
(Aqui torno a colocar uma história, acontecida em 2013 ou 2014, no Mpumalanga. Já a publicara aqui. Mas vem-me a propósito, quando ouço tantos a criticarem-no…)
À saída de Nelspruit não paro nos semáforos desligados, que quando assim funcionam como sinal de “stop”, pois nenhum carro se avistava no cruzamento. E logo dois policias saltam à estrada, mandando-me parar. “Estou tramado!”, resmungo, antevendo os rands da multa e o atraso na viagem. Desculpo-me, explico-me, eles impávidos. Claro que viram a matrícula moçambicana, e tão habituados estão ao tráfego inter-fronteira, mas perguntam-me para onde vamos (“Maputo“, respondo), de onde somos (“portugueses“, digo-lhes), se viemos às compras. Que não, esmiúço, em busca de hipotética solidariedade, que ali vim para trazer a miúda ao (orto)dentista, a Carolina a comprová-lo no banco traseiro, com o aparelho dentário tão brilhante, acabado de calibrar na visita mensal. Um deles (suazi? tsonga? sotho?, não lhes consigo destrinçar a origem), inclina-se sobre a minha janela, quase enfiando a cabeça no carro e pergunta “how are you, sissi (maninha)?” e assim percebo que não pagarei multa. Depois diz-me “se você é português vou-lhe fazer uma pergunta” e eu logo que sim, dando-lhe um sorriso prestável, antevendo uma qualquer dúvida sobre ares ou gentes de Moçambique. Mas afinal “Qual é o melhor, Ronaldo ou Messi?“. Eu rio-me, num “Ah, meu amigo, são ambos excepcionais, diferentes mas excepcionais“, enfatizo, mas ele insiste, “mas qual é o melhor?“. “Ok“, e enceno-me, olhando à volta, “só vocês é que me ouvem, assim posso falar, sou português mas o maior é Messi“, e estou a idolatrar o jongleur, o driblador dono da bola, alegria do povo, nós-todos miúdos de rua. “Não, você está errado” riposta ele (ndebele? zulu? khosa?, não lhe consigo destrinçar a origem), “Ronaldo é o melhor. Messi nasceu assim, Ronaldo é trabalho, muito trabalho!“. Ri-se, riem-se, rimo-nos, e conclui num “podem ir“. Avanço pela N4 e sorrio a este afinal meu espelho, apatetado europeu (armado em) intelectual com prosápias desenvolvimentistas, a levar uma lição de ética de trabalho de uma pequena autoridade (formal) africana.

Ronaldo é milhoes milhoes milhoes. Quando chegou ao MU há 2 anos o MU tinha ficado em 2 atrás do MCity. Nesse anos do regresso ficou em 6 e cortaram os ordenados aos jogadores incluindo o Ronaldo. A partir daí o caldo entornou . Que o diga o Bruno.
o agente da autoridade tinha toda a razão
não se chega ao topo sem10% de inspiração e 90% de transpiração
Que excelente memória foste recuperar, no dia certo. História edificante, como diziam os antigos. Cristiano Ronaldo é um exemplo de superação para todos. Daí ser um ícone universal.
Muitos compatriotas não gostam dele talvez por causa disso. A capacidade de superação, de fintar o destino, de contrariar o fado que parecia estar-lhe reservado desde o berço, é estranhamente encarada como suspeita. Suscita invejas. Faz medrar rancor azedo entre os medíocres.
Prova acrescida da grandeza do campeão português.
não consigo ver mérito nem grandeza na superação a dar pontapés numa bola
muito menos numa pessoa que não sabe perder, que espalha pelo mundo valores completamente errados e que não faz nada que precisemos. prefiro o sadio mané , uma simpatia e simplicidade de homem
Devia ter terminado o seu comentário com as três primeiras palavras: ‘não consigo ver’.
Tudo o resto, incluindo a expressão “dar pontapés numa bola”, é rancor espanholista a um português de sucesso. Mais sucesso do que qualquer espanhol contemporâneo.
> semáforos desligados, que quando assim funcionam como sinal de “stop”
Também faz parte do código da estrada português, olímpicamente ignorado por 99% dos condutores, que não vêem mal nenhum em passar um semáforo apagado a 50 ou mais km/h.