Dizia Estaline que a morte de um ser humano é uma desgraça enquanto a morte de um milhão de seres humanos é uma estatística. Ao contrário do ditador comunista, para quem o homicídio era apenas um modo como qualquer outro de fazer política, jamais devemos sobrepor critérios de outra ordem à nossa firme condenação das acções bélicas como a que Israel executou em Gaza ao longo das últimas três semanas. Sublinhado isto, acrescentarei que só conseguirei respeitar os mais vigorosos protestos contra Israel que tenho escutado e lido, de uma pequena multidão indignada que vai de José Saramago a Daniel Oliveira, se a vir igualmente tão firme na condenação das atrocidades cometidas pelos radicais islâmicos, de que o Hamas é uma componente vital no seu obsessivo desígnio de estabelecer um califado à escala do planeta. Parafraseando Gertrud Stein, um crime é um crime é um crime. A própria carta de fundação do Hamas faz um apelo explícito ao crime no seu artigo 7º: «Que o enviado [Maomé] disse: ‘Que lutem os muçulmanos contra os judeus e que os matem os muçulmanos, e quando o judeu se esconder atrás das árvores e das pedras, então dirão as árvores e as pedras: ‘Ó muçulmano, ó servidor de Alá, aqui esconde-se um judeu, vem matá-lo’.»
Um crime é um crime é um crime.


Eu sou suspeito porque a minha posição e, digamos, simpatia, pelo Estado (e povo) Judeu, é pública. Se não fosse o caso, diria, depois de o ler, I rest my case.
O artigo 7.º da carta de princípios do Hamas que aqui citas é esclarecedor: os muçulmanos radicais só conseguem dialogar com as árvores e as pedras. Devem achar que a vida vegetal e os minérios são mais semelhantes deles do que os outros homens que pensam pela sua própria cabeça.
(Antes de ser crucificado, esclareço já que não estou a fazer a apologia da guerra cega que Israel não está a querer substituir pelas propostas insistentes de diálogo mediado por terceiros.)
Enquanto o Hamas não reconhecer a existência do Estado de Israel, será impossível haver paz na Palestina.
A sua ideologia fundamentalista apela mais ao ódio racial e religioso do que à conciliação de interesses, pela via negocial.
Pessoalmente acredito que Israel já aguentou demais, até ao limite do razoável, por isso, a ofensiva que está a efectuar em Gaza é um direito que lhe assiste enquanto Estado soberano no sentido de se defender de acções de organizações terroristas.
O Hamas não representa as aspirações da causa palestiniana, mas apenas de meia dúzia de oportunistas sedentos de poder absoluto.
Excelente texto Pedro.
Obrigado, meu caro viajante. Um grande abraço (e evite ir por estes dias à Faixa de Gaza)