DELITO há cinco anos


Pedro Correia,

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Eu: «Há muitos anos que não lia tantos livros como neste 2020 prestes a ficar para trás. Desde a adolescência, mais precisamente. O longo período de confinamento a que estive sujeito, à semelhança do que sucedeu com tantos de nós, incentivou-me a mergulhar ainda mais na leitura. E com proveito, devo confessar. Ler, como alguém assinalava um dia destes, é a actividade intelectual que mais nos permite contrariar tendências dominantes, rejeitar o espírito de rebanho ou alcateia e mergulhar na subjectividade – no fundo, aquilo que nos diferencia dos restantes mortais. Senti isso como nunca neste ano de pesadelo. Graças, em boa parte, a autores que escreveram sobre mundos e modas tão diferentes dos que agora experimentamos. Esta é uma conquista ímpar da literatura: fazer-nos viajar a qualquer momento no tempo e no espaço, abrindo-nos horizontes de toda a espécie. Graças a ela, ficamos a saber o que nos antecedeu e a conhecer a face oculta do que nos rodeia. E passamos até a ser iluminados sobre nós próprios.»

Um comentário em “DELITO há cinco anos”

  1. Subscrevo em absoluto as considerações do Pedro sobre a abertura de horizontes, tanto externos como interiores, proporcionada pela literatura. Em grande medida considero-me mesmo (sei-me…) uma pessoa que foi formada, “educada”, pelos livros, tanto ou mais do que pelos relacionamentos humanos propriamente ditos.
    Porque é assim como diz, ficamos a conhecer a face oculta do que nos rodeia e até de nós próprios. E se há coisa que sempre me causou profunda estranheza são aqueles indivíduos, até grandes leitores e em tudo inteligentes, que não se encontram a si mesmos na literatura.

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