Há uma diferença básica entre leis da boca e leis do estômago. Comer, para nós, está muito longe de ser apenas uma actividade física: é também algo que pertence em larga medida à esfera mental.
Um rato, por exemplo, é potencial fonte de proteínas, lípidos e sais minerais. Mas ninguém se imagina a comer um rato porque a mente impõe a sua escala de valores à lei da boca e esta prevalece sobre a lei do estômago. O que põe em causa um dos pilares da doutrina marxista quando ensina que a base material condiciona em absoluto o pensamento.

Há quanto tempo não vai à festa do Avante?
Sou contra os latifúndios. Recuso-me a frequentar o latifúndio da Atalaia.
É escusado evocar as leis da boca e as leis do estômago, o proletariado em Agosto não pode comer bacalhau à Brás.
Irrelevante, desde que não falte o caviar a certa esquerda.
Parafraseando a outra: Nâo têm Pescanova? Comam Beluga.
não é a mente que impõe a escala de valores…é a cultura do povo em causa . há quem coma ratos e cães e gatos e gafanhotos e cobras e outros alimentos para nossa cultura considerados nojentos. há quem não coma porco nem vaca , belos petiscos para outros.
por tanto , na nossa cultura a base material condiciona o pensamento na maioria das pessoas , que vibram com cromos como o musk ou o ronaldo porque são muiiiito ricos posto que almejam esse pobre:e ridículo objectivo ser rico.
uma vez um homem encontrou uma lâmpada do génio , saiu de lá o bicho e concedeu-lhe 3 desejos. o homem pediu como 1º desejo ser sábio para poder pedir sábios desejos. uma vez sábio , o génio quis saber quais eram os outros dois desejos e homem respondeu que não queria nada , já não desejava nada….
E o que é a mente senão produto da cultura?
É óbvio que a lei da boca é mais condicionada pela mente do que pela lei do estômago. E é na perspectiva ocidental que me coloco, pois é no Ocidente que vivemos.
Todas as culturas têm os seus tabus alimentares. A nossa também. E a nossa é que me interessa.
Se quisermos relativizar tudo e colocar tudo no mesmo plano, acabaremos a enaltecer os antropófagos.
Deve haver gente “pós-moderna” disposta a isso. Já nada me espanta.
@s antropófag@s, se não se importa. Há que assegurar que a comunidade antropofágica se liberta da tirania heteropatriarcal.
@ntr@p@f@g@
Capaz de escrever assim, na novilíngua.
a cultura é que é produto da mente e vice versa…. e há antropófagos por necessidade. lembro-me dos que caíram nos Andes. vai censura-los?
se calhar é melhor ler O Espírito das Leis de Montesquieu …explica bem a relação entre Natureza ( orografia , clima , flora , fauna , e tal ) e cultura , formas de estar pensar e fazer. -:)
“Antropófago por necessidade” é um conceito inovador, digno da pós-modernidade. Registe a patente sem demora.
E comece a comer ratos. Dizem que é excelente fonte de proteínas. Embora nada que se compare a um ser humano, de acordo com reputados experts em canibalismo.
New York Times
“Cannibalism has a time and a place. Some recent books, films and shows suggest that the time is now. Can you stomach it?”
É doutrina marchista. Marcha tudo.
Perfeito. “Normaliza-se” (creio que também é de regra recorrer ao termo por estes dias, no linguajar dos donos da Verdade) então um comportamento, pacificamente tido como inaceitável na esmagadora maioria das comunidades, as civilizadas pelo menos, em função de uma sua concreta adopção em circunstâncias absolutamente – absolutamente, insista-se – extremas. E com base nisso parece fundamentar-se sem mais a demolição de todo um acervo civilizacional. Honesta argumentação, probo raciocínio.
Os infelizes que a praticaram, a antropofagia, nas condições em que o fizeram (que fácil é invocar tudo isso, como elemento de contraditório, de estômago cheio e com, seguramente, considerável conforto), bem mereciam um pouco mais de respeito.
“Escola de pensamento” de Hannibal Lecter.
Justificando o injustificável.
Boa tarde Pedro Correia
Respeitosamente, coloca uma questão interessante.
Mas, quanto a quem come ratos e outras iguarias, creio haver muitos que comem a bicharada e, paralelamente, não colocam de lado Marx e Engels. Estarei equivocado?
Bom Domingo. Saúde.
António Cabral
Alguns desses têm engolido imensos sapos, meu caro. Que não devem dar saúde a ninguém.
Bom domingo e bom feriado.
Se o Pedro Correia tivesse fome a sério, ai não que não comia um rato! Até comia muito pior! E veria então que Marx tinha razão…
Você, que é marxista, faria melhor em comer as Obras Completas do Marx: são milhares de páginas, dão alimento para várias semanas.
Mas ponha guardanapo: é capaz de fazer nódoa.
O Pedro Correia tem muita graça.
Lança uma questão e tem de meter o marxismo ou perde o emprego.
E nem sequer se lembra, ou tenta de todas as formas que ninguém se lembre que existe a República Socialista do Vietname, que tal como a Coreia do Sul, a dor Norte não sabemos, comem tudo o que mexa, o que acontece com muitos países asiáticos.
O Lavoura já tem mordomo?
A conversa era com ele, não com subalternos.