Da propaganda à realidade


Patrícia Reis,

"Este investimento é uma prova de confiança em Portugal, na nossa economia e, em particular, na capacidade e competência dos portugueses", afirmou José Sócrates, presente na apresentação do novo projecto da Qimonda, que, destacou, é hoje o maior exportador nacional, com um volume anual de vendas de 1,4 mil milhões de euros. O ministro da Economia, Manuel Pinho, lembrou ainda que a nova unidade produtiva – que Vila do Conde "ganhou" a Dresden (Alemanha) -, exportará mais 300 milhões."

Maio de 2008

"A multinacional alemã Qimonda apresentou um processo de insolvência junto do tribunal de Munique."

Janeiro de 2009

11 comentários em “Da propaganda à realidade”

    1. É sobre a distância enorme que existe tantas vezes, demasiadas vezes, entre a propaganda e a realidade. À força de consumirmos tanta propaganda, chegamos a confundi-la com a realidade.

  1. Para clarificação inicial: não gosto especialmente desta equipa governamental, não simpatizo com o líder dela e subscrevo quase todas as críticas que por aí se lêem sobre as ideias e a prática delas (aka ‘acção’) do ‘nosso governo’.
    No entanto, há que permitir-se um distanciamento e uma análise desapaixonadas e justas de certos acontecimentos.
    Há um ano as circunstâncias eram outras e o enquadramento do sucedido distinto do que hoje se verifica. A realidade é volátil e o que foi acontecendo desde que se ouviu ‘subprime’ pela primeira vez apanhou todos desprevenidos. Todos. E não se pretenda que se fossem outros o cenário seria distinto. Não seria.
    É certo que a propaganda impera como manobra distractiva, mas toda a gente distingue o trigo do joio, mesmo, ou sobretudo, os ignorantes das graças e fleumas dos salões.
    Há um esforço por conter o caos, por manter um rumo (mesmo que dele discordemos), por fazer o melhor (ainda que confinado às suas limitações).
    A realidade é suficientemente dura e enfática para que, não poucas vezes, ainda a caustiquemos com ácidos ferozes.
    Apontar erros, sim. Indicar alternativas, o ideal.
    Sermos sempre (ou só) verrinosos, não sei que bem traga, que acrescente, que sane.
    Dir-se-á que ‘ de boas intenções está o inferno cheio’. Concordo.
    Mas há alturas, antes das revoluções, das revelações, das efectivas e profundas tomadas de posição, que só resta conter danos.
    Não há milagres, neste campo.
    E, no limite, somos todos só humanos.

  2. Deixo um sugestão para um trabalho jornalístico:

    1- Averiguar quanto custou no total ao erário público as cerimónias de propaganda “powerpoint” ao longo deste mandato.

    2- De todas as cerimónias “powerpoint”, averiguar quantas foram repetidas em nova acção de propaganda.

    3- Na sequência das cerimónias “powerpoint” quais aquelas que arrancaram efectivamente no terreno?

    4- Quem mais lucrou com a organização das cerimónias “powerpoint”?

    Poderíamos ir mais longe, mas estas questões talvez já fossem suficientes para desmontar a voragem propagandística deste governo.

  3. A repetição destas notícias
    na comunicação social,
    reproduz situações propícias
    para o descalabro empresarial.

    Serão milhares de trabalhadores
    com uma profissão destroçada,
    a força dos empregadores
    parece bastante amordaçada.

  4. Será impressão minha ou o caso Freeport já iniciou a segunda e provavelmente definitiva caminhada para o esquecimento, seguindo o exemplo de tantos outros escândalos?

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *