Uma das maiores causas para o atraso endémico de Portugal é esta chamada iniciativa privada que domina os negócios de milhões, mas que não sabe sobreviver sem os seus três factores de êxito: salários baixos, off shores para tratar do fisco e negócios garantidos com o Estado – Miguel Sousa Tavares, Expresso, 9 de Fevereiro de 2008
Reforçámos uma cultura conservadora, avessa ao risco, terreno fértil para utilizar as empresas e os seus lugares de topo como prémios pela fidelidade partidária ou compensação pelos arranjos convenientes em cada momento – João Cândido da Silva, Jornal de Negócios, 11 de Mrço de 2010. Leia tudo aqui.
O número de gestores de topo em Portugal é restrito porque há um fenómeno de cartelização implícita. Uma cartelização que vem muito da dependência do Estado por parte das grandes empresas, o que leva a que a escolha dos gestores tenha muitas vezes em linha de conta as suas ligações com o poder político. É o chamado networking político. Não há nenhum desejo de concorrência em Portugal. – João Ejarque, especialista em questões de governação empresarial ao Expresso em 10 de Abril de 2010.
Ejarque, segundo o Expresso, salientou também que muitos dos gestores que lideram empresas portuguesas não teriam lugares idênticos no exterior, porque acedem às funções devido à sua importância política. Por isso, bem “podiam descer-lhes os salários para metade porque não tinham alternativa“.


Mais uma boa reflexão em três tempos.
Gostei da última nota. Não pelo motivo comezinho da descida de salários, mas porque põe a nu a qualidade relativa de alguns gestores.
Exactamente. O que interessa, neste último comentário, é a crueza da realidade para que chama a atenção: há gestores que auferem salários escandalosos apenas por favor político e não pela sua competênia e insegne carreira.
Hum… falta ali um “c”.
Com tal fantástico levantamento e sistematização pela Teresa, caso tivéssemos uma sociedade civil viva e operante, nasceria imediatamente um abaixo-assinado ou uma manifestação criativa: «Gestores de escolha política, rua! Competência nua e crua!»
Baixar-lhes a obscenidade dos salários seria ainda transigir. Um Beijo.
P.Rex, acredito que a sociedade civil vai espevitar à medida que lhe forem pisando os calos e a bloga, também não tenho dúvidas, terá um importante papel nesse processo.
Então estamos em plena e absoluta sintonia, caríssima.
Tenho seguido atentamente esta tua série, que um dia pode dar um excelente (e triste) resumo de uma época negra deste país. Utilidade pública, sem dúvida. Parabéns, teresa.
“Teresa” (com maiúscula, ora essa!)
Pois é, Ana. Tudo isto existe, tudo isto é triste mas terá mesmo que ser o nosso fado?