
Demasiadas pessoas passam um ano sem ler um livro, seja de que género for. Há gente que se gaba até de nunca ter aberto um livro desde os bancos escolares. Há indivíduos que nunca folheiam sequer uma revista, excepto nas salas de espera dos consultórios médicos. Muitos eleitores presumem andar informados e esclarecidos passando ao lado de conteúdos certificados pela deontologia jornalística: preferem imaginar o que se passa espreitando tuítes da trincheira mais próxima, vídeos acéfalos na Rede ou o primeiro boato que lhes é remetido através de compinchas no WhatsApp.
Alguém que jamais trocaria o cirurgião pelo curandeiro, o hotel pela pensão manhosa ou o produto de qualidade pela quinquilharia do chinês prefere “informar-se” recorrendo às versões digitais da intriguista do prédio, do bisbilhoteiro do bairro ou do tasqueiro fala-barato.
Quando se fala na degradação da cidadania, não podemos culpar só os políticos. Há que começar a apontar o dedo a quem anda desinformado e ainda se orgulha disso.

“ passando ao lado de conteúdos certificados pela deontologia jornalística” – a sério Pedro Correia? Anda mal informado, distraído ou esquecido daquilo que os jornalistas têm feito e fizeram nos últimos tempos?
A degradação da cidadania tem muitas causas e responsáveis. Os desinformados orgulhosos serão os últimos dos responsáveis, no limite até poderão ser uma consequência dessa tal degradação da cidadania.
Como escrevi, há quem se orgulhe de andar desinformado. E exiba isso como se fosse condecoração.
Eu estou no lado oposto. Há 17 anos que faço os possíveis para combater a desinformação neste blogue, hoje já com um espólio de 53 mil postais.
Quem prefere “informar-se” com boatos digitais e toda a tralha de ódio ideológico que lhes vem associada semeia o que colhe: ignorância.
Reconheço-lhe esses méritos e honra seja feita ao Delito e a si.
E tem razão. Os desinformados orgulhosos colhem no que semeiam. A ignorância, a degradação e o equívoco. Restam-me a dúvida: fazem-no por intenção ou por estupidez?
Faço essa pergunta várias vezes a mim próprio, mas continuo sem resposta.
Creio entretanto que é muito mais aquilo que nos aproxima do que aquilo que nos afasta. Tem sido assim, por aqui, a propósito de vários temas – o que registo com agrado.
Apenas nos últimos 15 dias, as nossas televisões e jornais omitiram a principal notícia em França (o linchamento de um militante de extrema-direita por militantes de extrema-esquerda) – que, credo, até o Guardian destaca; de Espanha, onde a clique de Sanchez produz escândalos novos todas as semanas, há muito que não se dão notícias, tal como da Argentina, e por razões opostas (até que ontem a LUSA, que omite os dados económicos extraordinários da administração Milei, deu a notícia de uma “greve geral”). A partir do momento em que se soube (quem se deu ao trabalho de usar o Google) que os autores dos dois últimos homicídios em massa (em Rhode Island e no Canada) eram transsexuais, os noticiários deixaram de falar neles. De facto, para sermos “informados e esclarecidos” não há remédio senão ir além dos “conteúdos certificados pela deontologia jornalística” (que substitui, com grande vantagem, a Censura Prévia da ditadura – provando que, até nisso, o sector privado bate o sector público) e cometer a imprudência de usar o Google.
Há 15 dias seria impossível os órgãos de informação portugueses darem noticia do bárbaro homicídio desse jovem militante nacionalista francês pois o crime ocorreu na noite do dia 12 em Lyon e só no dia seguinte se tornou público
Quanto à sua alegação de que foi ignorado, aqui fica o desmentido em várias peças de diversos meios de informação:
https://rr.pt/noticia/amp/mundo/202 6/02/13/frances-em-morte-cerebral-apos-a gressoes-de-grupo-de-extrema-esquerda-an tifa/459467/
https://sicnoticias.pt/mundo/2026-0 2-13-jovem-de-23-anos-em-morte-cerebral-a pos-agressao-de-militantes-antifa-em-lyo n-a4bbb3ed
https://expresso.pt/internacional/europ a/franca/2026-02-16-autoridades-francesa s-investigam-morte-de-ativista-nacionali sta-em-lyon-e7b113b0
https://observador.pt/2026/02/17/ex-mem bros-de-grupo-antifascista-suspeitos-de-m orte-de-ativista-de-extrema-direita-em-l yon/
https://www.publico.pt/2026/02/18/p3/no ticia/assessor-deputado-franca-insubmiss a-11-detidos-morte-quentin-deranque-2165 193
https://www.jn.pt/amp/18053097/detido-c onselheiro-de-deputado-da-extrema-esquer da-sobre-morte-de-ativista-nacionalista
https://www.noticiasaominuto.com/mu ndo/2940917/pelo-menos-quatro-detidos-pe la-morte-de-jovem-nacionalista-em-lyon
https://www.sabado.pt/descodificado res/amp/dos-grupos-envolvidos-aos-11-det idos-o-que-se-sabe-do-caso-do-ativista-m orto-na-rua-em-franca
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Um conselho: não acredite em todas as barbaridades proferidas pelo deputado Frazão.
“as nossas televisões e jornais” não são os “sites” das nossas televisões e jornais, onde as notícias se acumulam à razão de 10 ou mais à hora. E desconheço o que disse o deputado Frazão (sendo que, por acaso, fiquei a saber a notícia por um artigo de opinião, aliás, muito enganador, do eurodeputado Moreira de Sá no Observador – jornal de “extrema-direita”, diz o Pacheco, que também não lhe deu qualquer destaque, apesar do link que aí consta).
Ah, então na sua tese tudo quanto aqui trago são notícias inexistentes de um tema que jornais, revistas, rádios e televisões ignoraram por completo em Portugal.
Felizmente há deputados do Chega que o informam, valha-nos isso.
Imprima a primeira página de um jornal em papel ou online que destaque essa notícia, ou junte o vídeo de um noticiário da noite que a tenha dado e eu pedirei desculpa pelo meu erro. O eurodeputado do Chega deu uma versão deturpada da notícia, como é expectável (apesar de ser um reputado professor universitário, que foi deputado do PSD até 25.03.2024), pelo que, para me informar com rigor, tive de fazer como (contam-me) se fazia antes do derrube da ditadura e ir ler a notícia em jornais estrangeiros.
Como é que só leu “em jornais estrangeiros” se eu lhe trouxe aqui uma pequeníssima amostra (nem 10%…) do que se foi publicando em Portugal, ao longo desta semana, em todas as fases deste macabro processo que segue o seu curso nas instâncias políticas, jurídicas e mediáticas em França?
Porque não teve qualquer destaque. Entre as 12h00 e as 13h56, o Observador publicou 21 notícias (vinte e uma), alguém as leu? Acha que se um grupo de sujeitos de extrema-direita assassinasse à patada um sujeito de extrema-esquerda, a coisa não saía na capa do Público, do Expresso, do DN? Não seria reportado nos noticiários da noite? Não seria comentado em directo no noticiário do Canal 1 pela Sr.ª Rosário Salgueiro? Que as subsequentes vigílias e abaixo-assinados não seriam divulgados pela LUSA? Se acha que não, que seria tudo igual, então, de facto, escapa-lhe uma das principais razões que explicam o crescimento do Chega.
Esquerda, direita… extrema-esquerda, extrema-direita… Não entro nesses debates de polarização ideológica equivalentes aos das claques da bola. Para mim, tudo isso é péssimo.
Durante 14 anos editei um blogue sportinguista chamado És a Nossa Fé em que me demarquei sempre a 100% de todos os actos de violência, vindos de onde viessem, incapaz de separar a “violência boa” (praticada pelos “nossos”) da “violência péssima” (praticada pelos “outros”).
Como ainda ontem se viu no Campo Grande, em Lisboa, numa rixa entre claques que levou a mais de 120 detenções, num local e a uma hora em que não faltava gente inocente – incluindo crianças – que só por milagre não saiu ferida.
Ou morta.
Tudo péssimo, a começar no extremismo. Seja na política, seja na bola. Os piores são sempre aqueles que começam por ser extremistas na bola e transferem isso para a política. Ou vice-versa.
Completamente de acordo. Mas, lá está, não é isso o que decorre, em Portugal, dos “conteúdos certificados pela deontologia jornalística” (e o Chega agradece). Digo eu, naturalmente.
Uma adenda: ontem o noticiário de horário nobre da SIC deu, pela primeira vez, a notícia do linchamento do tal Quentim, 7 dias depois do facto, sendo a peça rematada com o Sr. Macron a dizer à Sra. Meloni para não falar de coisas que não acontecem na terra dela. Como a TASS a dar a notícia da morte do Secretário-Geral do PCUS, com comentário final do Dr. Álvaro Cunhal.
Não fale mal da minha porteira.
Cada um deve proteger as suas fontes de informação. Faz muito bem.
A resposta de “Viriato_da_Liberdade_2024”
Mais um texto destes “doutores” das letras que se acham melhores que o povo! 🙄 Olhem para este senhor, tão fino, a chamar-nos de “acéfalos” só porque não andamos com um tijolo de 500 páginas debaixo do braço para parecer bem no café.
Fique sabendo, ó “sr. intelectual”, que a escola da vida ensina muito mais que a vossa “deontologia”. Eu não preciso de livros certificados para saber a VERDADE. O meu primo mandou-me ontem um vídeo que explica TUDO num grupo de Telegram. Demorou 2 minutos a ver. Vou perder tempo a ler um livro de História escrito por gajos que querem formatar-nos a cabeça? Não, obrigado!
Diz que nos informamos na “intriguista do prédio”? Olhe que a Dona Alzira sabe muito mais do que se passa no bairro do que o vosso jornal oficial. E se eu prefiro um vídeo no TikTok de 15 segundos a um editorial de duas páginas, é porque sou PRÁTICO. O tempo é dinheiro.
Enquanto vocês andam a cheirar papel velho e a ler o que os políticos mandam escrever, nós, os “desinformados”, estamos aqui a acordar a malta! Orgulho em não ser um carneiro das bibliotecas! 🐑🚫📖
ACORDEM, PORTUGAL! A verdade não está nos livros, está nos áudios de 8 minutos do WhatsApp que a gente ouve a caminho do trabalho! 👊💥”
#OrgulhoIgnorante #SemLivrosSemProblemas #OuvidizerÉVerdade #WhatsAppÉVida
conteúdos certificados pela deontologia jornalística
Atualmente os jornalistas não certificam absolutmente nada. A sua deontologia está completamente falha.
Até o Pedro Correia, que se orgulha de ser jornalista, espalha neste seu blogue dados totalmente não-certificados sobre o número de soldados russos que morreram na Ucrânia.
Já cá faltava o putinista candidato a ser galardoado com a Ordem de Lenine pelo Supremo Comandante das “Gloriosas” Forças Armadas Russas.
Prepare-se. Nos próximos dias terá de aparecer muito por cá em defesa da sua donzela Vladimira Putina.
Há quatro anos que a dita cuja ordenou a invasão em massa da heróica Ucrânia, nação soberana. Com o macabro resultado que sabemos.
Ó balio o Pedro Correia, devia “certificar” o quê?
Queres que ele vá a Moscovo, entre no Kremlin, dê dois estalos no focinho do Putin e lhe peça as certidões de óbito carimbadas pela junta de freguesia de São Petersburgo?
O “Delito de Opinião” é um blogue de opinião. Sabes o que é? É aquele sítio onde as pessoas pensam e escrevem. Ele não está a dar uma aula de matemática pura; está a analisar o massacre de uma geração de russos mandada para o matadouro por um gajo que tem saudades do Império.
Queres que te mande o contacto de uma óptica para veres melhor os links que ele põe no blogue ou preferes continuar a achar que o jornalismo é passar certidões de óbito de cadáveres?
o Pedro Correia, devia “certificar” o quê?
Não devia certificar nada. Como você bem diz, é impossível certificar seja o que fôr.
Mas, sendo tal impossível, e sendo o Pedro Correia um jornalista, deveria abster-se de espalhar “informações” não certificadas.
Se uma pessoa não tem informação certificada, então não deve fornecer “informação” nenhuma.
Bastaria ao Pedro Correia dizer que “muitos russos têm sido mortos na guerra”, o que é certamente verdade. Escusava de andar a atirar números (não certificados) para o ar.
o jornalismo é passar certidões de óbito de cadáveres
Um jornalista pode e deve fazer isso se dispuser dos dados exatos, se vir os cadáveres e os puder contar.
Se não dispuser dos dados exatos e comprovados, então o jornalista não deve atirar números para o ar.
Um jornalista, lá está, não pode ser um gajo que manda umas opiniões quaisquer. Tem que ser rigoroso. Tem que seguir a deontologia.
Não se enerve tanto, Lavoura.
Ainda agora começou. Terá muitos dias pela frente para vir em socorro da sua maculada donzela Vladimira Putina.
Eu avisei ali em cima.
O balio confunde rigor com paralisia. Dizer que “morreram muitos” é retórica de café. Jornalismo é dar a dimensão do abismo, mesmo que o abismo tente esconder a fita métrica.
O jornalismo é o rascunho da história, não é um inventário de loja de ferragens, é cruzar dados, analisar fontes e dar a cara pela informação possível, não é ficar à espera que a verdade lhe caia no colo com um selo branco.
O jornalismo é para quem aguenta o peso da dúvida e a coragem da análise.
O jornalismo serve para iluminar o caos, não para esperar que a luz se faça sozinha depois de todos estarem mortos e “certificados”.