
João Pedro Pimenta: «Era ele [Gonçalo Ribeiro Telles] ainda o líder do PPM quando Miguel Esteves Cardoso surgiu como cabeça de lista pelo partido nas eleições europeias de Julho de 1987, que se realizaram em paralelo às legislativas (as mesmas que deram uma enorme maioria absoluta a Cavaco Silva, reduzriam o CDS ao “táxi” e esvaziaram o balão PRD). Depois de uma campanha imaginativa e irreverente, que fariam escola no PSR e mais recentemente na Iniciativa Liberal, conseguiram cerca de 2,8% dos votos, a melhor marca do PPM, e ficaram a escassos milhares de conseguir colocar MEC no Parlamento Europeu.»
JPT: «Nunca tinha ouvido – com ouvidos de ouvir – o que diz André Ventura. Por isso tive curiosidade suficiente para acompanhar a entrevista de ontem que o (já) decano Miguel Sousa Tavares lhe fez na televisão. É consabido que trinta e tal anos de poda jornalística não trouxeram particular sageza a MST, mas muito mais um arrogante e opinativo blaseísmo. Digamos que ele se tornou no inverso do MEC, outro dos “Miguéis” da geração que se celebrizaram, até como focos identitários, desde os 80s. Ontem isso foi gritante. O professor Ventura, sem particular carisma ou dons oratórios, propaga o vácuo – aquela da redução abissal dos impostos em troca da diminuição dos ordenados dos deputados e do corte nas fundações estatais e algumas outras (inditas) “gorduras do Estado”, como se dizia há anos, é mesmo para “patego ver”. Mas Sousa Tavares ultrapassa-o nessa vacuidade.»
José Meireles Graça: «Não sou nem adepto nem advogado do Chega! – não preciso de versões exacerbadas e oportunistas de vários tipos de asneirol que já tinham o seu cantinho no meu partido, que acolhe, e bem, muitas capelas.»
Eu: «Algumas interrogações que persistem em ficar sem resposta. Como uma infinidade de outras, ecoadas por tantas vozes ansiosas desde o início de um ano que prometia ser risonho e próspero e afinal se transformou num pesadelo sanitário, económico e social sem fim à vista.»
