
Eu: «Reparo num número crescente de mulheres, ainda jovens, exibindo cabelos brancos sem constrangimentos nem complexos. Efeitos do confinamento, do teletrabalho, das longas semanas com salões de cabeleireiro encerrados. Fazem muito bem. É tempo de todos descobrirmos (a começar por elas) que os cabelos brancos nada afectam a sensualidade feminina. E podem até acentuá-la.»

A mim apareceram-me os primeiros cabelos brancos ainda na casa dos 20, e nem lhe digo as perseguições (sempre amigáveis!) que sofri para os pintar – excepto, é justo dizê-lo, dos homens da minha vida, que pensassem o que pensassem nunca me sugeriram disfarces.
Mas confesso que o meu motivo primeiro foi a preguiça, sempre detestei aquele ar desleixado dos cabelos mal pintados ou a precisarem de uma demão urgente; e não me via em obrigações de cabeleireiro, e ainda menos naquelas técnicas caseiras que demoram imenso tempo e deixam tudo sujo. E o motivo segundo era uma vaidadezinha arrogante, própria da juventude, que me levava a achar que tudo me ficava bem, até os cabelos brancos, eheheh. Desde que curtos, é raro ver alguém com cabelos brancos compridos que não me lembre logo o Gandalf, e depois é muito mais prático. Ai a preguiça, a preguiça…
E tem o Pedro razão sobre os efeitos do confinamento na nova “percepção” dos cabelos brancos em idades mais jovens: normalizou-se o que há bem pouco tempo se considerava excentricidade ou mesmo falta de aprumo. O que diz muito sobre modas e “percepções”.