Crónicas maiorquinas (2)


Pedro Correia,

 

Palma de Maiorca, só por si, já merece uma visita. É uma das mais belas cidades espanholas – não apenas pelo magnífico cenário natural mas também pelo lastro histórico que aqui se foi sedimentando ao longo dos séculos, imprimindo características únicas à sua traça urbana. As Baleares orgulham-se justamente de terem sido um importante entreposto nas rotas comerciais do Mediterrâneo, desde o tempo dos fenícios, passando pelos romanos, vândalos e árabes. Mantiveram uma cultura própria, muito ligada à catalã, e resistiram a vários invasores. Os últimos, antes da chegada em força do turismo europeu na década de 60, foram as tropas expedicionárias de Mussolini: no arquipélago desenrolaram-se alguns dos mais sangrentos episódios da Guerra Civil de Espanha, como Bernanos documenta no seu livro Os Grande Cemitérios sob a Lua. Os tempos, felizmente, são agora bem mais pacíficos. E a única batalha actual – tirando a que se relaciona com a crise económica, pois há hoje 112 mil desempregados nas Baleares – é a linguística. A autonomia balear fez da língua catalã uma bandeira – ainda mais do que na própria Catalunha. É frequente os anúncios, os sinais de trânsito e os próprios folhetos que nos entregam em terminais rodoviários ou ferroviários estarem escritos apenas em catalão, o que indigna muitos madrilenos. Alguns protestam, em jornais como El Mundo, dizendo que sentem aqui uma atmosfera estrangeira. Ora eis o que nunca poderemos dizer da nossa Região Autónoma da Madeira, por mais esforços em contrário que faça Alberto João Jardim, candidato falhado a “libertador” da Pérola do Atlântico.

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