De monotema em monotema


Pedro Correia,

 

Inacreditável. Horas e horas nisto. Cristiano Ronaldo abandonou o estágio da selecção portuguesa de futebol e durante um dia inteiro ninguém fala noutro assunto em Portugal. O mesmo país onde há duas semanas só se falava em Luís Neves, igualmente em exclusivo.

Esquizofrenia jornalística e comentarística. De monotema em monotema.

49 comentários em “De monotema em monotema”

  1. Esquizofrenia jornalística e comentarista, diz. Outros dizem que o fazem porque é aquilo que as pessoas querem …
    Luis Tadeu, director de falido 24horas, atreveu-se: “Podemos discutir se editorialmente faz sentido, ou não, dedicar tanto espaço a esse assunto. Mas isso não é ser sensacionalista, é ser tablóide.
    Se não estivesse no “24 Horas” seria leitor do jornal?
    Não.
    Porquê?
    Sou um privilegiado. Faço parte de uma elite e tenho uma cultura acima da média. Não tenho os mesmos interesses de grande parte dos leitores do “24 Horas”. Mas faço um jornal para as pessoas, não para mim.”

    Isto é estupidificação das pessoas. Por isso cada vez mais os jornalistas e jornalismo são vistos com descrédito ou até mesmo desprezados.

    O poder da informação, da notícia e da comunicação já não é exclusivo deles. A realidade ultrapassou-os. Talvez por isso insistam neste estrebuchar de falar para a bolha acreditando que a sociedade ainda os leva a sério!

    1. A verdade é esta: o assunto que trago aqui nada tem a ver com jornalismo. Basta reparar nas três imagens que escolhi, todas captadas à mesma hora.

      Isto é a negação do jornalismo.
      É, em certo sentido, a perversão do jornalismo

      1. Feito por jornalista é jornalismo. Perverso, esquizofrénico, negado ou outra coisa qualquer, mas é jornalismo.

        É assim em todos os temas; sensacionalista e estupidificante até à náusea.

        E o mais perverso é sentir que isto é intencional. Como era intencional no passado ter as pessoas analfabetas, iliteratas, desinformadas e censuradas.

    2. “Por isso cada vez mais os jornalistas e jornalismo são vistos com descrédito ou até mesmo desprezados.”

      Não é por causa disso. È por escolherem ser activistas em vez de jornalista. Ninguém que só obtém informação de jornalistas se pode considerar informado.

      Manipulado sim.

    1. Isto nada tem a ver com “bola”. Aliás sobre o Dinamarca-Portugal de amanhã não terei ouvido hoje uma só frase.
      As catatuas sabem que CR7 “vende”. E precisam desesperadamente de cliques e de audiências.
      Com o monotema Luís Neves não chegaram lá.

  2. De monotema em monotena até à falência total! (Falência adiada diga-se por subsidiações no caso de certos meios de CS)

    1. Muitos títulos têm falido. Nos últimos 25 anos é imensa a lista de jornais defuntos em Portugal. Jazem na quinta das tabuletas.

  3. Subitamente deixou de se falar freneticamente sobre o Estreito de Ormuz, a Ucrânia, a Rússia, o Irão, os Estados Unidos ou Trump; o preço do “gasóil” e o das casas também já não interessam para nada…

    O que realmente agora importa é a “medição das pilinhas” de Cristiano Ronaldo e de Jorge Jesus… O tamanho do falo de cada um deles é o que agora apaixona a opinião pública, com o excelso contributo de muitos que se dizem Jornalistas… Essa é a única coisa que aqui está verdadeiramente em discussão, se observarmos atentamente as atitudes do selecionador nacional e do referido jogador, incluindo os respectivos discursos e a linguagem corporal de cada um deles…

    Este folhetim é absolutamente ridículo, mostra bem a degradação e o “trogloditismo” a que se chegou ao nível dos “usos e costumes”… Igualmente ridículo também é, por um lado, o uso da denominação “Cris” referente a Cristiano Ronaldo usada por Jorge Jesus publicamente; e, por outro, a indisfarçável inclinação de alguns ditos Jornalistas, no sentido de defenderem o patrão Cristiano Ronaldo…

    Uns e outros merecem-se reciprocamente…

    1. !? durante 70 anos milhões e milhões admiraram o Comunismo a ainda milhões o admiram. Hoje a maior força do Comunismo está nas “Universidades”, a maior parte das pessoas favoráveis a violência politica hoje passou por lá recentemente, por isso se quer falar de trogolditismo…

      Ronaldo tem atenção de milhões de pessoas. O Futebol move ainda mais milhões de pessoas no mundo tal como o Comunismo moveu.
      O Futebol ganha 10-0 pelo bem que faz em afastar jovens de maus caminhos.
      Porque é que há grande investimento dos países árabes no futebol? porque populações jovens masculinas a idade mais propensa para a violência precisam de ser desviada de outros caminhos.

      São um exagero os canais noticiosos, certamente, o tunel onde se meteu a profissão jornalista e a qualidade das pessoas não dá para mais. Mas é bom não negar a importância do futebol na civilização.

      1. Sim, lucklucky, e em que é que isso contraria o meu comentário anterior?

        O futebol, como afirma, pode ter essa virtude, mas isso não anula as figuras tristes protagonizadas, nos últimos dias, por Cristiano Ronaldo e Jorge Jesus…

        Aliás, as figuras que ambos escolheram fazer são tão tristes que só muito dificilmente poderão servir de exemplo a algum jovem… Pena é que muitos adultos, movidos pelos mais variados interesses, se deixem enredar por uma “guerra de egos”, que não tem nada a ver com futebol, desporto que, por sinal, muito aprecio…

      2. Em relação ao que o lucklucky diz nas últimas cinco linhas do seu segundo parágrafo, já se ouviu exactamente a mesmíssima argumentação em defesa da religião obrigatória, do serviço militar obrigatório, da educação física obrigatória, da Mocidade Portuguesa obrigatória, e do escutismo – este último, tanto quanto sei, facultativo.

        Conseguirá o futebol triunfar onde tantos outros métodos falharam, nesse nobre objectivo de enfim domesticar essas “populações jovens masculinas na idade mais propensa para a violência”?
        Estou tentada a concordar; pelo menos já as vemos frequentemente a serem “desviadas de outros caminhos”, encerradas nas “caixas” da polícia de choque, como manadas de bichos ululantes e perigosos, a caminho do… futebol.
        É um círculo vicioso, e em vários sentidos.

  4. Quando Ricardo de Carvalho abandonou a seleção em Óbidos não houve esta encenação, nem o portista mereceu a capa da Bola de hoje.
    Cristiano Ronaldo carregou a seleção às costas desde 2006, com a sua chegada Portugal esteve em todos os Mundiais(6). Antes esteve em 3.
    CR7 viveu para a seleção, como uma religião. “Trocava todas as bolas de ouro, todos os meus recordes, pelo título de campeão do Mundo”, disse.
    Merece, pelo menos , o respeito de todos.

    1. Sou do tempo em que se apontava a Ronaldo que só na seleção é que jogava mal. Os comentários registados desse tempo incluindo cientistas da bola não enganam.

      1. Antes de Ronaldo, a selecção portuguesa quase nunca comparecia em fases finais de Mundiais e Europeus.
        Depois dele, não falhou uma.

        1. Não vale a pena, Pedro: o desprezo pelos factos é um epifenómeno natural da ingratidão e da inveja. Se assim não fora, nem seria necessário relembrá-los, não é verdade?

          Têm agora mais uma coisa para invejar, e parece-me que com mais causa: que quem pode, faça.
          Porque para frustrados já bem bastam e sobram os impotentes que por aí abundam, que também queriam muito mandar os “patrões” manipuladores e abusadores à merda… mas não podem, têm que engolir e fingir que gostam.

          Vai daí coçam agora as comichões uns aos outros, a botar palpites e veneno sobre quem tinham por absolutamente garantido – mas só por causa do amor dele à camisola, porque eles já de há muito se entretinham a enxotar o “velho”, o “eucalipto”, e só agora redescobrem o ai! o patriotismo, a Selecção Nacional, e tal, que devem ser “respeitados” a qualquer custo!

          Um “patriota garantido”, tanto que arrostava o perigo de lesões por empenho na Selecção, e que afinal se atreveu a dar-lhes as costas por resposta.
          E de avião privado, ainda por cima. Um traidor. Imperdoável.

  5. Lamento muito o que quer que se tenha passado, se o que aconteceu implicou desrespeito.
    Vamos ter pano para mangas durante meses, penso eu de que.

    1. O desrespeito está patente e identificado. Até percebo que um treinador possa dar uma justificação a um atleta que pelo seu percurso possa merecer essa distinção. Mas fica patente que para quem esteja a comandar um grupo constitui apenas uma imprudência dar essa explicações em publico sobre um elemento por mais badalado que seja . O grupo não pode gostar e isso é o que mais conta.

        1. “para quem esteja a comandar um grupo constitui apenas uma imprudência dar essa explicações em publico sobre um elemento por mais badalado que seja”
          Não terei sido suficientemente claro.

      1. “O desrespeito está patente e identificado”
        Se assim fosse, a especulação era nula. Se não existe reciprocidade, não poderá haver respeito.

        1. Com Ronaldo, a selecção nacional venceu a Liga das Nações em 2019 e 2025 – precisamente a mesma prova que se disputa agora.
          O seu conceito “há muito que não se via” é digno de zarolho. Para não dizer pior.

    1. Só se carregasse num botão ‘off’ para o País inteiro, que não fala de outra coisa há vários dias.
      De repente, os enormes problemas que gastavam rios de tinta e cataratas de saliva desapareceram de vez.

  6. “Quem tiver categoria até dá categoria a uma vassoura”. Isto é sobre mitos endeusados que acham que não.

        1. Jj adora criar o seu próprio mito.
          Em 2019, ao serviço do Flamengo, venceu a Taça Libertadores. E logo saiu bazófia em jeito de autoendeusamento:
          “Quero ver um treinador português ganhar uma Libertadores… nem daqui a cem anos!”

          Azar.
          Nos dois anos seguintes Abel Ferreira igualou primeiro essa conquista e depois duplicou-a, ao serviço do Palmeiras – proeza muito maior.
          Artur Jorge fez o mesmo em 2024, pelo Botafogo.
          O mito não durou muito.

          1. Tenho que me render à importância de Ronaldo. O 1º ministro, o presidente da federação, altas personalidades também do mundo da bola, e agora o apelo solene à mãe do futebolista para interceder junto do filho “que só ela conseguirá induzi-lo a voltar à seleção”. Uma enternecedora novela que à custa de CR7 continuará a manter Portugal no topo das celebridades marcantes á conta de mais um herói com a vantagem do sistema financeiro do próprio, da federação, e da marca que continuará a vender para fazer dinheiro em beneficio geral. Feito que vai durar.

  7. Portugal, 19h57. A Dona Zulmira, de Tondela, suava do buço. Estava a meros quinhentos euros de adivinhar o valor da Montra Final. O país sustinha a respiração. Iria a Zulmira levar para Tondela o citadino económico e a máquina de lavar loiça?

    De repente, o ecrã treme. O Mendes desaparece, engolido por um grafismo vermelho-sangue que rasga a televisão. Letras garrafais, daquelas que as televisões guardam para o dia em que o Putin carregar no botão nuclear: EM DIRECTO: ÚLTIMA HORA.

    — “Interrompemos a nossa emissão porque há movimentações no espaço aéreo dinamarquês. O Menino de Ouro amuou.”

    Esqueçam a Zulmira, que teve um princípio de AVC em direto e ficou sem a fritadeira a ar. Esqueçam as urgências fechadas ou a inflação. O Cristiano Ronaldo, num rasgo de coragem épica face à tirania de Jorge Jesus ter ousado deixá-lo no banco contra a Dinamarca, chamou um Uber-Jato.

    A televisão nacional corta para o Flightradar24. É este o pináculo do jornalismo português em 2026: um estagiário com o rato a apontar para um pixel amarelo em forma de avião a cruzar a Europa.

    — “Como podem ver, o LX-GOL acabou de passar por cima de Hamburgo”, diz um comentador especialista em aviação desportiva, convocado à pressa para analisar a aerodinâmica do amuo. “Reparem na trajetória. É uma curva de quem vai muito chateado. Aqueles nós de velocidade indicam uma azia profunda para com a equipa técnica.”

    E o país fica nisto. Horas. Quatro canais de informação em simultâneo a debaterem as correntes de ar sobre a Bélgica. Em estúdio, psicólogos, ex-jogadores e padres tentam dissecar o estado de alma do capitão a 30 mil pés de altitude. O pânico instala-se.

    O Fernando Mendes ficou com o microfone na mão e a Zulmira a chorar ao lado da roda. Mas, no fundo, a verdadeira Montra Final é esta: um país inteiro de boca aberta, hipnotizado a olhar para o vazio, a aplaudir a birra de um milionário no ecrã enquanto a vida real passa ao lado.

    Espectáaaaculo.

  8. Importante era analisar o que aconteceu.
    Quando Ricardo Carvalho roubou o carro a Fábio Coentrão para fugir da selecção alguém deu importância ao assunto?
    Quando Fernando Santos foi a correr pedir desculpa a Ricardo Carvalho e implorar-lhe para regressar à selecção, houve alguma indignação?
    Quando Ricardo Carvalho foi nomeado treinador-adjunto da selecção houve algum protesto?
    Provavelmente, Cristiano Ronaldo vai regressar à selecção pela porta grande e Jesus vai alegar um “problema pessoal” para se afastar.

    1. “Quando Ricardo Carvalho roubou o carro a Fábio Coentrão para fugir da selecção alguém deu importância ao assunto?”

      Ninguém no mundo sabia quem era Ricardo Carvalho.
      Cristiano Ronaldo (ainda) é uma figura mundial sem paralelo no desporto português.
      Trouxe muito mal á competitividade da selecção nos últimos anos mas a culpa é de como n´ós portugueses lidamos com a mudança.

      1. Carvalho e Coentrão são figuras de outro campeonato.
        A camisola 7, de Cristiano Ronaldo, é conhecida em todo o mundo. Mesmo no mundo que não aprecia futebol.
        As camisolas dos outros, nem você se lembra quais eram. Assunto totalmente irrelevante.

      1. Que o afaste?!
        Mas ele acaba de ser contratado. Dirigiu a equipa em três jogos, todos com vitórias.
        Só se estiver tudo doido – e não tiverem amor ao dinheiro na FPF, com a indemnização milionária que deveriam pagar-lhe – é que essa questão se levanta.

        1. E o CR7 também fez a parte dele, mandou-os meter o “fim de carreira digno” a fazer companhia às avaliações de mérito desportivo e dos graus de patriotismo de quem, sob qualquer perspectiva, já não tem mais nada a provar, a não ser a si próprio.
          Chateou-se; e porque pode, foi-se embora. Até parece que foi o primeiro na história da Selecção a fazê-lo… Nem foi o primeiro a fazê-lo, nem foi de certeza o único a querer tê-lo feito.

          O que também não se entende muito bem (ou não entenderia, se não soubéssemos o que representa em termos venais a chamada “marca Ronaldo”), é que, face ao notório e grave acto de indisciplina do jogador, estejam agora todos abertos, com uma alacridade quase indecorosa, ao seu regresso, apenas para lhe proporcionarem “um fim de carreira digno”…
          Até o Jesus, o tal que brada que “só ele é que manda”, diz que deixa nas mãos do Ronaldo (!) a decisão de voltar ou não.
          De Jesus a Pilatos numa fervurinha, é caso para dizer, eheheh.

          Muito eles se preocupam com o “fim digno” do Ronaldo, não é? Aparentemente, muito mais do que o próprio.

  9. Diz o Albuquerque que chatearam o rapaz, fez ele bem abandonar.
    O Albuquerque tem razão, os cubanos são uns sacanas.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *