Em 4 de Março, escrevi aqui o seguinte: "Alguém imagina Alegre a fazer campanha de braço dado com Sócrates depois de uma legislatura em que o PS renunciou a boa parte da sua identidade, ao prosseguir o programa de privatizações de empresas públicas, impor um código laboral rejeitado pela esmagadora maioria dos trabalhadores e pôr em prática uma ‘reforma’ da segurança social que promete penalizar ainda mais o poder de compra dos reformados?" Em 8 de Maio, desenvolvi a ideia anterior, antecipando a posição hoje divulgada pelo histórico socialista: "A desvinculação – não desfiliação – do poeta deste PS capitaneado por José Sócrates, recusando um lugar nas listas eleitorais, dá uma acrescida caução moral aos habituais eleitores socialistas que se sentem tentados a mudar de voto. É um drama? Só para a actual direcção rosa. O País não se torna ingovernável por causa disso. É a vida, como diria um destacado socialista. Habituem-se, como diria outro."
Agora confirmou-se: Alegre mantém-se no PS – que já era o partido dele quando José Sócrates militava com Paulo Portas na JSD. Não construirá um novo partido, mas também não aceita figurar nas listas eleitorais socialistas. Ao contrário do que alguns afirmam, nada há de incoerente neste percurso, aliás bem fácil de antever, como demonstrei atrás. Alegre está convencido de que o balanço da governação socialista é negativo, tanto em termos sociais como económicos, e por isso Sócrates não merece nova maioria absoluta. Isso não implica que devolva o cartão de militante. Foi, aliás, o que fizeram em 2004 e 2005 alguns ilustres sociais-democratas que recusaram colaborar com Santana Lopes – incluindo a actual presidente do PSD. Ninguém é obrigado a escolher entre o partido e o líder: essa é a lógica das ditaduras. E tanto quanto sei ainda vivemos em democracia.


Defendo o mesmo: ninguém é obrigado a escolher entre o líder e o partido, era o que faltava. E não vejo nenhuma incoerência na atitude de Manuel Alegre, pelo contrário. Fica no seu partido de sempre (que ajudou a fundar, aliás) e mantém-se uma voz crítica, com toda a autoridade para sê-lo.
Dizes bem, Ana: Manuel Alegre tem toda a autoridade para se manter como voz crítica no PS. Nenhum dos ‘cristãos-novos’ do partido tem autoridade política ou moral para o empurrar de lá para fora. Aliás, o secretário-geral socialista já reiterou que no PS não existem delitos de opinião…
Tens toda a razão naquilo que escreves!
Pois, Teresa, às vezes é conveniente sublinhar o óbvio: não há que optar entre o líder e o partido.
Era só o que faltava! E como salientas, ainda Sócrates militava na JSD já Alegre era militante do Partido Socialista.
Pois. Sócrates e Paulo Portas andaram ao mesmo tempo na jota laranjinha…
E isso acrescenta o quê ao debate?
O mesmo que eu vir aqui dizer que o supre sumo do PPE começou na extrema esquerda, ou não foi esse o caso de Durão Barroso?
Meu caro,
Para percebermos o ponto de chegada dos políticos convém sempre sabermos qual foi o ponto de partida. Não é por acaso que você e outros invocam sempre o exemplo de Barroso, Pacheco Pereira, etc. Ou outros invocam o percurso de Vital e Zita. Está lá sempre. Sócrates e Portas começaram a vida política na mesma organização. Isto ajuda a compreender muita coisa do que já foi e do que será.
Abraço
Gostei muito do que escreveu. Conclui de forma clara e esclarecida: Ninguém é obrigado a escolher entre o partido e o líder… Gostei!
:))
Obrigado pela sua permanente simpatia, Maria do Sol.
Bem, Pedro,
eu denunciei assim
http://atributos-1.blogspot.com/2009/05/p s-socrates-alegre.html
Melhores cumprimentos
JM
Abraço, meu caro.
Concordo, Pedro. Quer o percurso não é incoerente, quer a decisão parece-me a mais correcta por parte de Alegre.
Pois, Jorge. Manuel Alegre conserva todo o espaço de manobra dentro do partido que ajudou a construir e é consequente com as críticas feitas ao Governo Sócrates deixando claro que o secretário-geral não conta com ele nas listas eleitorais. Quanto a presidenciais, ainda é muito cedo para falarmos disso. Muita coisa sucederá até lá.
Não fazia sentido nenhum formar um outro partido. O partido não é o líder mas parece-me que o Partido Socialista vai sair mais enfraquecido desta liderança socrática. As eleições são a prova mais imediata.
Claro que formar outro partido não faria sentido nenhum, Leonor. Nem verdadeiramente isso esteve em equação a não ser nas deambulações teóricas de certos ‘analistas’. Quanto à maioria absoluta, não tenho dúvida de que Alegre pensa como muitos eleitores portugueses: o PS não a merece, o País não a suporta. Sócrates governou mal. Se continuar no Governo terá de estabelecer acordos com outros partidos.
Caro Pedro, excelente é a sua conclusão já aqui sublinhada por outros comentadores de que ninguém é obrigado a escolher entre o partido e o lider. Mas aparentemente ao contrário do que se poderá pensar eu aposto em que Manuel Alegre vai fazer campanha pelo PS sim. Escolherá o tempo e o modo, mas fará o necessário para tentar imitar a sangria à esquerda. É a minha previsão.
Não acredito que Manuel Alegre faça campanha ao lado de Sócrates, que apareça com ele em comícios, etc. Quanto ao resto, veremos, Ariel.
Como muito bem diz, também neste caso, da campanha, não tem de ser ao lado do lider. ..
Pois não, Ariel. Era o que faltava…
Pois não, Ariel. E parece-me bem que assim será.
Parece-me que foi adecisão mais óbvia, por muito que isso irritasse alguma direita. Manuel Alegre não é arrivista, ao contrário do líder e sabe muito bem que só tem a ganhar com esta decisão que em nada belisca ( pelo contrário…) a sua candidatura em 2011
É evidente, Carlos. A margem de manobra política de Manuel Alegre permanece intacta. Não conheço mais ninguém, aliás, que consiga estabelecer hoje tantas pontes à esquerda na sociedade portuguesa como ele. Não é com certeza Vital Moreira, que Sócrates terá lançado nestas europeias como possível balão de ensaio para as presidenciais.
Sócrates é arrivista?
Explique lá bem isso que, pelo menos para mim, não foi compreensível.
Se fizer o favor, claro está.
peter,
analisando, portanto… e bem, diga-se.
estás em forma, como sempre.
toma lá abraço
Um grande abraço, Rui.
Duvidoso seria ele querer regressar como deputado, para depois andar a votar contra o partido. Agora, não apenas mostrou que está afastado de facto da actual liderança, como deixou claro que a actual liderança tem toda a legitimidade para liderar, mas sem contar com o seu exercício.
Isto é Alegre esclarecido e coerente. Tem de se gostar de quem deixa aos outros a tibieza e pugna pela clareza. Chama-se a isto ter convicções fortes, coisa que está em vias de extinção e que, no entanto, continua a ser muito bonito.
Nem mais, compadre. Penso, digo e escrevo o mesmo.