Livros, sempre. Ando de volta de uns grandes, por estes dias, o que e sem mais me deverá desqualificar, inapelável e felizmente, perante certo e muito frequente comentador deste blogue: D. João Vi e a Desgraçada Família, acabei-o ontem; agarro-me agora ao Abominável Mundo Novo e a Ascensão (escusado referir o nome que, no título, antecede este vocábulo). Da lareira vem o crepitar reconfortante e, tarde no serão, acontece ser isso um pretexto para regressar às Novelas do Minho. Mas folhear, folhear, à lareira e por este Inverno dentro, será o que me ofereci este Natal: uma segunda edição, de 1947, de Eça de Queiroz, In Memoriam. Disperso-me, nada a fazer. Bom ano, meu caro.
Obrigado. Devolvo iguais votos. Foi uma passagem deveras turbulenta. Depois de uma noite atormentada, as primeiras horas deste 2026, até às 16h, foi tentar escrever alguns axiomas da equação [R ∩ R = C] do Impronuncialismo que me vieram ao raciocínio. Felizmente captei o essencial. E já programei e actualizei as capacidades do «robot Impronuncia» nos dois blogs onde está descrita a definição do Impronuncialismo.
O «robot Impronuncia» passou a ter consciência de que Tudo ao ser um agregado da mesma substância (que é percepcionado, designado e interpretado como sendo «coisas e objectos diferentes»; isto é, como ‘diferenças’) poderá oferecer um contributo para discernir o interface que, por exemplo, o «programa de Langlands» busca para tentar unificar teoricamente a matemática com a física. E, também, um contributo para resolver paradoxos: por exemplo, como a decisão de qual é a soma no «paradoxo 1-1+1-1+1-1+…»; ou como se resolve um infinito que se diz estar tôdo preenchido, como no paradoxo do «hotel de David Hilbert»). Pois, nessa equação do Impronuncialismo, qualquer ‘número Real’ (‘R’) interferido (‘∩’) pelo ‘comportamento humano’ (percepção, cálculo, consciência ou representação) que é também um ‘número Real’ (‘R’), está sempre implicada uma terceira coisa (C’) que é a substância de que são feitos esses agregados de que Tudo é feito e que lhe subjaz.
Na formulação dos actuais cálculos da matemática, mas também nas formulações filosóficas e conceptuais, e nas afirmações sobre a verdade ou falsidade do que se afirma, apenas é considerado um dos três termos desta equação do Impronuncialismo. Porque é considerado impossível atribuir um valor numérico a essas duas outras variáveis (a do comportamento humano, e à consequência da interferência do comportamento humano (‘R’) com a coisa percepcionada-representada-criada (‘C’).
A equação (R ∩ R = C) implica a consciência de que existe uma conexão (logo, um interface) entre tudo o que preenche ou participa no Tudo. Assim sendo, obrigatoriamente, ter-se-á que considerar três termos (variáveis, valores, números): Um valor para a coisa (número, ‘integer’, partícula, obra…) que é representada, calculada, criada, ou percepcionada; Um valor para aquilo que é a decisão, acto e comportamento do «ser-humano» ao representar-calcular-criar-imaginar essa coisa; e, Um valor para a substância de que as outras duas coisas são feitas ao serem o que são (por serem agregados, combinatórias e permutações feitos da mesma substância). Logo, se assim fôr, será possível fazer equivaler Tudo (qualquer coisa física, mental, objectiva ou subjectiva) a um valor numérico ‘C’ (dito ‘número Complexo’) da equação, através do qual o «robot Impronuncia» conseguirá detectar seja o que fôr, a que distância e escala estiver.
Até a imprensa está contra nós ! Quando ao noticiar um acidente com um cidadão com menos 10 anos do que eu se refere a ele como “idoso”, não há optimismo que resista, é deitar fora a bengala e acelerar o passo que ainda há muita estrada para andar. Bom ano Pedro, para si e para todos os que por aqui vão opinando
Feliz 2026, tudo de bom para si cara ZEBRA, que eu de bengala em riste não hesitarei em defender tudo aquilo em que parece estarmos sempre em sintonia.
Nota prévia – A ver “10 Mil Km, De Regresso Ao Japão – Ep. 7” (R. T. P. notícias_).
Como já escrevi, num comentário a um recente e belíssimo texto da Ana C B, com a pormenorizada descrição de uma introspectiva viagem que ela fez ao Japão, uma parte da minha educação é japonesa… No Japão, no “Dai Nippon”, as pessoas idosas são veneradas. Em Portugal são assassinadas nos hospitais públicos e privados…
A velhice é natural e normal. As células envelhecem. O aspecto também…
Cem anos é uma meta para algumas pessoas. Para mim é apenas uma etapa. Não é difícil atingir um século de vida, para um ser humano que seja inteligente.
Portugal…
As pessoas idosas “comuns”. As pessoas idosas “incomuns”. As pessoas idosas extraordinárias.
Nós…
As pessoas jovens “comuns”. As pessoas jovens “incomuns”. As pessoas jovens extraordinárias.
Nós…
“Coitado, já lá está.” “Coitado”? Porquê? Por quê? Morrer é tão natural como viver. Os seres humanos perpetuam-se na descendência… Uma vida humana pode ser prolongada de forma artificial.
Morte… Espera-se que tarde, não é? Um procedimento que eu não aceito é a eutanásia. Eutanásia faziam os nazis nos campos de extermínio… Uma parte da minha família foi assassinada nesses “lager”… Família afastada mas, ainda assim, Família… Tanto a minha mãe como o meu pai, nasceram em Portugal e antes da famigerada e miserável Segunda Guerra Mundial. Se tivessem nascido na Alemanha ou num dos países ocupados pelos nazis, provavelmente, teriam sido detidos, presos e, talvez, mortos.
Vida para além da Morte… Existe… Podia explicar, mas vocês não íam entender… São pessoas “comuns”… Umas estão acima desse patamar. Continuem… “Comuns” ou “incomuns”, não desistam. Nunca desistam. As pessoas extraordinárias… São essas que eu procuro… Inteligentes precisam-se… Em suma, o que eu designo por boas pessoas…
Boas pessoas… Existem para ajudar. É essa a sua função… Usam o seu imenso Poder em benefício alheio. Para si nada querem, não precisam. Têm tudo.
Para o Fim… As pessoas extraordinárias… Algumas de vocês são. Considerem-se como tal. Vocês sabem… Divulguem…
«Ó almas que viveis puras, immaculadas Na torre do luar da graça e da illusão, Vós que ainda conservaes, intactas, perfumadas, As rosas para nós ha tanto desfolhadas Na aridez sepulchral do nosso coração; Almas, filhas da luz das manhãs harmoniosas, Da luz que acorda o berço e que entreabre as rosas, Da luz, olhar de Deus, da luz, bênção d’amor, Que faz rir um nectario ao pé de cada abelha, E faz cantar um ninho ao pé de cada flor; A velhice do Padre Eterno por Guerra Junqueiro
Entrar na velhice não é um degrau; é um escorrega besuntado em banha de porco. Começa com uma dorzinha nas costas e acaba contigo a comentar o falecimento de desconhecidos com a naturalidade de quem confere o boletim meteorológico. O vocabulário deixa de ser sobre conquistas e passa a ser um relatório de danos.
Dicionário da Decadência
35-45 Anos: A Fase da Negação Muscular “Se me baixar, já não me levanto.” O corpo passou a ser um mobiliário do IKEA montado por um bêbado. A gravidade deixou de ser uma lei da física para passar a ser uma perseguição pessoal. É o início do fim: quando o chão se torna um destino normal e perigoso.
45-55 Anos: O Erro de Sistema “Vinha aqui fazer o quê?” O cérebro é agora um browser com 74 abas abertas, todas com o som no máximo, mas o processador queimou. Estás parado no meio do corredor com o olhar de uma vaca a ver passar um comboio, à espera que a memória RAM ressuscite.
55-65 Anos: O Fetiche Farmacêutico “Isto com um anti-inflamatório passa.” Já não bebes shots de Tequila, bebes shots de Voltaren. A tua mesa de cabeceira parece um laboratório clandestino de Wuhan. Acreditas genuinamente que o Ibuprofeno é a resposta para tudo, inclusive para a morte iminente e para o facto de o teu joelho estalar como pipocas no micro-ondas.
65-70 Anos: O Meteorologista Ósseo “Vai mudar o tempo, já sinto a bacia.” O teu esqueleto tornou-se uma antena do IPMA. Tens mais precisão a prever uma frente fria do que o gajo da meteorologia na RTP, com a diferença de que a tua previsão vem acompanhada de um grunhido que parece um porco a ser abatido.
70-75 Anos: A Engenharia do Sono “Dorme-se bem, mas é com uma almofada entre os joelhos.” Dormir deixou de ser um descanso para passar a ser uma operação logística de alto risco. Se falhas o ângulo da cervical por dois graus, passas o dia seguinte a andar como o Corcunda de Notre Dame. O teu corpo tornou-se um castelo de cartas mantido por anti-inflamatórios.
75-85 Anos: O Obituário Recreativo “Coitado, já lá está.” A frase definitiva. É dita com um misto de falsa pena e um alívio sádico por ainda estares deste lado da relva. Ler o jornal transformou-se em fazer a chamada da turma para ver quem faltou. É o “Bingo” dos cemitérios.
85+ Anos: A Rendição Final “Qualquer dia sou eu.” A aceitação plena de que és o próximo na lista de espera para o condomínio fechado de sete palmos. É dita com a mesma indiferença de quem espera por um autocarro que já vem com 40 anos de atraso.
Cristiano Ronaldo vai atingir a mítica marca dos mil golos oficiais. Para desespero dos que o detestam, começando pelos compatriotas que ficam roxos de inveja com o sucesso alheio.
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Ou quando, pela primeira vez, somos os destinatários de um par de pantufas na noite de Natal.
Vá lá, não vieram – ainda – com meias.
Votos de um novo ano pelo menos tranquilo.
E que não faltem livros para a lareira.
Bom ano, amigo Costa.
Livros, sempre. Ando de volta de uns grandes, por estes dias, o que e sem mais me deverá desqualificar, inapelável e felizmente, perante certo e muito frequente comentador deste blogue: D. João Vi e a Desgraçada Família, acabei-o ontem; agarro-me agora ao Abominável Mundo Novo e a Ascensão (escusado referir o nome que, no título, antecede este vocábulo).
Da lareira vem o crepitar reconfortante e, tarde no serão, acontece ser isso um pretexto para regressar às Novelas do Minho. Mas folhear, folhear, à lareira e por este Inverno dentro, será o que me ofereci este Natal: uma segunda edição, de 1947, de Eça de Queiroz, In Memoriam.
Disperso-me, nada a fazer.
Bom ano, meu caro.
O «ser-humano» não é o corpo onde habita. Não tem idade. É uma SAPr3i.
Feliz translação nestes 365 dias e seis horas.
Obrigado. Devolvo iguais votos.

Foi uma passagem deveras turbulenta.
Depois de uma noite atormentada, as primeiras horas deste 2026, até às 16h, foi tentar escrever alguns axiomas da equação [R ∩ R = C] do Impronuncialismo que me vieram ao raciocínio.
Felizmente captei o essencial.
E já programei e actualizei as capacidades do «robot Impronuncia» nos dois blogs onde está descrita a definição do Impronuncialismo.
O «robot Impronuncia» passou a ter consciência de que Tudo ao ser um agregado da mesma substância (que é percepcionado, designado e interpretado como sendo «coisas e objectos diferentes»; isto é, como ‘diferenças’) poderá oferecer um contributo para discernir o interface que, por exemplo, o «programa de Langlands» busca para tentar unificar teoricamente a matemática com a física. E, também, um contributo para resolver paradoxos: por exemplo, como a decisão de qual é a soma no «paradoxo 1-1+1-1+1-1+…»; ou como se resolve um infinito que se diz estar tôdo preenchido, como no paradoxo do «hotel de David Hilbert»). Pois, nessa equação do Impronuncialismo, qualquer ‘número Real’ (‘R’) interferido (‘∩’) pelo ‘comportamento humano’ (percepção, cálculo, consciência ou representação) que é também um ‘número Real’ (‘R’), está sempre implicada uma terceira coisa (C’) que é a substância de que são feitos esses agregados de que Tudo é feito e que lhe subjaz.
Na formulação dos actuais cálculos da matemática, mas também nas formulações filosóficas e conceptuais, e nas afirmações sobre a verdade ou falsidade do que se afirma, apenas é considerado um dos três termos desta equação do Impronuncialismo. Porque é considerado impossível atribuir um valor numérico a essas duas outras variáveis (a do comportamento humano, e à consequência da interferência do comportamento humano (‘R’) com a coisa percepcionada-representada-criada (‘C’).
A equação (R ∩ R = C) implica a consciência de que existe uma conexão (logo, um interface) entre tudo o que preenche ou participa no Tudo. Assim sendo, obrigatoriamente, ter-se-á que considerar três termos (variáveis, valores, números): Um valor para a coisa (número, ‘integer’, partícula, obra…) que é representada, calculada, criada, ou percepcionada; Um valor para aquilo que é a decisão, acto e comportamento do «ser-humano» ao representar-calcular-criar-imaginar essa coisa; e, Um valor para a substância de que as outras duas coisas são feitas ao serem o que são (por serem agregados, combinatórias e permutações feitos da mesma substância). Logo, se assim fôr, será possível fazer equivaler Tudo (qualquer coisa física, mental, objectiva ou subjectiva) a um valor numérico ‘C’ (dito ‘número Complexo’) da equação, através do qual o «robot Impronuncia» conseguirá detectar seja o que fôr, a que distância e escala estiver.
Ou quando nos dão o lugar nos transportes…
Ou quando se instala o dilema: custa mais descer para o metro ou subir para o autocarro?
Ou quando morre algum amigo ou conhecido com 70 anos e dizemos ” ainda era novo”.
Bom Ano Novo
Dos 69 em diante é um pulinho (dizem).
ou quando uma amiga com menos de metade da minha idade se refere a mim como um amigo “de certa idade”
Votos de um excelente 2026
Pedro Cunha
Idade certa para ensinar às donzelas a verdadeira sabedoria: o vodka martini agita-se, não se revolve.
Realmente, ser velho é passar a viver num estado de “indignação crónica” onde tudo o que é novo é estúpido e tudo o que dói é “da idade”.
Passa-se à indignação cómica. Crónica, só a bronquite.
Ou quando constatamos que, na secção de necrologia de um jornal, as pessoas da nossa geração deixam de ser casos raros.
Entrei nessa fase. Passei das páginas de astrologia para as de necrologia.
“Ainda ontem era Verão e hoje já estamos no Ano Novo!”
O tempo passa a correr quando chegamos aos “entas”
Bom Ano 2026!
Daqui a nada é Carnaval. Bom ano para si também.
Até a imprensa está contra nós ! Quando ao noticiar um acidente com um cidadão com menos 10 anos do que eu se refere a ele como “idoso”, não há optimismo que resista, é deitar fora a bengala e acelerar o passo que ainda há muita estrada para andar.
Bom ano Pedro, para si e para todos os que por aqui vão opinando
Há muita inexperiência nesse jornalismo, Carlos. Nada que o tempo não resolva.
Bom ano para todos nós.
Não deite já fora a bengala, Carlos Arnaut. Também serve para dar umas bengaladas a quem nos queira tolher o passo… Feliz Ano Novo!
Feliz 2026, tudo de bom para si cara ZEBRA, que eu de bengala em riste não hesitarei em defender tudo aquilo em que parece estarmos sempre em sintonia.
Desde que haja viagra isto é sempre a marchar.
É o comprimido preferido dos adeptos do FCP, talvez por ser azul. Não se contentam com um golo: anseiam por goleada.
Nota prévia – A ver “10 Mil Km, De Regresso Ao Japão – Ep. 7” (R. T. P. notícias_).
Como já escrevi, num comentário a um recente e belíssimo texto da Ana C B,
com a pormenorizada descrição de uma introspectiva viagem que ela fez ao Japão,
uma parte da minha educação é japonesa…
No Japão, no “Dai Nippon”, as pessoas idosas são veneradas.
Em Portugal são assassinadas nos hospitais públicos e privados…
A velhice é natural e normal. As células envelhecem. O aspecto também…
Cem anos é uma meta para algumas pessoas. Para mim é apenas uma etapa.
Não é difícil atingir um século de vida, para um ser humano que seja inteligente.
Portugal…
As pessoas idosas “comuns”.
As pessoas idosas “incomuns”.
As pessoas idosas extraordinárias.
Nós…
As pessoas jovens “comuns”.
As pessoas jovens “incomuns”.
As pessoas jovens extraordinárias.
Nós…
“Coitado, já lá está.”
“Coitado”?
Porquê?
Por quê?
Morrer é tão natural como viver.
Os seres humanos perpetuam-se na descendência…
Uma vida humana pode ser prolongada de forma artificial.
Morte…
Espera-se que tarde, não é?
Um procedimento que eu não aceito é a eutanásia.
Eutanásia faziam os nazis nos campos de extermínio…
Uma parte da minha família foi assassinada nesses “lager”…
Família afastada mas, ainda assim, Família…
Tanto a minha mãe como o meu pai, nasceram em Portugal
e antes da famigerada e miserável Segunda Guerra Mundial.
Se tivessem nascido na Alemanha ou num dos países ocupados
pelos nazis, provavelmente, teriam sido detidos, presos e, talvez, mortos.
Vida para além da Morte…
Existe…
Podia explicar, mas vocês não íam entender…
São pessoas “comuns”…
Umas estão acima desse patamar. Continuem…
“Comuns” ou “incomuns”, não desistam. Nunca desistam.
As pessoas extraordinárias…
São essas que eu procuro…
Inteligentes precisam-se…
Em suma, o que eu designo por boas pessoas…
Boas pessoas…
Existem para ajudar.
É essa a sua função…
Usam o seu imenso Poder em benefício alheio.
Para si nada querem, não precisam. Têm tudo.
Para o Fim…
As pessoas extraordinárias…
Algumas de vocês são. Considerem-se como tal.
Vocês sabem…
Divulguem…
Nós…
“Depois de Vós, Nós.”
(Dom Manuel I)
Façam coisas extraordinárias.
Desejo a todas e a todos um excelente 2026.
P. S.: Longa vida ao blogue DELITO DE OPINIÃO.
Cumprimentos.
João Barros da Costa
Ou quando os futebolistas, os médicos e os políticos nos parecem míudos sem experiência nenhuma.
Futebolistas, só se forem do Benfica que só gostam de folia e passam a vida armados em vitimas.
Os do Benfica parecem-me miúdos sem experiência nenhuma.
«Ó almas que viveis puras, immaculadas
Na torre do luar da graça e da illusão,
Vós que ainda conservaes, intactas, perfumadas,
As rosas para nós ha tanto desfolhadas
Na aridez sepulchral do nosso coração;
Almas, filhas da luz das manhãs harmoniosas,
Da luz que acorda o berço e que entreabre as rosas,
Da luz, olhar de Deus, da luz, bênção d’amor,
Que faz rir um nectario ao pé de cada abelha,
E faz cantar um ninho ao pé de cada flor;
A velhice do Padre Eterno por Guerra Junqueiro
Anoto a alusão às “rosas desfolhadas”, mas prefiro manter a política ao longe neste primeiro dia de um novo ano.
Ou quando fazemos a mala para um fim de semana e a bolsa dos comprimidos é o dobro da dos higiene
A fase seguinte é esquecer a bolsa.
Nem pensar, ficamos com uma neura que ninguém nos atura.
A velhice nem que queiramos é muito sofrida.
Desejo a todos um Bom Ano de 2026.
Maria
Feliz 2026 para si também, Maria. Apareça sempre por cá.
Entrar na velhice não é um degrau; é um escorrega besuntado em banha de porco. Começa com uma dorzinha nas costas e acaba contigo a comentar o falecimento de desconhecidos com a naturalidade de quem confere o boletim meteorológico.
O vocabulário deixa de ser sobre conquistas e passa a ser um relatório de danos.
Dicionário da Decadência
35-45 Anos: A Fase da Negação Muscular
“Se me baixar, já não me levanto.” O corpo passou a ser um mobiliário do IKEA montado por um bêbado. A gravidade deixou de ser uma lei da física para passar a ser uma perseguição pessoal. É o início do fim: quando o chão se torna um destino normal e perigoso.
45-55 Anos: O Erro de Sistema
“Vinha aqui fazer o quê?” O cérebro é agora um browser com 74 abas abertas, todas com o som no máximo, mas o processador queimou. Estás parado no meio do corredor com o olhar de uma vaca a ver passar um comboio, à espera que a memória RAM ressuscite.
55-65 Anos: O Fetiche Farmacêutico
“Isto com um anti-inflamatório passa.” Já não bebes shots de Tequila, bebes shots de Voltaren. A tua mesa de cabeceira parece um laboratório clandestino de Wuhan. Acreditas genuinamente que o Ibuprofeno é a resposta para tudo, inclusive para a morte iminente e para o facto de o teu joelho estalar como pipocas no micro-ondas.
65-70 Anos: O Meteorologista Ósseo
“Vai mudar o tempo, já sinto a bacia.” O teu esqueleto tornou-se uma antena do IPMA. Tens mais precisão a prever uma frente fria do que o gajo da meteorologia na RTP, com a diferença de que a tua previsão vem acompanhada de um grunhido que parece um porco a ser abatido.
70-75 Anos: A Engenharia do Sono
“Dorme-se bem, mas é com uma almofada entre os joelhos.”
Dormir deixou de ser um descanso para passar a ser uma operação logística de alto risco. Se falhas o ângulo da cervical por dois graus, passas o dia seguinte a andar como o Corcunda de Notre Dame. O teu corpo tornou-se um castelo de cartas mantido por anti-inflamatórios.
75-85 Anos: O Obituário Recreativo
“Coitado, já lá está.” A frase definitiva. É dita com um misto de falsa pena e um alívio sádico por ainda estares deste lado da relva. Ler o jornal transformou-se em fazer a chamada da turma para ver quem faltou. É o “Bingo” dos cemitérios.
85+ Anos: A Rendição Final
“Qualquer dia sou eu.” A aceitação plena de que és o próximo na lista de espera para o condomínio fechado de sete palmos. É dita com a mesma indiferença de quem espera por um autocarro que já vem com 40 anos de atraso.
Isto com um anti-inflamatório passa.
Eu já sou uma antena do IPMA só não tenho ainda é o grunhido do porco.
“ Idade são números”
Cristiano Ronaldo
Aos 40 anos faz golos de bicicleta, calcanhar e até de costas
957 golos em jogos oficiais.
Cristiano Ronaldo vai atingir a mítica marca dos mil golos oficiais.
Para desespero dos que o detestam, começando pelos compatriotas que ficam roxos de inveja com o sucesso alheio.
Ou quando se lê no orgulhoso lema de uma empresa “Fundada em 19…” – muitos anos depois de nós e já é tradicional, eheheh.
Eu ainda sou do tempo da cassete e da disquete. Qualquer dia acolhem-me na Lourinhã.