Como as coisas mudam


Pedro Correia,

 

Sinto-me muito desactualizado. Sou de um tempo em que tolerar e incentivar a construção de barracas era visto como atentado à dignidade humana.

Os tempos mudaram, pelo que vou lendo e ouvindo. Agora derrubar barracas é que passou a ser um atentado à dignidade humana.

70 comentários em “Como as coisas mudam”

      1. Plural, sem dúvida. E que não caia numa espécie de guerra civil. O que Moreira achou por bem dizer, a ser para levar a sério, é grave.

  1. Caro Pedro Correia…

    Nasci em 1961.
    Nunca vivi numa “barraca”.
    Quando tive conhecimento de que cerca de cem pessoas viviam em “barracas”
    relativamente perto da zona onde resido, fui até lá falar com elas. Não conhecia
    nenhuma delas. Nenhuma delas me conhecia. Nunca nos tínhamos cruzado.
    Apresentei-me. Perguntei porque estavam ali a viver naquelas condições.
    Disseram que estavam desempregadas, acrescentando que tinham algum apoio
    económico da Segurança Social. Viviam da mensalidade paga pelo Estado. Faziam
    venda ambulante de roupa. Aparentemente, o dinheiro auferido mensalmente era
    insuficiente para pagarem uma renda de casa. Ali não pagavam renda, não pagavam
    electricidade, não pagavam água, não tinham esse tipo de despesas. Aguardavam
    a entrega das casas a que tinham direito, por estarem inscritas no P. E. R..
    Disse-lhes que, com os conhecimentos pessoais que tinha, podia ajudar.
    Fizeram-me perguntas. Respondi. Prometi voltar lá, depois de falar com umas pessoas.
    Uma associação nacional, com trabalho feito no âmbito dos direitos humanos, um jornal
    semanário nacional e um jornal semanário regional interessaram-se pelo assunto. Dois
    ou três meses depois quase todas as pessoas estavam realojadas. Faltavam as pessoas
    de três “barracas”. Afinal nem todas as pessoas estavam recenseadas no P. E. R..
    Três “barracas” estavam vazias quando lá foram as pessoas da câmara municipal.
    “Estávamos na apanha do morango, em Espanha…”.
    Duas semanas depois, estavam na primeira página de dois jornais, com chamada para
    as páginas centrais, em reportagens ilustradas com fotografias elucidativas. Um ou dois
    meses depois, estavam alojadas em apartamentos…

    Foi no ano 2000.

    Cumprimentos.

    João Barros da Costa

    JOAO.BARROS.DA.COSTA@SAPO.PT

  2. Só uma correção (se me permite).
    Não são barracas, são Casas Auto Construídas nas sábias palavras de uma comentadora que esqueço o nome
    A propósito de comentadores.
    Para quando a constituição de um Ordem de Comentadores, para pôr “ordem” aos disparates dos mesmos?

  3. Estou desatulizadisssímo. Sou do tempo em que pôr crianças a dormir ao relento e gabar-se disso eram atitudes execráveis e não davam votos.
    Também sou de um tempo em que o que se procurava numa ação destas era eficiência e não espetáculo para eleitor ver. Neste momento não temos barracas, temos sem abrigo, o que dificilmente pode ser considerado melhor.
    Mas ainda sou suficientemente novo para ir ver os nossos liberais de pacotilha a defenderem internamentos compulsivos e, talvez o extremínio dos pobres.
    Aliás não há nada melhor para acabar com os pobres que a boa e velha espingarda.

    1. A culpa é de gajos como tu, jo.

      Ao abrigo daquela patranha imunda chamada CPLP, deixam vir as pretas de S. Tomé e de Cabo Verde ao “médico”, vêm cá a uma consulta e depois ficam “por aí”, não voltam. Constroem uma barraca à espera de que o Estado lhes dê uma casa. Porque sabem que há gente como tu a defender toda a escumalha oportunista do mundo. Isso não é dignidade, é chulice. qual dignidade humana qual caraças, eles que voltem mas é para a terra deles. Vêm cá roubar o nosso dinheiro e o nosso sustento sem terem nenhum direito a isso. Não quiseram independência? Então arranjem-se, lutem por condições melhores na terra deles.

      Por causa de gente como tu, e de jornalismo como o da SIC, não me admiraria que daqui a uns anos não houvesse uma favela brasileira onde a polícia não vai poder entrar e vem cá o Lula e tudo benzer aquilo. Vai ser tudo “direitos humanos” e “gente trabalhadora” e a vingança final dos brasileiros que não souberam governar o seu país e culpam os outros pelo seu estilo de vida indolente e tropicaleiro. Bardamerda para essa gente toda.

      1. Não te conheço de lado nenhum. Se queres falar comigo está calado.
        Se não viessem emigrantes tinhas que limpar a merda que fazes e uma pessoa como tu, que não faz mais nada, acabava enterrado.

  4. Se não matam a serpente no ovo, amanhã o problema é de dimensão gigantesca. Mas há sempre aqueles paladinos do momento, do breve instante televisivo – porque nesse amanhã já não aparecem com soluções. E não tão curiosamente assim, são quase sempre os mesmos – na linha do que está bem, está mal, e o que está mal, está bem.

    1. Não estão a matar a serpente no ovo. Estão a fazer propaganda para eleitor ver. Se não se alterarem as condições que levaram ao aparecimento das barracas irão existir barracas.
      As pessoas têm de viver em algum lado, não desaparecem só porque o Sr. Presidente da Câmara quer.

  5. No nosso país só se costuma discutir e escalpelizar um problema quando se está na iminência de uma tragédia ou quando já se está perante uma tragédia consumada. Prevenir e evitar tragédias, não parece ser coisa muito relevante: a perspetiva é quase sempre meramente remediativa e as medidas costumam ser tomadas somente a jusante dos problemas. Persiste-se repetidamente nos mesmos erros, esperando que a desgraça aconteça para só depois intervir.

    À luz do anterior, no caso em apreço, em vez de se ter impedido este tipo de construções, logo no seu início, através dos meios de fiscalização existentes ao dispor das Autarquias, protelou-se esse impedimento e agiu-se só muito depois, quando já estava instalada uma “aldeia”, com muitas pessoas. Foi, em suma, a prevalência do laxismo “deixa andar”, até ao momento em que se “acordou” para um problema que, na realidade, já existia há muito.

    A Autarquia liderada por Ricardo Leão “corre agora atrás do prejuízo”, propiciando um “circo mediático”, a todos os níveis lamentável. O Presidente da Câmara de Loures, que não soube, ou não quis, evitar a ocorrência deste problema, aparece agora com uma “voz muito grossa”, investido no papel de um putativo “justiceiro urbano”, acompanhando o Chega num populismo desbragado.

    Como em todos os condomínios privados, também neste aglomerado de barracas, poderão existir alguns bandidos, mas, e sobretudo, existirão, com certeza, muitas pessoas honestas, que trabalham arduamente para (sobre)viver.

    Essas últimas serão as verdadeiras vítimas deste drama: deixaram-nas acreditar, durante muitos anos, que tinham um lugar onde podiam (sobre)viver e de repente tiraram-lhes esse lugar, sem apelo nem agravo.

    O Presidente da Câmara de Loures está a prestar um péssimo serviço aos seus munícipes, mas também ao seu próprio Partido Político.

    Que o Chega proponha uma barbaridade como esta não causa qualquer admiração, o que causa real perplexidade é que alguém com tamanha responsabilidade autárquica e que presidia, até há pouco tempo, à Federação da Área Urbana de Lisboa (FAUL) do Partido Socialista, assuma uma posição iminentemente “incendiária” e populista da pior forma.

    De resto, em novembro de 2024, Ricardo Leão, foi praticamente “convidado”, pelo seu próprio Partido, a demitir-se da Presidência do órgão referido, devido a outra polémica originada por uma recomendação do Chega, apresentada na Assembleia Municipal de Loures, e que acabou por ser aprovada, entre outros, com os votos Partido Socialista.

    Se esta é a “melhor” forma, encontrada pelo Presidente da Câmara de Loures, para acabar com aglomerados de barracas, então dir-se-á que nunca se acabarão com as mesmas. Onde estão as medidas preventivas?

    1. Espero honestamente que o PS se mantenha firme contra os “Ricardos Leões”. Que se mantenha contra o despejo de quem não paga rendas irrisórias enquanto torra dinheiro em tabaco, bebida e outros tipos de drogas (conheço vários casos destes), que continue a defender a política de portas abertas que evidentemente exponenciou o problema, que defenda que quem vandaliza propriedade pública não possa ser expulso de casas pagas pelo erário público, etc, etc. É que essa será a melhor das garantias de que o PS não voltará tão cedo a pôr as suas patorras no poder.

      Leão até pode ser (o timing assim o indica) um populista mas eu pergunto, temos ou não temos um problema com a proliferação de barracas, com o descontrolo de fronteiras, com a rotura dos serviços públicos impreparados para esta avalanche de entrada de gente, com os baixos salários que a mão de obra disposta a receber um pouco mais que nada estimula, etc, etc? Ora se se falava disto há 1 ou 2 anos era-se fascista e de extrema-direita, se se fala disto agora é porque se é populista e eleitoralista, se se falar disto amanhã será por outra coisa qualquer. Esta tática já não cola, o cidadão comum demonstrou estar farto delas e quer que, de uma vez por todas, se fale dos problemas e se acabe com esta porcaria do políticamente correto e dos assuntos tabu de que ninguém pode falar nem pôr em causa.
      Quem não cumpre a lei tem de sofrer as consequências caso contrário a lei passa a ser letra morta e a pouco e pouco, a rebaldaria será instalada. Os ilegais têm de ser expulsos, as barracas demolidas, os que não pagam despejados, os ocupas condenados judicialmente, etc, etc. Portugal é e tem de se comportar como um estado de direito e não como um país de bananas com leis e justiça de bananas.

      1. Pelas “alminhas do Purgatório” (presença de sarcasmo e de ironia), veja lá se consegue ler e interpretar corretamente um comentário, ainda por cima curto.
        De uma vez por todas, não defendo a existência de barracas (aliás, quem poderá defender tal barbaridade?), o que defendo é a implementação de medidas que impeçam o seu aparecimento e a sua proliferação. Como não poderá deixar de ser, a definição e a aplicação dessas medidas compete, em primeiro lugar, às Autarquias, que são quem melhor conhecerá os respetivos territórios e que, pela evidente proximidade, deveria proceder a uma vigilância apertada, no sentido de debelar, logo à nascença, esse tipo de construções. Conhece alguma medida que a Autarquia de Loures tenha implementado, no sentido de prevenir e de impedir o aparecimento e a proliferação de barracas? Se conhece, por favor, partilhe. Será, com certeza, um contributo muito útil para esta discussão.

        Quanto ao resto que referiu, desta vez também vou ser populista porque me apetece e porque também tenho esse direito:
        Pela sua ordem de ideias, também conheço muitos cidadãos que, diariamente, andam de “rabinho a tremer” (presença de sarcasmo e de ironia), em carros de altíssima cilindrada e que vivem em condomínios luxuosos. Ora acontece que muitos desses cidadãos fogem descaradamente aos impostos; não declaram ao Fisco todos os seus rendimentos e, pasme-se, alguns até são suspeitos das mais variadas negociatas obscuras ou até de corrupção, peculato ou de branqueamento de capitais, enfim toda uma panóplia de potenciais crimes económicos. O resultado mais óbvio do anterior costuma ser a dilapidação patrimonial do erário público em muitos, muitos, milhões anuais, quer seja por via de potenciais crimes económicos, quer seja por via da denominada “economia paralela”, de que muitos desses cidadãos são ilustres signatários.

        Pela sua ordem de ideias, proponho a criação de um “Novo Tarrafal”, já que tantos parecem saudosos do seu regresso, situado talvez na Lua ou em Marte, sobretudo destinado a “trafulhas económicos” (presença de sarcasmo e de ironia em todo o parágrafo). Os potenciais “trafulhas económicos” seriam assim expulsos, proscritos ou desterrados para bem longe.´, a fim de se repor a moralidade e a ética. Pelas suas palavras, “Portugal é e tem de se comportar como um estado de direito e não como um país de bananas com leis e justiça de bananas.”. Apoiado! Só não sei se os potenciais “trafulhas económicos” iriam gostar muito dessa afirmação.

        “Quem não cumpre a lei tem de sofrer as consequências caso contrário a lei passa a ser letra morta e a pouco e pouco, a rebaldaria será instalada.” Apoiado! Não queremos um país de rebaldaria, queremos a Lei devidamente aplicada, a todos os que prevaricam, incluindo os que praticam os mais variados crimes económicos. Só não sei se os potenciais “trafulhas económicos” iriam gostar muito dessa afirmação.

        O desterro para o “Novo Tarrafal” só teria um “pequeno” problema: O mais certo é que o país ficasse irremediavelmente despovoado, tantos são os “parasitas económicos” que por cá pululam.
        E, ironia, das ironias, prevaleceria, naturalmente, uma população de imigrantes.

        Afinal, que grande chatice esta coisa do cumprimento da Lei, da moralidade, da ética! Acho que vou ter que pensar noutra alternativa para penalizar os potenciais “trafulhas económicos”, o país não pode correr o risco de ficar despovoado…

        (Alerta-se para a presença de sarcasmo e de ironia ao longo de todo o comentário).

        1. Pelos vistos quem não entendeu foi você já que quanto à posição do PS apenas disse aquilo que espero que aconteça, portanto, nem sequer comentei se concordava ou não consigo mas apenas fiz uma consideração geral. Mas se conseguir arranjar uma única frase onde tenha falado de si, dou-lhe um aplauso!
          Depois o resto do comentário seguiu essa senda, isto é, consideração geral sobre as barracas e outros problemas próximos das mesmas. E, mesmo que não se tenha apercebido as perguntas que fiz foram retóricas já que a resposta a todas elas é óbvia, isto é, não buscava com elas uma resposta e/ou validação/reprovação sua mas sim frisar que aqueles problemas são reais do meu ponto de vista.
          Portanto, todo o testamento que escreveu a seguir em que entra logo a pés juntos sobre a minha suposta incapacidade não faz sentido pelo que nem me dei ao trabalho de passar da 2a frase…lamento o seu tempo perdido mas recuso-me a ler algo que começa numa base e pressuposto absolutamente errado.

          1. “… lamento o seu tempo perdido mas recuso-me a ler algo que começa numa base e pressuposto absolutamente errado.”

            Não lamente Lopes, uma boa discussão nunca é tempo perdido.

            Limitei-me a rebater os seus argumentos, tentando demonstrar que o país também sofre de outras “enfermidades”, porventura tão, ou mais graves, como o problema da proliferação de barracas. É certo que o fiz num tom sarcástico e irónico, mas sem qualquer intenção de o atingir pessoalmente.

            Não temos que concordar, sempre, uns com os outros, felizmente (ainda) vivemos num regime democrático, que nos permite discussões deste género, sem a obrigatoriedade de consensos.

            1. Certo, cada um tem direito a ter a sua opinião por mais diferenciada que ela seja.
              O problema em si nem é a proliferação das barracas pois isso é apenas a consequência de várias políticas desastrosas que se foram acumulando até se chegar a este ponto. Enfim, esperemos que as medidas certas sejam adoptadas por quem nos dirige agora e, em caso de dúvida ou descontentamento nas próximas eleições lá estaremos para os penalizar.

    1. Com isto, o autarca de Loures, está a desbaratar a oportunidade de dotar a Grande Lisboa com aquelas tão típicas favelas brasileiras, como a Rocinha, a Vidigal, a Alemão e outras. O que não se perde em retorno económico…
      Só tinha de dar ouvidos à extrema esquerda e aos defensores da imigração às toneladas, e até incentivar a coisa, fornecendo chapas, barrotes e pregos, alguns tijolos e esferovite. Em pouco tempo estava resolvido o problema de habitação.
      A comunicação social canhota poderia contribuir, fazendo reportagens com considerações eufemísticas sobre o sucesso de edificação de bairros sociais, onde não se pagam rendas nem água nem electricidade, como deve ser no paraíso. Estou certo que seria um sucesso.
      Mas, como quase sempre a realidade ultrapassa a ficção, lá veio o Ricardo coração de Leão a estragar estes planos urbanísticos, sob o pretexto comezinho de apenas estar a cumprir essa coisa chamada de lei.
      Isto está mesmo a ficar sem emenda e não conseguimos fugir da velha máxima de pagar por ter cão e por não o ter.

      1. Vou arriscar e, se me permite, vou fazer-lhe uma pergunta, que talvez possa ser interpretada como um bocadinho indiscreta:

        O que significa para si o símbolo “Olho da Providência” (para já, vou chamar-lhe assim) que acompanha o nome a.almeida?

        Dependendo da sua resposta (obviamente, se responder à minha pergunta), talvez mais tarde lhe explique porque a fiz.

        1. Paula Dias, deixe o “olho” de lado, porque a providência está de férias.
          Já percebi de que lado está, e respeito isso.

          Quanto ao restante, reitero o que o comentador Lopes escreveu mais acima:
          “Espero honestamente que o PS se mantenha firme contra os ‘Ricardos Leões’. Que continue a recusar o despejo de quem não paga rendas irrisórias enquanto gasta dinheiro em tabaco, álcool e outros tipos de drogas (conheço vários casos assim). Que continue a defender a política de portas abertas, que evidentemente agravou o problema. Que insista em que quem vandaliza propriedade pública não possa ser expulso de casas pagas pelo erário público, etc. Essa será, aliás, a melhor garantia de que o PS não voltará tão cedo ao poder.”

          Quanto a si, se está tão incomodada com a reposição da legalidade — mesmo tendo razão em criticar a passividade da autarquia e das autoridades quando a “urbanização” começou —, se for da zona, pode sempre ajudar, oferecendo espaço na sua casa para uma ou duas famílias que agora ficaram sem telhado.

          Acredite, também me dói ver aquelas pessoas naquela situação. Mas acredito igualmente que, se a situação se perpetuar, o problema dessas pessoas nunca será resolvido — e a degradação e a miséria só tenderão a aumentar.

          Todos sabemos que a falta de habitação — especialmente em zonas urbanas densamente povoadas — é uma questão complexa e difícil de resolver. Não há receitas mágicas, nem milagres. Se as conhece, ponha-as à venda, que não faltarão clientes — aqui e no estrangeiro.

          Eu, por mim, também tive de fazer pela vida: comecei a trabalhar aos 12 anos, casei-me, tive filhos, formei-os, comprei terreno, construí casa com um empréstimo que ainda pago, mesmo às portas da reforma.
          Portanto, não podemos esperar que casas, terrenos, água e eletricidade nos caiam do céu ou nos sejam simplesmente oferecidos.

          Se aí na zona não há terrenos disponíveis, há muitos no interior do país. Quem vem do estrangeiro para Portugal, sem garantias de trabalho ou habitação, pode perfeitamente considerar mudar-se de Loures para Trancoso, Pinhel ou Freixo de Espada à Cinta.
          É preciso é trabalhar e fazer pela vida.

          1. Talvez eu seja uma crente, demasiadamente utópica e idealista, na divisa: “Liberdade, Igualdade, Fraternidade”…

            Quanto ao resto, não me vou repetir, direi apenas mais isto, aproveitando as suas palavras: “É preciso é trabalhar e fazer pela vida.” É exatamente isso que eu faço, todos os dias.

      2. o Leão é mesmo leão , na minha opinião. Um tipo com coragem que faz o que tem de fazer em vez de empurrar para o próximo executivo à mínima censura que ponha em causa a sua “reputação” e capital politico.
        O que mais me incomoda é que foi o Costa que encheu o país de estrangeiros sem acautelar se os podíamos receber ou não ; também foi durante o seu longo reinado que a presente crise habitacional ganhou raízes e se instalou com malas e bagagem , dá ideia que por muitos e longos anos.

  6. Derrubar barracas, sem que antes tenha sido acautelado o realojamento de quem as utiliza como abrigo, por não terem posses para pagar a renda de uma casa, é um atentado à dignidade humana, e este é um facto intemporal. Não precisa de atualização.

    1. Então agora reivindica o direito à barraca?
      Nos anos 80 e 90 reivindicava-se o oposto. Quem queria o progresso estava aí. Quem defendesse a barraca era “reaccionário”.
      Agora o “progresso” mudou de campo, pelo que vou ouvindo e lendo aqui.

      1. Mas em algum momento é dito que defendo as barracas? O que está implícito é que, se as deixaram construir, não emendem o erro ao demoli-las com gente dentro. Procurem, antes disso, realojá-las. Julgo que é este o ponto que está na base da contestação a que se assiste. Se o autarca tomou medidas no sentido do realojamento e as pessoas não as aceitaram, então perco a razão. Se não, não vejo outra justificação. Já percebi que está contra as barracas, como eu. Só não percebi é se está de acordo com a técnica de destruir primeiro e realojar depois, ficando, enquanto o processo dura, as pessoas ao relento.

        1. Você nega defender barracas. Porém, duas linhas abaixo, diz que demolir barracas é um erro.
          Portanto, defende as barracas.
          Eu estou no lado oposto ao seu. Construir barracas é um erro. Pior do que isso: é um crime. Com custos sociais, ambientais, sanitários, de segurança, etc.
          Defendo portanto o que sempre defendi: tolerância zero. Sem haver necessidade de seguir o exemplo da câmara comunista do Seixal, que usa drones para tal efeito.

  7. A burguesia progressista de Lisboa está escandalizada com o bruto. Tem um remédio: acolher os moradores defenestrados nos seus bairros. Por exemplo, na freguesia da Misericórdia, que até é PS, o que não faltam são alojamentos locais. É requisitá-los. Ganhavam todos: Loures porque se livrava da despesa, os transportes públicos porque as distâncias encurtavam, e a cidade porque ficava mais intracultural e plural. Afinal de contas é onde trabalham. O mesmo vale, por exemplo, para Benfica ou Campo de Ourique. E a bem da coesão as Avenidas Novas, Alvalade e o Chiado também devem dar o seu esforço.

      1. Sem esquecer a Kidman que pelo local escikhudi6(Parque das Nações) deve vir para a apanha da amêijoa

      2. As televisões, Pedro, adoram gritar por (quase) tudo o que respeita ao Benfica. Quanto a esses imigrantes, serão, com certeza, promovidos à categoria de “futebolistas galácticos”, bastando, para esse efeito, pisar uma vez no relvado do Estádio da Luz. Sim, uma vez basta.

        O Benfica, muitas vezes com a conivência de alguns Jornalistas Desportivos, parece ter-se tornado perito na criação de “meninos de ouro”, ainda que alguns desses se tenham revelado como verdadeiros “flops”. Mas isso não interessa nada, o que importa é ajudar o Benfica a encaixar uns valentes milhões, que as contas não se pagam sozinhas.

        1. Isso se você acreditar que um inglês, espanhol ou italiano que percebe de futebol ache que a opinião dos comentadores patéticos dos nossos programas desportivos tem um mínimo de credibilidade. Já estou a ver um tipo como o Ferguson, o Guardiola ou o Ancelotti a irem religiosamente ver um programa com um Pedro Guerra ou um Fernando Mendes para descobrirem os grandes astros do Benfica. Aliás sem eles esses 3 srs da bola nem sequer saberiam quem contratar. Enfim, só acredita que a miserabilidade quase a 100% que é a nossa imprensa desportiva tem algum peso na promoção e venda de jogadores do Benfica ou de um outro qualquer clube quem quer.

          1. Sarcasmo e ironia dizem-lhe alguma coisa ou nem por isso? Mesmo assim vou responder-lhe, tentando ser parcimoniosa nas palavras:

            – Como é óbvio, Ferguson, Guardiola ou Ancelotti querem lá saber do que dizem os Jornalistas Desportivos portugueses;

            – Mesmo que a credibilidade de alguns Jornalistas Desportivos seja, no mínimo, duvidosa, pelo menos em termos de “consumo interno”, costumam ser muito ouvidos e tidos em consideração, sobretudo se fizerem a apologia de certos jogadores, no sentido do seu “endeusamento”. Frequentemente, isso acontece com jogadores do Benfica, que basta pisarem uma vez no relvado da Luz, para serem imediatamente tidos como grandes craques da bola (presença de sarcasmo e de ironia). Aparentemente, a “marca Benfica” tem peso entre alguns desses Jornalistas que, de resto, poderão muito bem acabar, também eles, promovidos a altos cargos nesse Clube. Veja-se o caso de Rui Pedro Braz que passou de comentador desportivo a alto dirigente do Benfica. Queira-se ou não se queira, impera aquela velha máxima: Defender o Benfica, compensa. E escusamos de ser sonsos ou de fazer papel de hipócritas. (Presença de sarcasmo e de ironia nos dois últimos períodos).

            1. “O Benfica, muitas vezes com a conivência de alguns Jornalistas Desportivos, parece ter-se tornado perito na criação de “meninos de ouro”, ainda que alguns desses se tenham revelado como verdadeiros “flops”. Mas isso não interessa nada, o que importa é ajudar o Benfica a encaixar uns valentes milhões, que as contas não se pagam sozinhas.”

              Queira desculpar-me mas não existe aqui uma única ponta de ironia. Como fiz noutro comentário em que também decidiu nadar para fora de pé e entrar a pés juntos (ainda que neste caso tenha realmente tecido considerações sobre o seu comentário e afirmações o que nem sequer é verdade no outro caso), proponho que demonstre onde existe neste parágrafo o mais ínfimo indício de ironia ou de sarcasmo. Se o encontrar ganha um enorme aplauso pela proeza.

              Agora se não sabe o que escreve e depois fica sem tapete quando lhe respondem não precisa de vir fazer de conta que estava a brincar. Apenas mantenha o silêncio para não fazer as figurinhas que faz. É que afirmar que os tais jornalistas desportivos ajudam a encaixar valentes milhões e depois dizer que ninguém quer saber deles lá fora é no mínimo uma contradição a não ser que, afinal seja “o consumo interno” pela mão dum Aves, Académico ou Cucujães quem compra aqueles jogadores que saem por várias dezenas de milhão e que, são na realidade os que são “endeusados” e que garantem os encaixes dos “valentes milhões”. Pois, parece que não é nada disso e que a cara Paula meteu os pés pelas mãos, acontece!

            2. Mantenho o que escrevi sobre este ponto, sem explicações adicionais da minha parte. E escusa de interpretar esta resposta como uma “admissão de culpa” ou como uma “birra”, interprete-a antes como uma aceitação, da minha parte, de que, nesta temática, não vale a pena dar-me ao trabalho de lhe responder com outros esclarecimentos. Poderia fazê-lo, mas não vou fazê-lo.

            3. Certo, tudo bem!
              Apenas deixar uma última consideração. A questão da bajulação ao Benfica pode na verdade ser vista por 2 ângulos. Se por um lado é compreensível que se veja isso como algo que ajuda o clube em causa (internamente), por outro, tem uma faceta extremamente negativa. Nomear lambe botas não costuma ser bom para as empresas, isto é, colocar os lambe botas em quadros relevantes no Benfica pode ser também um erro já que se mata o espírito crítico essencial para qualquer empresa inovar e vencer os desafios. Não serve de grande coisa ter gestores e acessores dum líder (o presidente neste caso) que se limitem a bater palmas ou a acenar com a cabeça. É muito mais proveitoso ter pessoas capazes de colocar questões nos momentos certos e que consigam antecipar problemas. Mas essa é a minha opinião, se calhar o benfica até nem ganha assim tanto em ter esses endeusadores e bajuladores.

  8. Bom dia Pedro Correia
    Respeitosamente assino por baixo.
    Tudo isto, e mais “tudo” que se passa na vertente interna e na vertente externa me remete para o Asterix -” les romains son fous”!
    Saúde.
    António Cabral

  9. Ninguém está preocupado com a dignidade dos que vivem em barracas. O que interessa é o reality show – aparecer na TV, nas redes.
    Ontem era a “paisagem urbana”, hoje é a “inclusão social”. Os pobres continuam empilhados onde ninguém passa, convenientemente invisíveis até ao próximo escândalo.
    Que diferença faz que se proíba ou se permita construir barracas? Nenhuma, desde que sirvam de trampolim para ficar bem na foto ou justificar novos estudos pagos com dinheiro público. Enquanto se discute a semântica da dignidade humana, continua tudo igual: casas de papelão, autocarros a passar ao largo e políticos cheios de planos de habitação que nunca saem do papel, porque dar casa a sério a quem mais precisa nunca garantiu votos suficientes – nem dinheiro, nem jantaradas.
    Portugal é exímio a gerir a miséria: não resolve, exibe. Se ao menos a barraca fosse metáfora, podíamos vibrar. Mas é mesmo literal – e está cada vez mais bem montada.

    1. Exibir a miséria até dá jeito. Nos telediários, nas redes (onde há quem se acotovele para evidenciar virtude) e até no cinema (basta lembrar o filme “Feios, Porcos e Maus”).
      De papelão são esses “bons sentimentos” da treta que tantos trazem na lapela entre indignações avulsas, que variam tal como vão variando as ementas do dia num restaurante ‘gourmet’.

  10. Num debate ocorrido há dias na SIC Notícias sobre este drama, julgo que no dia em que as televisões se lambuzaram com o relato das desgraças dos desalojados, ouvi uma voz que pôs o dedo na ferida desmontando as críticas feitas a Ricardo Leão.
    Isaltino Morais, goste-se ou não do padrinho do desenvolvimento de Oeiras, tem vindo a mostrar o que na gestão de uma autarquia uma visão estratégica pode fazer pelo urbanismo, denunciando, por exemplo, uma política dos solos contributiva “per si” para a inflação do custo da construção.
    Disse este autarca, que ninguém pode negar que sabe do que fala, que não poderá ser assacada ao Presidente da Câmara de Loures a responsabilidade da edificação de barracas em terreno devoluto, nem é da sua responsabilidade proporcionar ao governo uma solução para um problema estrutural, com o qual a sua autarquia tem que lidar com os meios disponíveis. Não professando o mesmo crédito político, afirmou no entanto que a limpeza do abarracamento era desprovida de qualquer manobra eleitoralista, já que as barracas tinham começado a despontar há cerca de três meses, e ou agia agora ou ver-se-ia a braços com uma favela tipo Casal Ventoso a curto prazo. As televisões, mais umas que outras, deram como de costume mais palco aos críticos das demolições em curso do que aos representantes da autarquia, que justificaram os porquês da decisão tomada e as medidas propostas e accionadas para alojar as famílias desalojadas. A estas medidas pouco ou nenhum relevo foi dado, o direito às barracas é inalienável, malandros são os das bulldozers

    1. Isaltino tem crédito nesta matéria. Foi o autarca da Área Metropolitana de Lisboa que mais investiu em habitação na Grande Lisboa nestas últimas duas décadas. Sabendo aproveitar bem as verbas do PRR.

      Se houvesse jornalismo competente nas nossas televisões, em vez de enviarem jovens estagiários de braço estendido para as barracas de Loures a recolherem declarações de “activistas políticos” que nem lá moram, divulgavam quais foram os municípios que aproveitaram o PRR para investir em habitação pública. Do mais ao menos.
      Fariam bom jornalismo assim. Mas dá mais trabalho do que estender o braço com um microfone na mão.

      1. Obrigado Pedro por ter entendido tão bem o que eu quiz dizer, embora sem o seu costumeiro brilhantismo.
        Cumprimentos

  11. Acontece. É o progresso!
    A Lei e a dignidade humana são coisas dinâmicas, variam consoante as necessidades progressistas.

    1. Por acaso é verdade Portugal está cada vez mais avançado: primeiro indignamo-nos com a pobreza, agora indignamo-nos com quem a tenta remover.

    2. Alguns “progridem” às arrecuas.
      É o caso destes (e destas) que agora andam aos gritos contra a demolição de barracas.
      Credo, que horror, não há direito.

      E são tão poucas…
      Hoje apenas 40, para o mês que vem 400, no fim do ano 4000.
      Deixá-las expandir como cogumelos.
      Transformar o direito à habitação no “direito à barraca”.

      Regresso ao passado: querem voltar ao tempo pré-PER (1993), o programa lançado pelo governo Cavaco Silva que permitiu erradicar as barracas da Grande Lisboa.
      Muitos recordam (eu também) os “bairros” da Musgueira, da Curraleira, da Quinta Nova, do Casal Ventoso. Com as suas “habitações autoconstruidas”, entre surtos de cólera e difteria, atentados permanentes à higiene urbana, à segurança e à saúde pública.

      Alguns (e algumas) sentem nostalgia desses tempos, vá-se lá saber porquê.

      1. Esses são os mesmos fulanos de que ouvi falar numa peça de TV (já não me recordo de quem exatamente), onde o comentador dizia algo como “a esquerda caviar que grita e se revolta muito com a demolição das barracas mas que nunca nada diz sobre os sem abrigo que vêm todas as sextas e sábados à noite em Lisboa”. Pois parece que os sem abrigo não proporcionam tantos soundbytes.

    1. Não é desculpa para tolerar aqueles pardieiros de 4m2, com um barrote, umas tábuas levantadas em terra batida e toda a gente a depositar fezes em sacos de plástico.
      Há, espantosamente, no lúmpen do conentariado, quem se atreva a chamar “habitação” a isto.

      1. E a, descaradamente, a roubar água e electricidade dos sistema públicos, improvisando “redes de abastecimento” perigosas, por onde andam crianças pequenas.

  12. Concordo consigo, mais acrescento, no meu tempo, um homem era um homem, uma mulher era uma mulher e um cão era um cão. Hoje em dia, já nem sei, desactualizei-me propositadamente.

  13. Aqui onde eu moro, não há cá problemas com barracas: há ocupas. Ocupam os bancos do parque e a erva em regime multifuncional – dormitório, escritório, mesa de café, espaço de lazer e etc.
    É assim uma espécie de privatização dos espaços públicos.

  14. Quando entram em Portugal segundo o que dizem um milhão e seiscentos mil imigrantes em meia dúzia de anos. Estamos à espera de Quê? Triste é toda esta hipocrisia. Nós não somos bons para os que por cá nasceram e vivem quanto mais para os que vêm de fora.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *