Debater o debate


Ana Vidal,

 

Surrealista, no mínimo, o primeiro debate televisivo para as legislativas: quase se falou mais das regras do próprio debate do que dos temas a debater. Retive, na confusão geral, estes dois estranhos pedidos da moderadora Constança Cunha e Sá (cito de memória) que revelam bem o absurdo a que assistimos:

 

1 – "Meus senhores, agradeço que respeitem os tempos de intervenção e réplica pré-estabelecidos, para evitarmos entrar em debate". (logo no princípio, quando os convidados se interromperam mutuamente).

 

2 – "Bem, as regras também não podem ser completamente rígidas, para poder haver um mínimo de debate" (mais à frente, quando um dos convidados invocava o cumprimento das ditas regras).

 

Eu, que pensava que o que se pretendia era um máximo de debate, fiquei baralhada.

9 comentários em “Debater o debate”

    1. E perder estes petiscos? Eu vejo-os, Joaquim, mas não espero aprender grande coisa com estes debates. As “regras” são tão espartanas que são um autêntico convite a que se refugiem nelas… era de esperar.

  1. Sócrates disse seis ou sete vezes que era necessário “cumprir as regras”, substituindo-se à moderadora, para tentar calar Portas. CCS estava nitidamente satisfeita quando o caldo começou a azedar: foi possível perceber isso quando a câmara a focou. Entendo-a bem: debate sem debate não é debate (La Palisse ‘dixit’).

    1. Estes debates são só para cumprir calendário, já se viu. A fórmula é um álibi para o não-debate e para a batota. Claro que a CCS estava divertida com o resultado de todo aquele disparate, mas ao mesmo tempo frustrada como jornalista, aposto.

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