Novos mercados
Portugal vendeu uma parte da dívida publica à China e agora anda por terras dos sheiks para seduzir os qataris a nos ajudarem.
Este acto do nosso governo está relacionado com o crescimento e importância que os novos mercados têm na economia global. O mais natural era pedirmos ajuda aos Estados Unidos, Alemanha ou França, mas o crescimento dos BRIC e dos Emergents 7 mudou o rumo do Mundo.
Hoje quem está disponível para ajudar é a China, Brasil, Qatar, Índia. São estes países que têm regimes políticos fechados mas que sobreviveram à crise do subprime iniciada nos Estados Unidos. Parece que as economias em crescimento não foram afectadas e é importante saber porquê.
Estes países estão preparados para entrar nas economias europeias e Portugal foi o primeiro a abrir a mão, porque ninguém compra a dívida pública sem contrapartidas. O potencial económico destes países é gigantesco e vai permitir entrar no Ocidente com a maior das facilidades, porque a Europa está necessitada urgentemente de capital. Resta saber quais serão as contrapartidas futuras que os europeus vão conceder aos Emergents 7.
Curioso é verificar que nestes novos ricos o nível social e político é muito diferente daquilo que existe na Europa e Estados Unidos. A China tem um problema grave de respeito pelos direitos humanos, no Qatar as mulheres ainda escondem a cara, no Brasil e Índia existe uma enorme desigualdade social.
Tudo isso não importa quando se trata de injectar dinheiro para que se possa cumprir o défice. Assim estes países vão tomando conta do Mundo e lentamente constituem-se como uma força política cada vez mais influente.
No dia em que a economia norte-americana precisar da ajuda destes países, estaremos perante uma nova realidade.
A todos os níveis.


Muito bem, Francisco. Foi um gosto lê-lo aqui.
Apenas três sublinhados, se me permite (na minha opinião) clarificar melhor:
— o Brasil e a Índia não devem ser vistos como meros regimes fechados;
— a notória desigualdade social naqueles dois (Portugal está a acentuá-la a olhos vistos) não é impedimento de abertura e a Índia até é a maior democracia do mundo;
— a economia norte-americana já precisou (e precisa?) da ajuda (financeira, é certo) pelo menos da China.
Um abraço.
caro Joao e Pedro
Muito obrigado por me terem deixado participar no vosso blogue.
De facto o delito de opinião está bem estruturado, é facil de ler e tem opiniões muito interessantes. Fica um fan.
Quanto ao tema
É que estes regimes apesar de serem economicamente desenvolvidos, social têm muitos problemas e isso pode ser uma barreira para o desenvolvimento económico daqueles paises.
E têm muito que percorrer para chegarem a um patamar de igualdade social e politica ( caso da china…). O que é estranho e de reflexão como foi possivel o boom económico.
Quero ver quando é que os EUA vão estar “completamente” dependentes da cHINA e se isso não terá consequencias a nivel militar por exemplo
abraço
Obrigado pela visita, Francisco. E pelas pistas de reflexão que aqui deixa.
O Francisco parece não conhecer bem a realidade básica do mundo em que vivemos, tais são os erros que escreve neste post:
(1) “O mais natural era pedirmos ajuda aos Estados Unidos”
Como assim, se os EUA têm um enorme défice orçamental e um enorme défice comercial? Os Estados Unidos precisam de ser ajudados /e são-no, efetivamente) pela China e outros países; não estão em condições de ajudar ninguém.
(2) “[…] Índia. São estes países que têm regimes políticos fechados”
A Índia é um país perfeitamente democrático, com liberdade de expressão, eleições regulares, dezenas de partidos (a maior parte deles de nível local), etc. Tem um regime político muito aberto, talvez até mais aberto do que o nosso.
(3) “No dia em que a economia norte-americana precisar da ajuda destes países, estaremos perante uma nova realidade.”
Já estamos perante essa realidade há dezenas de anos…
Creio, Francisco, que a economia norte-americana já precisa da ajuda destes países, em concreto, da China.
E não sou eu quem o diz, sou leiga em matéria económica.
São os próprios americanos (nóbeis da Economia e outros) e se ler bem as palavras de Barak Obama enquanto Hu Jintao está em solo americano reforçam essa ideia já que a China detém um garnde parte da dívida americana.
Assinale-se é a notável coragem de Barak Obama em ter referido ao convidado chinês a necessidade de respeitar os direitos humanos na China, obrigando Hu Jintao a reconhecer “que há muito a fazer nesse domínio”.
O que me assusta é não saber quais são mesmo as contrapartidas negociadas na venda da dívida com os regimes não democráticos como a China e as terras dos scheiks…