Convidado: VÍTOR MATOS


Pedro Correia,

 

As intercalares presidenciais são inúteis

 

Estas são as quartas eleições intercalares Presidenciais da democracia. São apenas intercalares e sobretudo inúteis. De 10 em 10 anos, concorrem as figuras de primeiro plano que depois  cumprem os mandatos; nas décadas de perrmeio, umas figurinhas curiosas em bicos de pés desafiam o incumbente sem sucesso, com a noção prévia da sua impotência.

Até o Alegre de 2010 não é o mesmo de 2006. É o primeiro desta história a atirar-se contra a parede, concorrendo cinco anos depois de ter sido derrotado pelo entretanto incumbente. Entalado entre o PS e o BE, sem a aura poética da liberdade anti-sistema da campanha do milhão de votos, tem o apoio interesseiro de José Sócrates que nunca partilhará uma derrota que será exclusivamente dele. Alegre ainda não perdeu, mas:

  – Em 1980, Soares Carneiro teve 40%, não foi mau, mas ficou a 15% de Ramalho Eanes.

  – Em 1991, Basílio Horta teve 14% contra Mário Soares apoiado pelo PSD, que rebentou a escala com 70%. 

  – Em 2001, Joaquim Ferreira do Amaral prestou-se ao sacrifício: 34% contra 55% de Sampaio.

  – Em 2011, resta saber por quantos ganhará Cavaco ou de que forma a desmobilização do seu eleitorado o pode prejudicar.

 

Feita esta conversa, conclusão: já se percebeu que, com esta história constitucional, talvez fosse melhor a solução do mandato único de sete anos. A justificação de submeter o mandato do Presidente da República ao escrutínio do voto perdeu sentido:

a) porque dada a natureza do cargo é fácil ganhar e a história prova-o;

b) porque no segundo mandato é que os Presidentes da República abandonam o cinismo do primeiro e agem descomprometidos. 

Na realidade, aumentando o mandato para sete anos, sem hipótese de recandidatura, estaríamos  a diminuir em três anos a duração do verdadeiro mandato presidencial de 10 anos. Era higiénico para a democracia e acabavam-se as campanhas sobre as galinhas que fogem dos pobres… dos pobres candidatos.

 

Obrigado pelo convite e um excelente 2011 para delitos de opinião.

 

Vítor Matos

7 comentários em “Convidado: VÍTOR MATOS”

  1. Não sei se alguma vez o povo derrotará nas urnas um candidato presidencial incumbente a segundo mandato.
    Mas tendo em conta que em Portugal o cargo presidencial é o único eleito nominalmente, com maioria absoluta de votos expressos, tem poucos poderes executivos e de regulação do sistema e, mesmo assim, é exercido a medo num primeiro mandato, concordo com a ideia.
    Desse modo ao menos teríamos um presidente em permanência sem intervalos de cinco anos e ausência de poder presidencial.

  2. Boa sugestão, esta de um Presidente por sete anos.

    Mas eu diria que, com tão pouco poder que o Presidente tem em Portugal, quase que não vale a pena ele ser eleito pelo povo. Ou então, a conversa: já que o Presidente é eleito pelo povo, seria bom que ele tivesse muitos mais poderes do que os que tem.

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