Sempre que se fala em grandes projectos políticos, ela aí está. Chamam-lhe a terceira travessia. Não se adivinhava, mas os primeiros sinais concretos foram assinalados aqui pelo Pedro Correia, há quatro dias: a entrevista de João de Deus Pinheiro ao i era «a resposta simétrica às recentes declarações de Ferro Rodrigues ao Expresso». Faltava apenas ligar as duas margens. Foram ligadas ontem, quando um socialista fez a apologia do programa eleitoral dos sociais-democratas.
Joaquim Pina Moura representa a terceira travessia. Ele é a ponte que faltava. Agora, resta apenas saber quem irá liderar o Bloco Central depois de 27 de Setembro, porque o projecto já é real e está pronto a ir por diante. A menos que a Terra trema, cheira-me que há muita gente por aí que vai ficar com cara de peixe. E com os bicos dos sapatos esfolados em vão.

Devo dizer que discordo. O Partido Socialista nada tem a ver com o PPD/PSD. Seria escandaloso um “bloco central” e talvez fosse o fim da III República se esse cenário se tornasse realidade.
Bom dia.
Não se trata de acordar ou discordar. Trata-se de reflectir sobre os factos. E os factos são claros: Ferro Rodrigues (PS) e Deus Pinheiro (PSD) são declaradamente a favor do Bloco Central; Pina Moura (PS) é manifestamente mais favorável ao programa eleitoral do PSD do que ao do PS.
De resto, independentemente de agradar ou desagradar, não vejo por que haveria tal escândalo ou terramoto. Pelo contrário: os apoiantes de um e do outro constituem certamente a esmagadora maioria do País. Ficaria apenas a memória (curta) de uma campanha eleitoral que teria sido um logro.
É como dizes, compadre. Daqui a pouco darei mais uma achega ao tema, que me parece praticamente o único com interesse nesta campanha. O resto é foguetório eleitoral.
Também me parece claro, compadre. Tirando este tema por exclusão de partes, restam os foguetes. Pois eles que vão também apanhar as canas.
A sucessão de factos parece dar-lhe razão João, a si e ao Pedro na análise que fazem. Pessoalmente considero que essa solução que pode parecer ser necessária nesta hora de emergência nacional, vai a prazo acabar com o resto de credibilidade que a classe política tem perante os eleitores. A velha máxima “os que eles querem é tacho” pode ser primária, mas não deixa de ser justa. É que a corrida ao dito “tacho” não deverá ser coisa bonita de se ver… finalmente lembro que Pina Moura é, juntamente com Paulo Rangel, adepto da velha máxima de Maquiavel ‘”a política é autónoma da ética, a ética é autónoma da política”. Estamos entregues à bicharada…
Tenho de dar-lhe razão, Ariel. A concretizar-se, o Bloco Central é capaz de ser importante nestes próximos anos para tirar o País do fosso. Nem vejo outro modo: se não for assim, não sei como poderá ser.
Simultaneamente, porém, era mais ético e sério que os eleitores percebessem o que pode estar a passar-se nos bastidores, às escondidas. Por natureza, sou a favor de maiorias relativas, para que o Parlamento sirva a sua vocação essencial, que é o debate de ideologias e de políticas, de ideias e de medidas.
Uma maioria absoluta, se obtida por consenso entre duas partes, não fere esse princípio, mas um Bloco Central tem o inconveniente frustrante de pôr em causa aquilo que tem sido o quadro do nosso regime: une o que não foi feito para ser unido, uma vez que os dois partidos são vistos como alternância um do outro e, portanto, polos opostos de governação.
Assino por baixo, Ariel
:)))
Uma linha inteira só para si?
????
Sai uma linha completa para a Maria do Sol assinar.
Xiiii… Às vezes alouro de uma maneira… Mas hoje tenho desculpa. Não me dou com domingos, muito menos o último de Agosto.
E por acaso tenho um nome comprido e a letra gordinha rsrsr
:)))
Saem duas linhas das melhores ali para a senhora.
Duas linhas da melhor coca? Podem fazer mal à senhora, João…
Bem… não eram para inspirar. Não tive grande inspiração, na verdade.
Ainda bem… muita inspiração desta e acaba-se por expirar.