
Nada como passar pelo supermercado para apreciar o efeito de rebanho que as campanhas natalícias provocam nos consumidores. Parecem abelhinhas numa colmeia. E isto já se observa há semanas. Os senhores que nos pastoreiam lá sabem por que o Natal deve começar cada vez mais cedo. Apesar de termos uma vida difícil, gastamos mais quando pressionados. É esta a premissa número 1 de um bom marketeer.
O consumidor é um animal manso e obediente. Já assumiu que o Natal começa em Outubro e que a febre das compras tem de se cumprir, com ou sem dinheiro para gastar, logo se vê. Como se consegue este efeito multiplicador? É um mistério da fé. A verdade é que todos os anos os congestionamentos de trânsito em torno dos centros comerciais e as filas quilométricas para os caixas do supermercado se cumprem. Aos que resistem a esta via crucis por terem a mania que são diferentes, restam as pequenas excentricidades como a de só comprar em lojas de rua, de preferência no bairro, ou melhor ainda, fazer as compras natalícias ao longo do ano. Também há quem teime em festejar o Natal apenas a partir do dia 1 de Dezembro, como antigamente. Sou um orgulhoso membro deste grupo de resistentes. De alguma forma sinto que me redime de todo este desconcerto consumista em que me deixo arrastar.
Também compro quase tudo em lojas de rua. Menos mal. De resto compro, compro e compro o Natal como se não houvesse amanhã. Talvez para esquecer – visto que não tenho filhos ou sobrinhos pequenos, nem netos – que o Pai Natal não existe.

“Morra agora e pague depois”
Deve ser triste não ter filhos nem sobrinhos. Quando a Teresa envelhecer, que fará à sua vida? Quem a ajudará? Quem tratará de si?
A autora escreveu “pequenos”.
Convém saber ler o que lá está.
Deve ser uma vida triste, para quem a não saiba preencher senão com os outros (sejam familiares ou não).
Se a vida fosse apenas isso, de facto, mais valia não se ter nascido.
Procriar, tratar das plantas, cuidar dos animais de companhia, tratar das tarefas familiares … É o perfeito vazio da Vida. Seria uma forma de preencher a Vida como diz o Post: «abelhinhas acéfalas numa colmeia de consumidores».
Maduro já comemorou o Natal a 20 de Outubro creio
Eu não entro nesse frenesim.
Umas caixas de chocolates para os meus primos
e pouco mais. Para a minha mãe é diferente mas mesmo
assim nem sempre é ao seu gosto. Já não me afecta.
Viajo para a próxima semana mas para mim o foie-gras
digam o que disserem não vai faltar na minha mala.
Não necessariamente no Natal mas para o réveillon do
fim do ano como é meu hábito.
E , assim vai a vida…
consumo, logo existo.
É mesmo assim Teresa. Da importação do Halloween até ao Natal vão uma série de dias, uns às cores outros tecnológicos, que apregoam promoções fantásticas, que enchem lojas e são um sugadouro de carteiras. Ainda ontem o verifiquei. Fui ao médico que fica quase ao lado de um centro comercial com hipermercado. Ontem foi dia de pagamento de pensões e subsídios de Natal. O meu marido e eu fomos verificar uns artigos de folheto. Só. E ainda bem. Às 9h da manhã a fila de cabeças brancas para pagar na caixa os conteúdos de carrinhos transbordantes, prometia muito tempo de espera e um dia em cheio.
Compras, faço cedo e perto. Tenho o Natal “rematado”.
E o que dizer dessa loucura, “made in U. S. A.”,
apodada de “Black Friday”, importada por empresas
portuguesas e por empresas estrangeiras que operam
em Portugal?
P. S.: Existem muitas aldrabices com os preços dos artigos…
Cumprimentos.
João Barros da Costa
JOAO.BARROS.DA.COSTA@SAPO.PT
O incentivo publicitário e promocional ao consumismo,
baseado num capitalismo multinacional e sem freios,
não será uma espécie de prisão em que quase todos
caem e da qual é difícil sair?
E os saldos? As promoções em cada esquina, à venda
por módicas quantias…
João Barros da Costa