Recomendo vivamente a leitura do discurso de António Barreto, em especial as últimas duas páginas, nas quais faz a apologia da cultura do exemplo. É isso mesmo. É isso que nos falta, i.e. elites que possam servir como quadro de referência e de exemplo. Líderes que sejam um exemplo. Bons exemplos em vez dos exemplos de merda que hoje proliferam como vírus.
Cultura do Exemplo
Paulo Gorjão,

Só hoje ?
Que tal uns comprimidinhos para a memória ?
Ai sim? E por que motivo necessito de comprimidinhos para a memória? Por acaso particularizei ou fiz alguma referência a circunstâncias concretas? Tome um alka-seltzer para o ajudar na digestão. Vai ver que logo passa.
Paulo Gorjão,
que agressivo !
Não particularizou individualidades mas disse HOJE.
Ora HOJE encaixa tudo o que se passou nos anos mais recentes até agora.
Não querendo, talvez, fê-lo.
E a minha resposta refere-se fundamentalmente ao passado, e até se quiser ao passado histórico, onde encontrará também muito a que se referir.
Quanto ao Alka-Seltzer , o meu já tomei, mas pela sua reacção parece que o que tomou há 4 anos ainda não fez efeito…
Não se escame, somos todos boa gente que gosta de argumentar.
Saudações.
Meu caro, eu não me escamo absolutamente nada quando as pessoas dão a cara pelas suas opiniões. Convivo mal com opiniões críticas anónimas e agressivas. Isto dito, adiante. O meu “hoje” foi em sentido lato, i.e. pós-25 de Abril e sobretudo desde meados da década 80 porque é o período de que tenho memória. Esclarecido?
Mais. A minha crítica é transversal, quer de um ponto de vista partidário, quer profissional.
P.Gorjão ,
estou de acordo consigo quanto aos anónimos e às críticas agressivas.
Esse caso, contudo não se passa comigo. Desde sempre me identifiquei em tudo o que escrevi.
É claro que gosto de ser irónico, mas isso já é, certamente, um efeito da idade.
E por falar em idade, talvez por isso eu possa relembrar gente de muito mais atrás no tempo, muito antes do 25 de Abril. E olhe que não eram flores que se cheirassem.
Além disso, o gosto especial por História, levou-me a conhecer outras abantesmas dos últimos séculos.
Mais:
Eu sou um português orgulhoso do seu tempo, e as minhas críticas ou opiniões também são transversais,
dirigem-se a tudo e a todos, sem excepção.
Saudações.
O discurso de António Barreto é na verdade, «exemplar». Uma das grandes pechas dos portugueses tem sido, por norma, exigir dos outros aquilo que não exigem de si próprios embora, por vezes, isto seja mais do que proclamado, nunca se passando porém, apenas dessa proclamação. Não há um verdadeiro espírito de missão, não existe entre nós uma entrega séria à causa pública, ninguém vê Portugal como um colectivo, mas sim como algo que gira à roda do umbigo de cada um. Gerou-se entre nós, nas últimas décadas, uma cultura «dos direitos», em que os correspondentes deveres deixaram de ter lugar ou significado. Apenas os direitos existem.
E sendo bem certo que, como dizia Eça há mais de cem anos, “os portugueses mais do que colchas às varandas, precisavam de cultura”, a verdade é que actualmente varandas já não as têm, as colchas já estão no prego e, quanto à «cultura», também estamos conversados.
Sim, o António Barreto tocou no ponto nevrálgico com este discurso, que segui em directo. Sem exemplos vindos de cima e inquestionáveis não há hipótese de autoridade. Passamos a vida a descobrir carecas e pés de barro – e a regozijarmo-nos com isso – porque não respeitamos minimamente quem deveria ser uma referência para nós. É triste.
Nem mais!
O Paulo disse tudo. Nem mais.
Pela honestidade
e contra a corrupção,
procuramos uma identidade
que nos devolva a elevação.
A punição do favorecimento
e o prémio pela dedicação,
é a base do desenvolvimento
e da boa educação.
De exemplos estamos carenciados,
que esse gesto será criador,
porque assim seremos agraciados
de um espírito de vencedor.