
Eis um episódio tristemente sintomático.
A Comissão Europeia edita anualmente uma agenda, que distribui gratuitamente pelos estabelecimentos de ensino da UE.
São cerca de três milhões de exemplares, que pretendem guiar o reportório quotidiano dos jovens europeus em formação.
Na edição deste ano, entre as entradas que assinalam as datas do sagrado solene de muçulmanos, judeus, hindus, etc., não existe uma única referência ao calendário religioso cristão.
Se eu mandasse, convidava a classicista Maria Helena da Rocha Pereira para falar aos membros da Comissão – e, já agora, aos eurodeputados – sobre uma coisita básica e simples, do género… «Sobre A Identidade Europeia».
A seguir à historiadora convidava um filósofo, para completar a abordagem, de seu nome Joseph Ratzinger.
E só não acrescentava outros para não maçar muito os nossos mandatários.
Mais do que a crise económica, acredito que a ignorância complexada é o pior inimigo da Europa XXI.

Eis o politicamente correcto em todo o seu esplendor. Tanto querem que se tornam ridículos.
Pois é, Teresa. O politicamente correcto é assim: cuido da minha árvore, que me interessa a floresta…
“Ignorância complexada”… excelente. De resto, um episódio triste que deveria envergonhar qualquer europeu, católico, protestante, ateu ou de outra religião.
Exactamente: a questão ultrapassa em muito o ‘mau trato’ específico do cristianismo, que é já de si patético. Prende-se com a atitude falsamente generosa e ecuménica, e não passa de puro oportunismo, aliado à superficialidade cultural para que todos nós estamos a ser empurrados. De forma, aliás, deliberada: isso é que merece destaque…
É uma vergonha. E uma vergonha paga com os nossos impostos.
Há uma petição a correr contra esta omissão. Mais uma petição, sobre mais um tema. Enfim, estaremos todos fartos destes instrumentos de participação pública, mas enquanto os tivermos…
Eis um caso muitíssimo bem assinalado, Laura. São sinais de decadência, sem dúvida — uma decadência que só se agrava cada vez que encolhermos os ombros e deixarmos passar em claro.
Não é mesmo, João? Isto é tão básico e instintivo! Todos sabemos que nos afundamos no dia em que deixamos de nos reconhecer ao espelho. Acontece com as pessoas. Acontece com os países. E com este aglomerado chamado Europa.
Desconhecia este caso, Laura. Fez muito bem em trazê-lo aqui. Os burocratas de Bruxelas uma vez mais de cócoras perante os dogmas da correcção política. Totalmente divorciados dos povos e das culturas que deveriam servir.
É um mero detalhe, Pedro, mas muito preocupante. Acho que passámos os limites. A tolerância não pode levar-nos à demissão, porque quando assim for não há sequer mérito na inclusão dos outros e das suas diferenças. É pura despersonalização: vale zero.
As religiões para mim não me dizem nada, mas respeito todos aqueles que as praticam. Este caso é inadmissível, pois é uma pura submissão ao poder do petróleo e onde se abdica da realidade europeia.
Normalmente estas submissões, que teêm origem no politicamente correcto, porpocionam outras situações bem mais graves, das quais destaco a corrupção.
Pois é. O que aqui está em causa é muito mais do que a religião. No caso, é a matriz cultural europeia, greco-latina. Etc….