Viro-me para a esquerda, e apenas oiço o velho esquerdismo tecnocrata. Viro-me para a direita, e apenas oiço a direita da calculadora. Este cerco tecnocrata faz-me lembrar Henrique Paiva Couceiro (1861-1944), tal como foi descrito por Vasco Pulido Valente em "Um Herói Português" (Alêtheia). Paiva Couceiro era um cavaleiro romântico num tempo em que a política já começava a ser coisa de tecnocratas. Aliás, este livro acaba por ser o relato do choque entre o D. Quixote da tresloucada grandeza romântica (Paiva Couceiro) e o tecnocrata da pequenez do défice (Salazar). Hoje, Portugal não precisa de um Paiva Couceiro monárquico e com tiques de D. Sebastião, mas necessita de um Paiva Couceiro ‘institucional’ com a capacidade para refundar a III República.
Henrique Raposo, no Expresso (e leiam tambem a parte de cima; recomendo vivamente a quem anda com ideias patetas sobre novos pós-mundos).

Talvez o Gordon Brown seja um desses patetas de que fala, mas a verdade é que tem sido o único líder europeu a apontar soluçõe sérias para resolver a crise e o único que admitiu ter-se enganado.
Carlos, espero que entre essas “soluções sérias” não incluas a tristemente célebre proclamação de Brown “british workers for british jobs” (ver aqui, por exemplo: http://www.telegraph.co.uk/news/uknews/1553710/B ritish-workers-for-British-jobs-says-Bro wn.html), muito idêntica àquilo que criticaste – e bem – na actual presidente do PSD.
Obviamente que não, Pedro, e sabes bem disso. Essa foi uma das patetices dele. Em matéria de política económica e financeira, ele é hoje o único líder europeu em contra corrente e que reconhece que o que está a ser feito é um erro crasso, porque não é deitando dinheiro para cima dos problemas que eles se resolvem. ( Basta recordar o caso AIG que está a dixar Obama possesso).
É por demais evidente que o actual modelo ultra -liberal está esgotado e foi nesse sentido que ele se dirigiu aos G-20 que se irão reunir em Londres em Abril.
Acreditar qu se pode tratar a crise “com pêlo do mesmo cão” parece-me uma ingenuidade, embora iso não signifique o fim do liberalismo. Na entrevista ao Público, Abel Mateus põe o dedo na ferida…
Gostei do livro do VPV sobre essa personalidade tão incomum em Portugal que foi Henrique Paiva Couceiro. Não há ninguém que se lhe comparece no Portugal contemporâneo.
Paiva Couceiro era um tonto também, mas suscita um certo interesse.
Há tempos, comprei num alfarrabista uma edição de 1925, pequena mas bem encadernada, muito curiosa: «Perante o Tribunal e a Nação: A Monarchia do Norte e o Julgamento da Junta Governativa do Reino», de Luiz de Magalhães.
E quem é que quer refundar a III República? Por mim, passamos já à IV…