Consumições(1)


Carlos Barbosa de Oliveira,

No final da década de 90, estava o país a ser invadido por uma avassaladora onda de empresas de venda de colchões ortopédicos, a que cada uma juntava as propriedades adequadas aos consumidores que pretendiam iludir. Um casal, de idade já avançada, foi atraído a um desses locais de venda pelos processos já sobejamente conhecidos, mas mantinha-se irredutível em desembolsar uns milhares de euros para comprar o colchão. O vendedor, perspicaz, mas sem sucesso no recurso aos habituais argumentos, invocou um novo: aquele colchão produzia efeitos iguais aos do Viagra!.

O casal entreolhou-se, trocou em recato algumas palavras e passado algum tempo decidiu-se. Negócio fechado, a troco de cerca de 600 contos a pagar em prestações suaves, com recurso ao crédito. O problema surgiu quando o casal constatou que fora enganado e, invocando o prazo de reflexão de 14 dias, pretendeu anular o negócio…

 

Adenda: No próximo dia 15 de Março comemora-se o Dia Mundial dos Direitos do Consumidor. Até lá, vou tentar trazer alguns casos reais que retratam a sociedade de consumo.

6 comentários em “Consumições(1)”

  1. Carlos: Que ideia genial dedicar alguns posts sobre este tema! Até porque é um tema tristemente actual: para já, as grandes empresas a tornar-se ainda mais agressivas e a escorregar para abusos; veja-se os bancos a aumentar ilegalmente o spread e sem avisar o cliente; e ainda este comércio sem fiscalização.
    Oa consumidores necessitam de informação correcta e fidedigna, porque isto está a tornar-se uma verdadeira selva.
    Parabéns pela ideia!

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