Das nacionais fraquezas


Ana Vidal,

 

"No fundo, o povo português é apenas mais um fraco. E entre os fracos não há, verdadeiramente, nenhuma solidariedade, nem mesmo quando se atiçam neles os ardores revolucionários. Entre os fracos há só o desejo de ter um padrinho, um encosto ou um Dom Sebastião, que os honre com um punhado de migalhas e os liberte do abraço ignóbil, repugnante dos outros fracos."

 

Excerto de um excelente texto que vos recomendo, escrito com a habitual mestria da sua autora. Mas é muito mais do que um bom texto: é um espelho, nu e cru, em que dolorosamente nos revemos. Para ler e reflectir.

14 comentários em “Das nacionais fraquezas”

  1. Belíssimo texto, onde também se fala da «tendência para dobrar a cerviz perante os fortes e aprumá-la perante os fracos». Sócrates, no Parlamento e não há muito tempo, já foi apontado pela oposição por ser assim. Convenhamos que está longe de ser o primeiro e não será seguramente o último. Faz parte da condição portuguesa.

  2. Ana, obrigada por tanta simpatia, sua e dos seus comentadores. 🙂
    É da vida que haja os que mandam e os que servem. Mas é particularmente desagradável ver servir com bajulação e sem nenhuma fidelidade a pessoas e a princípios, naquela eterna oscilação entre generais Tapiocas e generais Alcazares.

    1. Isso é o mais irónico, Luísa: o dobrar da espinha dos bajuladores provoca invariavelmente o desprezo dos bajulados. E ninguém fica bem na fotografia…

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