Contra o crime, sempre


Patrícia Reis,

 

Dizia Estaline que a morte de um ser humano é uma desgraça enquanto a morte de um milhão de seres humanos é uma estatística. Ao contrário do ditador comunista, para quem o homicídio era apenas um modo como qualquer outro de fazer política, jamais devemos sobrepor critérios de outra ordem à nossa firme condenação das acções bélicas como a que Israel executou em Gaza ao longo das últimas três semanas. Sublinhado isto, acrescentarei que só conseguirei respeitar os mais vigorosos protestos contra Israel que tenho escutado e lido, de uma pequena multidão indignada que vai de José Saramago a Daniel Oliveira, se a vir igualmente tão firme na condenação das atrocidades cometidas pelos radicais islâmicos, de que o Hamas é uma componente vital no seu obsessivo desígnio de estabelecer um califado à escala do planeta. Parafraseando Gertrud Stein, um crime é um crime é um crime. A própria carta de fundação do Hamas faz um apelo explícito ao crime no seu artigo 7º: «Que o enviado [Maomé] disse: ‘Que lutem os muçulmanos contra os judeus e que os matem os muçulmanos, e quando o judeu se esconder atrás das árvores e das pedras, então dirão as árvores e as pedras: ‘Ó muçulmano, ó servidor de Alá, aqui esconde-se um judeu, vem matá-lo’.»

Um crime é um crime é um crime.

5 comentários em “Contra o crime, sempre”

  1. Eu sou suspeito porque a minha posição e, digamos, simpatia, pelo Estado (e povo) Judeu, é pública. Se não fosse o caso, diria, depois de o ler, I rest my case.

  2. O artigo 7.º da carta de princípios do Hamas que aqui citas é esclarecedor: os muçulmanos radicais só conseguem dialogar com as árvores e as pedras. Devem achar que a vida vegetal e os minérios são mais semelhantes deles do que os outros homens que pensam pela sua própria cabeça.

    (Antes de ser crucificado, esclareço já que não estou a fazer a apologia da guerra cega que Israel não está a querer substituir pelas propostas insistentes de diálogo mediado por terceiros.)

  3. Enquanto o Hamas não reconhecer a existência do Estado de Israel, será impossível haver paz na Palestina.
    A sua ideologia fundamentalista apela mais ao ódio racial e religioso do que à conciliação de interesses, pela via negocial.
    Pessoalmente acredito que Israel já aguentou demais, até ao limite do razoável, por isso, a ofensiva que está a efectuar em Gaza é um direito que lhe assiste enquanto Estado soberano no sentido de se defender de acções de organizações terroristas.
    O Hamas não representa as aspirações da causa palestiniana, mas apenas de meia dúzia de oportunistas sedentos de poder absoluto.

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