Ontem vi Manuel Carvalho da Silva dar o seu apoio a António Costa na corrida para a Câmara Municipal de Lisboa. Acreditei no gesto e nas palavras. Fiz mal. Esta manhã, o Diário de Notícias vem dizer que o apoio só durou três horas. É que, segundo o DN, entretanto, o mesmo Carvalho da Silva enviou um documento para a Comissão Coordenadora da CDU a justificar a sua posição e a esclarecer que o apoio dado ao candidato do PS não punha em causa "o apoio claro e inequívoco à CDU". Pode ser que os eleitores de Lisboa entendam este discurso dubitativo e a multiplicação de apoios a forças que estão em concorrência directa pelos mesmos lugares. Eu não entendo. Em especial porque em democracia cada eleitor só tem um voto e só pode votar uma vez. E acho que muito poucos portugueses entenderão esta maneira de estar na política. Da direita à esquerda é toda uma cultura política impregnada de atavismo, de falta de clareza, de falta de coragem política, de falta de sentido ético e profundamente folclórica. Começa no Presidente da República – soa a falso quando se pede "um esforço acrescido para a concretização da ética republicana e para a transparência na vida pública" depois de tudo o que aconteceu em Agosto e da inenarrável intervenção de 28 de Setembro – e vem por aí abaixo, até terminar com a oferta de chouriços nas autarquias. Perante isto, termos taxas de abstenção inferiores a 50% é um verdadeiro milagre da participação. Os portugueses não sabem, mas são discípulos de Zenão de Cício. São uns verdadeiros estóicos.
Como?
Sérgio de Almeida Correia,

Se calhar, não se contentou com a bicicleta…
De bicicleta a pedalar
e a lutar por tachada,
para depois desfilar
de barriga inchada.
As bicicletas oferecidas
em campanha eleitoral,
são prendas carecidas
de um pouco de moral.
Como dizia o outro, só um burro não muda de opinião.
O tempo que leva a mudar é que varia. Para o doutor (do ISCTE!) Carvalho da Silva, bastam duas horas.
Difícil de entender. (Não o post, mas a atitude relatada)
Não creio que seja difícil de entender, se virmos o ódio visceral que tanta gente nutre pelo Santana Lopes. Enquanto não me explicam porque é que de facto o homem é, como dizem, “tão mau”, eu continuo a votar nele e acho que vai ser o próximo presidente da câmara
Tirando a gaffe dos violinos de Chopin, não me lembro sinceramente de nenhuma patacoada do homem. Vão dizer que sou louco e que ando a dormir, mas isso não são argumentos.