossa casa” – que todos os alunos presentes perceberiam, e que todos os seus familiares acolheriam com agrado.
E lembro-me perfeitamente de ter resmungado mudamente – estava ladeado pela mãe da mestranda, diante da qual me eximo a praguejar. E de ter dito “isto é uma saloiice!”. Porque o é!
Em suma, para a resolução deste “casinho”, que nada mais será do que efeito das tricas entre “lentes” ariscos, tenho uma solução: chame-se àquilo Escola de Economia e Gestão, que é nossa língua, caramba! E faça-se um logotipo com EEG – NOVA Business School. E … keep up the good work. Sem estas patetices. Nem as saloiices, claro.





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